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Entrevista Causasdaviolênciaeagressividade na escola: o espiritismo ex

Jornal de Espiritismo nº 33 · Março 2009Página 84 min

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Entrevista Causasdaviolênciaeagressividade na escola: o espiritismo explica foto loucomotiv “A violência na escola é um tema que comporta um alto risco de manipulação” . Éric Debardieux Quase todos os dias é notícia casos de violência nas escolas. Queixam-se os jovens, queixam-se os professores. Se há um século atrás, a educação demasiado conservadora impunha a disciplina à reguada, no presente a disciplina pune-se com a exclusão da sala de aula, ou a ausência temporária, forçada, da escola.

E se antes a agressividade era camuflada de respeito pelo mestre, agora ela ganha contornos de vitimação. As estatísticas apontam que, em Portugal, 3 em cada dez alunos, são agredidos na escola. Será que podemos falar de violência escolar? Quais as suas causas? Existe alguma receita mágica para combatê-la? Na 4ª Conferência Internacional sobre Violência nas Escolas e Politicas Públicas, que decorreu no final de Junho de 2008 em Lisboa, a ministra da Educação afirmou que é preciso distinguir violência escolar de indisciplina.

Entende-se por violência um conjunto de comportamentos agressivos que se traduzem em vandalismo, bullying, hiperactividade, delinquência, etc. A agressividade é o comportamento destinado a magoar outra pessoa, e pode ser verbal, fisico ou psicológico. Como causas apontadas existem várias teorias: genéticas (sobrevivência da espécie humana), sociais (modelos) ou como resultado de um sentimento de frustação individual.

A indisciplina tanto pode traduzir-se por uma violação às normas sociais, como o vulgar insulto ou “falta de respeito”. Em estudos efectuados a respeito do tema, notamos uma preocupação excessiva em encontrar padrões de comportamento universais. A visão pessimista de que o ser humano é propenso para o mal e que muitos nascem “por defeito” naturalmente agressivos, propicia à exclusão e promove a discriminação. Rousseau,Kant, Pestalozzi, Frobel são alguns dos filósofos, pedagogos que tentaram demonstrar que o homem é naturalmente bom, que traz consigo os germens do bem e do belo, e que pela educação desenvolvem virtudes até à perfeição.

Questionados os espíritos por Allan Kardec se a crueldade não derivaria da carência de senso moral (L.E.p.754), responderam: “não digas da carência, porquanto o senso moral existe, como principio, em todos os homens.” Daqui se depreende que todos os homens nascem capazes de distinguir o bem do mal, logo todos possibilitados a serem pacificos e justos. O que os “corrompe” e desvia dos seus propósitos é a própria sociedade.

E se “Deus fez o homem para viver em sociedade” (L.E.p.766 ) com o fim de progredir, é na sociedade que urge fazer mudanças. No entanto, como nos diz Pedro Camargo uma reforma social só fará sentido se for a soma das reformas individuais, caso contrário será uma mera utopia. Se na Escola observamos comportamentos agressivos, não podemos alhear-nos de todo um conjunto indissociável: educandos, educadores, pais, estrutura fisica escolar, materiais, orientações curriculares, medidas politicas, meios de comunicação, etc, etc.

Por isso mesmo, são tantas as causas de violência quantos os seres que habitam a terra. Não porque eles sejam todos agressivos, mas porque o próprio ensino e a sociedade promovem esses comportamentos violentos. O ensino autoritário, de “fora para dentro”, que não promove o diálogo, que incentiva à competição ao invés da solidariedade; as famílias cada vez mais reduzidas, monoparentais, e a desvalorização dos laços familiares; os meios tecnológicos que ofuscam com a satisfação de prazeres imediatos; são algumas das causas evidentes neutralizadoras do aperfeiçoamento moral de cada individuo.

Todos os homens nascem capazes de distinguir o bem do mal, logo todos possibilitados a serem pacificos e justos. O espiritismo vem nos demonstrar que a finalidade da vida é o Amor. Sendo que o maior obstáculo ao progresso é o orgulho e o egoísmo (L.E.p.785), o espiritismo mostra-nos onde residem os verdadeiros interesses do homem: “Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro.

” (L.E.p.799) Eis o caminho a seguir na reestruturação da escola: para combater a violência e a agressividade, não são precisas receitas nem “passes de mágica”, baste que se proporcione, não a educação moral, mas a educação para o amor e com amor. A Escola não pode nem deve ser moralizadora, mas sim educadora! De nada serve “ensinar” e impor regras que não se entende para que servem. Criar disciplinas onde se transmitem conceitos abstratos sobre a moral, onde não se vivencia o que se aprende, são meros enfeites que atrofiam a vontade e promovem a dependência.

Para educar no sentido de despertar para os valores morais, a Escola tem antes de promover a liberdade de pensar e ao mesmo tempo despertar para a consciencia religiosa, não do crer mas do ser. A agressividade não faz sentido num ambiente onde todos se respeitam e se sentem irmãos, onde existe compreensão da vida e seus propósitos, onde todos unem esforços para o bem comum. Se a Escola actual divulga e instrui em tantas áreas de saber, tem agora a responsabilidade e a tarefa de cultivar carácteres, valores morais e sentimentos.