Entrevista Cientistas descobrem água a 11 biliões de anos-luz Astrónom
Jornal de Espiritismo nº 33 · Março 2009Página 95 min
Entrevista Cientistas descobrem água a 11 biliões de anos-luz Astrónomos europeus encontraram água a uma distância de 11.1 bilhões de anos-luz (1). Este sinal viajando à velocidade da luz, a cerca de 300.000 km por segundo, demorou 11,1 bilhões de anos para chegar ao maior radiotelescópio individual e que se pode mover livremente, situado em Effelsberg, Bona, na Alemanha.Tem 100 m de diâmetro e pesa 3200 toneladas… Esta descoberta mostra que as condições para a organização e continuidade de moléculas de água já existiam apenas com 2,5 bilhões de anos após o nascimento do nosso Universo.
Muito antes do aparecimento do nosso Sistema Solar e consequentemente do Planeta Terra. Esta informação é proveniente do QSO ou Quasi-Stellar Objects “MG J0414+0534”. Os QSOs são objectos que, à primeira vista, parecem estrelas normais. Após uma inspecção mais detalhada, apresentam espectros com deslocamentos para o vermelho (redshift) muito grandes, ou seja a luz que eles emitem é fortemente deslocada na direcção da extremidade vermelha do espectro.
Os pesquisadores do estudo calculam que o vapor de água teria existido em nuvens de poeira e gás que alimentavam o buraco negro supermaciço no centro do distante QSO. Esta descoberta foi confirmada por observações interferométricas (baseadas em fenómenos ópticos de interferência) de alta resolução com outro radiotelescópio como o conhecido VLA – Very Large Array, situado em Llanuras de San Augustin, Novo México, EUA, popularizado na série Contacto, em 1985, do astrofísico norte-americano Carl Sagan.
A sua descoberta foi possível também pela situação do quasar no espaço, com outra galáxia nos seus arredores que fez de espelho para reforçar a primeira, criando um excelente alinhamento. Além do alinhamento providencial, os cientistas contaram com uma grande coincidência. O quasar está exactamente dentro do intervalo certo do desvio para o vermelhoou redshift; a alteração na forma como a frequência das ondas de luz é observada em função da velocidade relativa entre a fonte emissora e observadorpara que a emissão do sinal da molécula de água passe da sua frequência normal de 22 GHz para 6 GHz, entrando na faixa de alcance do receptor instalado no telescópio.
Os cientistas salientam que não se trata de água líquida, mas de moléculas de água muito distantes entre si. “É interessante que encontramos água no primeiro objecto aumentado gravitacionalmente que observamos no Universo distante. Isso sugere que a água pode ter sido muito mais abundante no início do Universo do que achávamos e é algo que poderemos usar em futuros estudos sobre buracos negros supermassivos e sobre evolução de galáxias”, atestou um dos autores desta descoberta, John McKean do Instituto Max Planck de Radioastronomia de Bona.
A existência de água, mesmo que no estado gasoso 2,5 biliões depois da criação do nosso Universo e 6 biliões de anos antes do nascimento de nosso Sistema Solar e Planeta Terra parece corroborar com a tese da existência de Vida pelo Universo fora. E que a água já não é exclusiva do nosso Planeta, nem do planeta Marte nem das rochas da Lua, mas parece existir muito antes da nossa existência… Parece-nos muito actual a conhecida pergunta 55 d’ “O Livro dos Espíritos”: «Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objectivo final da Providência.
Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil (…). Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes». Ao que parece para os defensores mais entusiastas da Terra ser um grão de areia cheio de privilégios, parece que até a própria água, anda por aí a viajar há muitos e muitos anos…!
(1) Ano-luz é uma unidade de comprimento utilizada em astronomia e corresponde à distância percorrida pela luz em um ano. Por Luís de Almeida Kant e a pluralidade de mundos “A casa de meu Pai tem muitas moradas” . Com esta afirmação, com significação que permaneceu velada durante séculos, porventura ainda neste em que nos encontramos em alguns sectores, Jesus garantiu a pluralidade de mundos. No entanto, esta verdade ainda não tem comprovação científica, pese embora a impossibilidade matemática de que assim não seja.
Mas a razão humana, minimamente esclarecida sobre a realidade do Universo, só pode conceber que assim seja. É indigência cultural e mental continuar a acreditar que tudo quanto numa noite limpa se vê no céu existe unicamente para nossa fruição. Isto neste início de século XXI, porque no século XVIII oferecia algum risco, pelo menos em termos de reputação, afirmar essa pluralidade de mundos habitáveis e habitados (e Giordano Bruno havia pouco mais de 100 anos tinha ido para a fogueira).
Na verdade, só um louco, ou um sábio, o faria. Kant certamente não era louco; então, era um sábio plenamente convencido do que dizia – do que disse em a “História Geral da Natureza e Teoria do Céu”. À luz dos conhecimentos actuais, certamente encontram-se falhas, erros grosseiros mesmo. Afinal, Galileu tinha 150 anos, a gravitação universal de Newton por pouco lhe era contemporânea. Mas, atente-se nisto: “(…) E, para tudo agrupar num único conceito geral, direi que a substância de que são formados os habitantes de diferentes planetas, neles se incluindo os animais e as plantas, deve ser de uma maneira geral duma espécie tanto mais leve e fina, e a elasticidade das fibras assim como a constituição avantajada da sua estrutura deve ser tanto mais perfeita, quanto esses planetas estiverem afastados do Sol.
(…) Se, de acordo com isto, as capacidades espirituais estão numa necessária dependência face à substância da máquina que elas habitam, poderemos então concluir com uma probabilidade mais que razoável que a excelência das naturezas pensantes, a prontidão nas suas representações, a clareza e a vivacidade dos conceitos que recebem das impressões exteriores, assim como a faculdade de as congregar, por fim também a agilidade no exercício real, em resumo, toda a extensão da sua perfeição, está submetida a uma certa regra segundo a qual estas criaturas se tornam sempre mais excelentes e mais perfeitas de acordo com a relação de distância do seu lugar de habitação face ao Sol.
(…)” Numa outra passagem diz que na infinidade de planetas os desabitados não representarão mais do que as ilhas que hão desertas na Terra, e que mesmo esses serão um dia habitados quando geologicamente prontos para tal. Em relação à que foi transcrita, importa reter a noção de diversidade, embora não se possa inferir a ideia de progresso tal como os espíritas a entendemos. Não obstante, é notável esta tese de Kant, assim como a da generalidade das expostas no livro referido, o qual representa um surpreendente oásis encontrado como adenda isolada depois da travessia obrigatória de a “Crítica da Razão Pura”.
Por A. Pinho da Silva PÁGINAS DE INTERNET www.future-studios.
