Ciência Amorim Viana, um filósofo espírita?
Jornal de Espiritismo nº 35 · Julho 2009Página 76 min
O título deste artigo é propositadamente sensacionalista, porquanto o livro “Defesa do Racionalismo e Análise da Fé” publicado em 1866 representava certamente um labor de anos; ora, tendo O Livro dos Espíritos saído a público 9 anos antes, é muito pouco provável que Pedro de Amorim Viana lhe tivesse tido acesso, bem assim como à filosofia espírita se tivesse convertido, mas é usado, o título, para fazer ressaltar o quanto a “ideia” espírita andava no ar, preparado que estava a ser o terreno pela espiritualida- de superior para o advento do Consolador prometido por Jesus.
Observe cada um o que, muito resumida- mente, Amorim Viana defende: que a razão é compatível com a fé, sendo ainda potenciadora desta; que em primeiro lugar está a caridade e que, salvaguardada a preponderância do plano ético, a ciência é a mais nobre tarefa do homem, pois concebe-a como uma das formas de prestar culto ao Criador; que os princípios que regem o Universo são eternos, universais e imutáveis, não aceitan- do excepções, como o milagre, já que este traduziria mais a imperfeição da obra divina do que a sua sublimidade e seria moral- mente ineficaz; que o mal é outro nome dado à ausência de perfeição; que os seres tendem para Deus e que todos caminham para o Bem, embora não com a mesma diligência; que o aperfeiçoamento crescente se efectua numa sucessão cíclica de vidas, em que cada retorno reflecte uma elevação qualitativa; que uma existência além da sua própria fruição é preparação para uma existência posterior; que, um dia, Deus será o guia definitivo, que falará plenamente ao coração de cada homem, porque em cada homem a vontade se confundirá com os ditames da caridade e da justiça.
Soa-nos familiar? Fala-se que foi uma das obras mais discuti- das da sua época, com repercussão tal que suscitou polémicas (a mais conhecida com Camilo Castelo Branco), mas também res- postas que acabaram por celebrizar outros filósofos, nomeadamente Sampaio Bruno. Depois, o século XX envolveu-a no sebastiâ- nico manto de nevoeiro, onde nos embru- lhamos enquanto esperamos milagres e condenamos ao olvido o que é incómodo.
Constatamos, paralelamente, que nas licenciaturas em Filosofia em Portugal os pensadores portugueses são mera curiosi- dade histórica, como se não houvera pen- samento filosófico vigoroso e original (se for esse o critério que preside à elaboração dos programas, o que nem sempre parece ser o caso); afinal, só temos valor quando emigrados, ou expatriados (e assim perde- mos Espinosa). De contrário, ao estudante é-lhe servido o filósofo deísta em forma de tortura para que se torne materialista se ainda o não é, e o que proclama a morte de Deus é-lhe apresentado como semi-deus para que, se apenas agnóstico, se torne decididamente ateu.
Parece anedota, mas é fidedigna a fonte que referiu, durante as últimas Jornadas de Cultura Espírita, que um douto conselho de uma determinada faculdade proibiu, em 2008, um curso relacionado com a consci- ência alegando que toda a gente sabia que essa coisa era uma secreção do cérebro, e portanto não havia necessidade de a estu- dar. Rizível, mas sintomático. Assim sendo, faz de facto algum sentido estudar Amorim Viana?
Por A. Pinho da Silva À procura de sinais de vida A “Kepler” já está colocada em órbita para procurar em zonas longínquas planetas irmãos da Terra com sinais de vida. A sonda “Kepler” foi, em Março último, colocada em órbita com sucesso. Trata-se de uma espécie de câmara fotográfica, a mais potente jamais colocada no Espaço, e que vai procurar detectar planetas rocho- sos semelhantes à Terra, em órbita noutras estrelas, fora do Sistema Solar, e que pos- suam características favoráveis à existência de água em estado líquido à superfície, condição essencial para o desenvolvimento da vida.
“Esta não é apenas uma missão científica mas também uma missão de importân- cia histórica concebida para responder a uma questão que a humanidade se coloca desde sempre, que é saber se existem outros planetas como o nosso no Universo”, explicou Ed Weiler, o responsável das mis- sões científicas da agência espacial norte- americana (NASA). “O recenseamento planetário que deve ser feito pela ‘Kepler’ terá uma grande impor- tância para saber se os planetas com a mesma categoria de tamanho e de massa que a Terra são vulgares na nossa galáxia (a Via Láctea)”, disse Jon Morse, director da divisão de astrofísica da NASA.
Outro objectivo da missão é “preparar futu- ras missões que detectarão directamente e estabelecerão as características de tais planetas em órbita de estrelas próximas”, acrescentou o astrofísico norte-americano. A sonda foi baptizada em honra do astróno- mo alemão do século XVII, Johannes Kepler, e é o resultado prático de uma missão em que foram investidos 600 milhões de dóla- res e que deverá durar três anos e meio, ao longo dos quais se calcula que venham a ser identificados mais de 100 mil estrelas se- melhantes ao Sol, mais ou menos quentes, situadas entre as constelações do Cisne e da Lira, uma área que representa um campo de observação com a largura equivalente a três vezes a Lua vista da Terra.
A “Kepler” deverá, provavelmente, encontrar centenas de planetas do tamanho da Terra, ou até maiores, sensivelmente à mesma distância da respectiva estrela. Se tal não se confirmar, isso pode significar que a Terra é uma excepção no Universo, explicaram os responsáveis da missão. Desde 1995, foram descobertos 337 exopla- netas em torno de estrelas mas são todos bastante maiores do que a Terra e situados em ambientes em que a vida é impossível.
A “Kepler” foi colocada em órbita durante a madrugada de 7 de Março, sábado, 62 mi- nutos após o lançamento da base de Cabo Canaveral, na Florida. Este telescópio de 1,03 toneladas está dotado de um espelho principal de 1,4 metros de diâmetro e de uma abertura de 0,95 metros. O fotómetro, aparelho que serve para medir as grandezas luminosas, está munido de um plano focal com 95 milhões de pixéis que se assume como a maior objectiva fotográfica lançada no espaço pela NASA.
* A Vida deve de estar espalhada pelo Univer- so senão não se entendia que a NASA e ESA despendessem tanto dinheiro e tempo na busca de Vida Extraterrestre e que de forma simples pode comprovar o que “O Livro dos Espíritos” nos antecipou faz 152 anos na pergunta 55: - São habitados todos os globos que se movem no Espaço? - «Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência em bon- dade e em perfeição (…).
“Esta não é apenas uma missão científica mas também uma missão de importância histórica concebida para respon- der a uma questão que a humanidade se coloca desde sempre, que é saber se existem outros planetas como o nosso no Universo” Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objectivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil.
Certo, a esses mundos há-de ele ter dado uma destinação mais sé- ria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes». Por Luís de Almeida * Para acompanhar a missão:: http://kepler. NASA.
