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Reportagem ENJEDiário de um jovem Nunca tinha participado de grandes a

Jornal de Espiritismo nº 35 · Julho 2009Página 65 min

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Reportagem ENJEDiário de um jovem Nunca tinha participado de grandes acti- vidades de grupo que envolvessem vários jovens, muito menos do encontro nacional de jovens espíritas (ENJE). Apesar disso, já muitas vezes ouvira falar desse tal encontro. Um fim-de-semana onde jovens espíritas de todo o país se juntam para, orientados por monitores, aprenderem, conviverem e partilharem. Este ano o ENJE tomou lugar em Águeda em Abril.

Ao longo da viajem de Lisboa a Águeda, e para relaxar, tentava imaginar III Jornadas de Cultura Espírita do Porto Realizaram-se em 4 e 5 de Abril as III Jorna- das de Cultura Espírita do Porto no amplo auditório do Fórum da Maia. Numa placa de acesso ao Auditório está escrito o seguinte texto: “Na Maia privilegia- mos o conhecimento e o saber colectivos, assentes na memória de um passado mi- lenar, como um meio de alcançarmos um futuro de prosperiedade e de modernidade.

Na Maia o privilégio é todo seu. Assina Eng.º António Gonçalves Bragança da Maia, Presidente do Município da Maia”. Estes são os princípios que norteiam o apoio que o Município da Maia dá às diversas associações cujo objectivo é o bem comum da sociedade. Por esta razão no dia 4, primeiro dia das Jor- nadas, do programa constava no início das actividades homenagem à Camara Munici- pal da Maia, pela sua actuação de igualdade de oportunidade na ocupação dos espaços culturais cedidos pelo Município.

O presi- dente da União Espírita da Região do Porto agradeceu a presença do presidente do Município e o foi ofertada uma lembrança relativa ao evento. As Jornadas prosseguiram com o cumpri- mento do programa, com o tema de fundo “O Livro dos Médiuns”. Abriu as Jornadas o presidente da Federação Espírita Portugue- sa (FEP), que exortou os presentes sobre a divulgação do Espiritismo com a realização de eventos, assim como de lembrar o ideal de Cristo “Ide e pregai a boa nova”.

O estudo e a responsabilidade do espí- rita no sentido de esclarecer e erradicar a ignorância. “Para consolar é necessário saber”, afirmou o presidente da FEP, Arnaldo Costeira. Pelas 16h30, teve início o primeiro tema da tarde, “Da acção dos Espíritos sobre a matéria”, apresentado por José Augusto Silva, da Escola de Beneficência Caridade Espírita. Pelas 17h30 foi apresentado outro tema, “Do laboratório do mundo invisível”, por Francisco de Assis, do Núcleo Espírita Rosa dos Ventos.

Às 18h30 seguiu-se o último painel da tarde com o tema “Dos inconvenientes e perigos da mediunidade”, apresentado por Regina Figueiredo, do Centro Espírita Caminheiros da Luz. No dia 5 de Abril as actividades começa- ram pelas 9h30, com um tema em vídeo do Roberto Carlos exortando ao amor. De seguida Maria Júlia Ramalho, do Lar Espírita Esperança, apresentou o tema “Da obses- são”. Às 10h00, seguiu-se o tema “Identidade dos Espíritos”, apresentado por Miguel Figueire- do da Comunhão Espírita Cristã.

Pelas 11h00 seguiu-se o tema “Das evoca- ções”, apresentado por Cátia Martins e José Maria Bezerra, do Centro Espírita Caridade por Amor. O último tema das Jornadas foi apresen- tado de seguida por Isabel Pinheiro, da Associação Espírita Cristã Mensageiros da Caridade, intitulado “Das reuniões e das Sociedades Espíritas”. Os trabalhos foram interrompidos para o período do almoço, tendo recomeçado pelas 14h30. Nesta última parte foram destinadas a mesas-redondas com os inter- venientes que apresentaram os trabalhos respondendo a perguntas que o público presente colocou por escrito, questões acerca dos temas apresentados.

Foi reservada para o final a apresentação do filme “Dr. Bezerra de Menezes, o diário de um espírito”, com a presença do seu produtor Fernando Lobo, que se encontra em Portugal a promover a divulgação nos cinemas portugueses. Paralelamente a estas Jornadas foi também destinada um espaço infantil, com um programa preenchido com actividades ade- quadas a este grupo etário. Funcionaram oficinas de reciclagem, de desenho, jogos didácticos, pintura facial, música e projec- ção de filmes.

No final as crianças participaram no encer- ramento das III Jornadas de Cultura Espírita do Porto com a apresentação de um tema musical coreografado. Por João Eduardo a situação. Como seria o lugar, os jovens, as actividades? Como seria conhecer um grande espírita, Raul Teixeira, e durante um fim-de-semana aprender e reaprender com ele os ensinamentos espíritas? Todos estes factos deixavam-se ansioso mas também animado e com vontade de participar.

Ao chegar à estalagem onde iriam decor- rer as actividades, não foi difícil encontrar jovens, colaboradores e ajuda. Recebi logo uma t-shirt juntamente com um folheto que continha os horários das actividades. Apesar da calorosa recepção e do ambiente amigável, sentia-me um bocado à parte, pois não conhecia nenhum daqueles jovens. Apenas conhecia uma amiga, que porém não sabia onde estava. Todavia, rapi- damente a minha ansiedade se foi diluindo pois rapidamente alguns jovens vieram falar comigo, e daí em diante comecei a sentir-me muito mais à vontade, por outras palavras, comecei o meu ENJE 2009.

Fazer amigos e falar com pessoas que não conhecia começou a ser fácil. Comunicáva- mos entre nós como se já nos conhecêsse- mos. Era um ambiente muito confortável. Ao longo do fim-de-semana sucederam-se palestras intercaladas com intervalos e ou- tras actividades, como o teatro e momentos de relaxamento. Cada palestra ministrada por Raul Teixeira era única e de imenso va- lor. Aprendíamos não só sobre o Espiritismo mas também a ser espíritas.

Os conteúdos leccionados batiam no nosso subconscien- te e acordavam-nos para a realidade. Tudo aquilo que o Raul dizia fazia sentido. Por palavras tão simples saíam conhecimentos tão valiosos. E eu apercebi-me que mesmo os princípios básicos do Espiritismo, que pensava conhecer, afinal só conhecia a ponta do iceberg. Percebi que era preciso uma lavagem completa ao meu interior, as minhas bases não eram fortes o suficiente, precisava de as trocar pelas novas bases mais reforçadas que construí ao longo do fim-de-semana.

Foi um começar de novo, porém não comecei do zero, e não comecei sozinho. A apoiar-me estavam os meus amigos, a mi- nha família, e toda a equipa espiritual que sempre vela por nós, mesmo quando nós não pensamos neles. Muitas foram as experiências que vivi no ENJE, desde as palestras, as conversas com os amigos, os almoços, teatro, etc. Foi um fim-de-semana do tamanho de um ano. O ENJE foi mais do que um encontro de jovens, foram dois dias de verdadeiro traba- lho exterior e interior, de convívio...

Foram dias fora do normal, aqueles dias que não queremos que acabem. E não acabarão, pois as amizades ficaram e os conhecimen- tos também, e agora para o ano reunir-nos- -emos todos outra vez em Lisboa para o ENJE 2010. Por Paulo Sérgio Guariento, Grupo de Jovens Espíritas Luis Gonzaga do CEPC- Centro Espírita Perdão e Caridade, Lisboa.