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Opinião De Pietro Ubaldi a Nicolau de Cusa ou vice-versa foto arquivo

Jornal de Espiritismo nº 38 · Janeiro 2010Página 144 min

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Opinião De Pietro Ubaldi a Nicolau de Cusa ou vice-versa foto arquivo Estou no grupo dos que não partilham as teses de Pietro Ubaldi. E, tal como Herculano Pires, entendo despropositada a pretensão de Ubaldi relativamente à sua posição no espiritismo. Ando às voltas com A Grande Síntese. E todo o tempo de leitura que já fiz tem pairado sobre mim, sem que o tenha buscado, pelo menos com a “consciência clara”, o espectro de Nicolau de Cusa, nascido Krebs.

O espírito que respondeu por Nicolau de Cusa esteve encarnado entre 1401 e 1467. E seu querer primeiro foi efectuar a síntese da antiguidade, da patrística e das doutrinas novas matemáticas e naturalistas do século XIV. Como ponto de partida, a aceitação de que a multiplicidade não pode existir sem a unidade, nem a unidade sem a multiplicidade. Daí vem-lhe a ideia, que lhe surge como uma iluminação, da união dos contrários no infinito (e este universo infinito aliado à realidade toda ela individual e única, faz com que nada se repita igualmente duas vezes, que a terra não esteja no centro do mundo, que não haja nenhum centro, que a esfera das estrelas fixas não seja o limite do universo, que a terra seja uma estrela como as outras, e que cada ponto seja centro por que em toda a parte e do mesmo modo vive e alenta a totalidade infinita.

Isto faz do cusano precursor de Copérnico). Após alguns exemplos intuitivos relativos ao número, à medida e ao peso, conclui que o princípio de todas as coisas é aquilo em razão do qual, no qual e a partir do qual se deduz o derivado, não podendo ser concebido esse ser mediante nenhum outro, mas, ao contrário, é a razão de se compreender tudo o mais. Conceito importante na filosofia de Nicolau é o de unum: tudo tem a sua origem e é cognoscível pelo e no unum.

O nosso espírito, diz ele, é imagem e semelhança do espírito divino. Este, como ideia absoluta, é a ideia de todas as ideias, a forma de todas a formas. Nesta unidade absoluta encerra tudo; de modo que dela, como a complicatio, se podem deduzir todas as explicationes, surgindo assim o mundo da multiplicidade. Acrescentando sempre ao negativo o positivo, vê-se no número o desdobramento da unidade; no movimento, o do repouso; no tempo, o do instante e da eternidade; no composto, o do simples; na desigualdade, o da igualdade; na variedade o da identidade – e assim por diante.

(O sistema, o anti-sistema…) O nosso espírito, diz ele, é imagem e semelhanã a do espírito divino. Este, como ideia absoluta, é a ideia de todas as ideias, a forma de todas a formas A coincidência é antes de tudo um princípio ontológico; no fundamento primeiro infinito do ser, em Deus, tudo se acha reduzido à unidade, o que, neste mundo, se desdobra em multiplicidade e na variedade. Nele, Deus, tudo é um e unidade; só depois de derivarem dele as coisas se separam e se opõem.

As considerações ontológicas levam à concepção epistemológica, em que também o nosso entendimento, com a sua multidão de regras e determinações conceptuais, tem o seu ponto de desdobro na unidade infinita da razão. E agora, em Ubaldi: “o absoluto não se divide, mas se encontra sempre todo, a si mesmo, no relativo”. De alfa para beta para gama para beta para alfa. A “respiração de ómega” é esta circularidade. Ou Deus a coincidentia oppositorum.

Por A. Pinho da Silva Perdeste cá uma cena de espiritismo Quando cheguei ao dentista, parecia que tinha passado um pequeno furacão pela sala de espera. Um conhecido que lá estava acercou-se e disse-me, ainda ofegante: “Eh pá... perdeste cá uma cena de espiritismo!...”. E passou a explicar: estava lá uma senhora muito descansada, de repente caiu no chão, começou a contorcer-se e a falar com uma voz que não era a dela.

“E que tem isso a ver com Espiritismo?” – perguntei. O meu conhecido olhou-me, incrédulo: “Espiritismo, pá! Espíritos, não sabes o que é?”. Perguntei-lhe o que é Espiritismo. Respondeu-me que é “coisas dos Espíritos maus”. Perguntei-lhe o que é um Espírito. Respondeu-me que não sabia, mas que é “uma força má que entra nas pessoas”. Os outros presentes na sala dividiam-se. Uns achavam que sim, que tinha sido um Espírito.

Outros declaravam “não acreditar em espiritismo” e achavam que era um caso de doença mental. É assim que muita gente pensa: alguém cai no chão a espernear e a falar com vozes estranhas, uns acham sempre que é “um ataque”, e outros acham que “é uma coisa má que entra nas pessoas”. O termo “Espiritismo” é o que está à mão para designar tudo e qualquer coisa que tenha a ver com Espíritos. E os Espíritos são sempre algo de mau, uma “força misteriosa”, coisa de filmes de terror.

A ideia geral acerca do nosso destino após a morte é, para a generalidade das pessoas, algo de muito vago. Tudo acaba com a morte? Vamos para o Céu? Ficamos adormecidos à espera do Juízo Final? Nem a ciência nem a religião dão respostas claras a estas perguntas. Poucos são os que identificam Espírito consigo mesmos, enquanto seres imortais. Poucos são os que entendem que quem se manifesta, do lado de lá da vida, é gente como nós.

Os Espíritos são vistos como não pertencentes à ordem natural das coisas, e, como tudo o que é desconhecido, são temidos e considerados “coisa ruim”. A mediunidade, quando não é entendida, só se faz notar pelos seus aspectos chocantes. E, como poucos sabem o significado do termo “mediunidade”, chamam- -lhe “espiritismo”. Por Roberto António Extraido de: http://blog-espiritismo. blogspot.com/2006/11/perdeste-c- uma-cena-de-espiritismo.