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Opinião O Centro Espírita Revisitando Kardec foto priscila Como nunca

Jornal de Espiritismo nº 39 · Março 2010Página 143 min

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é perda de tempo revisitar Kardec, revisitámo-lo no que tange ao centro espírita e, um tanto aleatoriamente, pinçamos alguns pontos para auto-reflexão. E lemos: “Daí vem que os centros que se acham penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros, fraternalmente”. A lógica dedutiva aplicada à realidade diria que os centros que não estendem fraternalmente as mãos aos outros não se acham penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo.

Não será de tomar tanto à letra a dedução, mas de facto algo vai mal quando não estendemos a mãoe também quando não tomamos a mão que nos é estendida. Se o outro está em equívoco, este é uma acrescida razão para estender a mão, fraternalmente; não o fazer ou fazê-lo do alto da nossa moral impoluta, é tal falta de caridade, e de humildade, que só pode traduzir a incursão em equívoco de não menor gravidade. Do programa das crenças diz que “a condição absoluta de vitalidade para toda reunião ou associação (…) é a homogeneidade, isto é, a unidade de vistas, de princípios e de sentimentos, a tendência para um mesmo fim determinado, numa palavra: a comunhão de ideias.

” Ora, se no Espiritismo todos lemos pela mesma cartilha (a codificação elaborada por Kardec, que não oferece duplas leituras), algo vai mal para que não tenhamos, enquanto espíritas, unidade de vistas, de princípios e de sentimentos. A efectiva comunhão de ideias manifesta necessariamente a aparência de tal (mas a aparência não manifesta necessariamente a comunhão de ideias. O discernimento fará a distinção entre as duas situações).

Acerca do chefe do espiritismo, diz a dado passo: “(…) o pior de todos os chefes seria o que se desse eleito por Deus.” Esta não é uma situação confessada no espiritismo, mas do melindre à vaidade, da vaidade ao orgulho, do orgulho à fascinação, é todo o tempo uma ladeira de acentuado declive e muito fácil descida e de cuja tentação ninguém está livre, e raros poderão garantir, honestamente, que jamais se deixarão iludir por qualquer destas miragens.

A simplicidade, a humildade, a modéstia, o mais completo desinteresse material e moral não são propriamente, ainda, atributos que nos sejam totalmente intrínsecos. E é por aquilo que ainda não somos que mais facilmente do que supomos resvalamos. Os aduladores, encarnados e desencarnados, andam aí (andamos aí). A lógica dedutiva aplicada à realidade diria que os centros que não estendem fraternalmente as mãos aos outros não se acham penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo Sobre o credo espírita, e para terminar este artigo, podemos ler: “Por melhor que seja uma instituição social, sendo maus os homens, eles a falsearão e lhe desfigurarão o espírito para a explorarem em proveito próprio.

Quando os homens forem bons, organizarão boas instituições, que serão duráveis, porque todos terão interesse em conservá-las. A questão social não tem, pois, por ponto de partida a forma de tal ou qual instituição; ela está toda no melhoramento moral dos indivíduos e das massas.” É aqui que reside o busílis da questão: o melhoramento moral dos indivíduos! O meu melhoramento moral. Tenho de compenetrar de que estou no espiritismo para me melhorar para que realmente melhore; só depois, e por indução, poderei levar a que outros o façam também.

Se estiver no espiritismo para mudar os outros, para impor ideias pessoas, para ocupar posições cimeiras, longo e árduo caminho tenho pela frente, que só o sofrimento pode clarear. Por A.