soubessem de nada
Jornal de Espiritismo nº 4 · 2004Página 174 min
A macabra descoberta aconteceu por acaso. A investigação policial revelou que, oculto sob a respeitável fachada da medicina e da ciência, existia um lucrativo negócio envolvendo vários médicos, auxiliares e responsáveis pela clínica. Há notícias de que na Índia algumas mulheres venderam (e vendem), por preços irrisórios, um dos seus rins, para alimentar a ávida procura que este tráfico de órgãos suscita, porque as suas famílias viviam (e vivem) em condições de insuportável miséria social e material.
Mas não só da Índia chegam relatos deste teor: este tipo de negócio globalizou-se, estando a funcionar várias redes organizadas.
civilizado em que vivemos e que impõe ao mais fraco, desprotegido e frágil uma situação de repugnante humilhação, degradação e subserviência.
Porque os custos destas operações no mercado negro são astronómicos, alguns ricos e poderosos (mas nem por isso mais evoluídos moralmente) que desejam manter a sua qualidade de vida, usufruindo eternamente dos bens que possuem, não se importam de explorar os mais pobres a troco de algum dinheiro para que a sua consciência fique, pelo menos, um pouco mais aliviada.
Em países altamente insuspeitos, há clínicas especializadas neste tipo de operações que encobrem, através de mecanismos aparentemente legais, todos estes horrendos crimes contra a Humanidade.
Bem longe estamos ainda, de facto, de um mundo moralmente perfeito e feliz. A ciência que nasceu com o fim de auxiliar ao progresso e bem-estar da Humanidade continua a ser, ainda, infelizmente, em muitos casos, usada para fins perversos e imorais. Não porque a ciência em si seja má, mas porque ela está dependente do grau de consciência moral de quem a usa: será boa se usada para o bem, será má se usada para o mal.
Se não nos é possível mudarmos este tipo de situações que dependem de um progresso
espiritual que ainda não se deu para certas criaturas, cabe-nos, sempre, o intransferível dever de despertar as consciências para que a justiça humana evolua.
Em «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, à pergunta 793, “ Porque sinais se pode reconhecer uma civilização completa?”, os espíritos responderam: “ Vós a reconhecereis pelo seu desenvolvimento moral. Acreditais estar muito adiantados por terdes feito grandes descobertas e invenções maravilhosas; porque estais melhor instalados e melhor vestidos que os vossos selvagens; mas só tereis verdadeiramente o direito de vos dizer civilizados quando houverdes banido de vossa sociedade os vícios que a desonram e quando passardes a viver como irmãos, praticando a caridade cristã. Até esse momento, não sereis mais do que povos esclarecidos, só tendo percorrido a primeira fase da civilização.”
Os espíritos são claros: as desigualdades sociais são obra do homem e não de Deus (LE 806) e todos aqueles que abusam da superioridade das suas posições sociais para, em proveito próprio, oprimirem os fracos terão de prestar contas perante a justiça divina. “Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos: renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer aos outros”. (LE
Para entendermos o porquê de o Espiritismo ser chamado de Consolador temos de recuar no tempo cerca de 2000 anos, altura em que encarnou na Terra um Espírito com a missão de ensinar à Humanidade as verdadeiras "leis".
Esse espírito, conhecido por Jesus, deu a conhecer um Deus justo, bom e imparcial, revelou a existência da vida futura, das penas e recompensas que aguardam o homem, etc. Alguns, como nos relatam alguns autores (ex. Emmanuel), já na altura se encontravam preparados para entender a verdade, mas, a grande maioria ainda não tinha condições intelectuais e/ou morais para compreender. Então Jesus falou de forma alegórica usando parábolas, mas prometeu um consolador que viria na hora certa relembrar e explicar o que dizia.
Sabendo dos desvios que os homens dariam às suas revelações prometeu também que esse consolador não estaria personificado num Homem, mas que seria de todos e para todos. A altura certa para a sua chegada seria quando a Humanidade estivesse apta a compreender sem o carácter místico de que sempre precisou e quando a ciência tivesse meios de lhe abrir portas na busca e confirmação da verdade. Quase 19 séculos após a encarnação de Jesus, quando a Humanidade se encontrava já mais intelectualizada, surgiu o Espiritismo ou
Tudo começou pelo interesse que certo tipo de acontecimentos, como a movimentação de objectos e ruídos diversos, despertaram na sociedade.
Esses acontecimentos/manifestações, na altura sem causa aparente, deram-se desde sempre, mas, durante o séc. XIX, pela sua intensidade (propositadamente provocada pelos espíritos responsáveis pela Codificação Espírita), chegaram ao conhecimento geral e também ao de um senhor que mais tarde se iria dar a conhecer por Allan Kardec.
Kardec, depois de confirmar a veracidade das manifestações, dispôs-se a estudar os fenómenos e as suas causas. Contando com a colaboração de várias equipas de médiuns e de espíritos que se uniram no mesmo objectivo, pode também Kardec chegar às consequências de tudo o que aqueles fenómenos "simbolizavam".
Assim, depois de analisar, estudar e compilar, Kardec elaborou um trabalho a que chamamos Codificação Espírita e da qual se destacam as seguintes obras: «O que é o Espiritismo», «O
Livro dos Espíritos», «O Livro dos Médiuns», «O Evangelho Segundo o Espiritismo», «O Céu e o Inferno» e «A Génese».
Nestes livros está contida toda a base do Espiritismo, a partir deles ficamos a entender melhor Deus, a conhecer a nossa imortalidade, a lei de causa e efeito.
Sendo assim, pelo conhecimento da verdade, passamos a ter confiança em Deus e no futuro, a compreender qual o valor que deve ser dado às questões simplesmente terrenas, a entender que se sofremos é
