Opinião Há vida em toda a parte do Universo?
Jornal de Espiritismo nº 40 · Maio 2010Página 64 min
foto arquivo O espaço aparentemente sempre foi considerado um ambiente totalmente hostil para os seres vivos que habitam nosso planeta. Para nós seguramente que o é. A expressão “Vida como a conhecemos” nunca mais será a mesma após a recente experiência Expose-E, realizada pela Agência Espacial Europeia (ESA). Vida na Terra sem Sol Na Terra, pode-se encontrar organismos vivos praticamente em qualquer lugar, desde as profundezas dos oceanos até ao cume das montanhas mais altas, dos desertos extremamente secos às geleiras mais frias, das confortáveis zonas temperadas até ao ambiente sem oxigénio e altamente corrosivo dos vulcões submarinos.
Literalmente, há vida em toda parte. Um grupo de cientistas de diversos países encontrou, em escavações numa mina de ouro na África do Sul, bactérias vivendo em rochas a 2800 metros de profundidade. Trata-se da primeira comunidade microbial até hoje descoberta que depende exclusivamente de hidrogénio e enxofre produzido geologicamente totalmente independentes da energia derivada da luz solar. A radiação no Espaço A radiação é um grande perigo para a vida no Espaço.
Os raios cósmicos são muito energéticos e ionizantes. No entanto, o mais prejudicial são as radiações ultravioleta que recebemos do Sol. Na Terra, a radiação UV-C é utilizada para matar bactérias, como a esterilização de instrumentos cirúrgicos. A longo prazo, os efeitos das partículas de alta energia, dos raios-X e da radiação gama são mais importantes, já que destroem o ADN e provocam mutações genéticas. A experiência do Expose-E A experiência mais recente estava a bordo do Expose-E, levada para a Estação Espacial Internacional (ISS), pela nave Atlantis e colocados na parte externa do Laboratório Europeu Columbus.
A experiência consistiu em expor às condições do Espaço sideral 664 amostras biológicas e bioquímicas, durante ano e meio ininterruptamente. Os organismos expostos sobreviveram à radiação solar ultravioleta, aos raios cósmicos, ao vácuo e às variações extremas de temperatura durante os 18 meses. O Expose-E é uma caixa do tamanho de uma mala de viagem, dividida em dois níveis com três tabuleiros de experiências, cada um com quatro espaços quadrados.
Dez dessas caixas carregavam diferentes amostras biológicas e bioquímicas, separadas em pequenos compartimentos. Simular a atmosfera de Marte Dois dos três tabuleiros foram expostos directamente ao vácuo do Espaço, enquanto o terceiro continha um gás no seu interior que simulava a fina atmosfera marciana, composta basicamente por dióxido de carbono. A janela que protegia estas “amostras marcianas” também estava equipada com um filtro óptico que imitava o espectro da radiação do Sol na superfície de Marte.
A experiência estava dividida em dois níveis com amostras similares, de forma que o nível superior esteve exposto à luz solar e o inferior permaneceu à sombra. Um outro conjunto de experiências, quase idêntico, o Expose-R, ficou dentro da ISS, instalado no segmento russo da Estação, para funcionar como referência. Um grupo de cientistas de diversos países encontrou, em escavações numa mina de ouro na África do Sul, bactérias vivendo em rochas a 2800 metros de profundidade.
Líquenes espaciais “Os líquenes de Xanthoria elegans voaram a bordo de Expose-Eesão os melhores sobreviventes que conhecemos”, explica René Demets, astrobiólogo da ESA. Os líquenes são organismos macroscópicos formados pela simbiose entre um fungo e um organismo fotossintético, em geral uma alga ou uma cianobactéria. Os líquenes costumam ser encontrados nos lugares mais extremos da Terra. Quando colocados num ambiente que não lhes agrada, passam para um estado latente e esperam que as condições melhorem.
Devolvidos a um ambiente próprio e com um pouco de água, retornam à vida anterior. Sobreviventes no espaço O factor crítico para a “vida como a conhecemos” no espaço é a água: ela vaporiza-se quase instantaneamente no vazio espacial. Os organismos anidrobióticos, que são secos e capazes de aguentar longos períodos em condições de secura extrema, conseguem sobreviver ao Espaço. Além dos líquenes, alguns outros animais e plantas também suportaram o vazio espacial: os ursos d’água ou Tardígrados com 2 mm de comprimento, as artéias e as larvas do díptero africano Polypedilum vanderplank são os únicos animais conhecidos capazes de sobreviver ao vazio espacial.
Algumas sementes de plantas também são suficientemente secas para sobreviver a estas condições extremas. A conclusão retirada é que pode haver formas de vida que sobrevivam até mesmo às condições extremas do Espaço, por mais inóspitas que elas sejam para um ser humano como os Tardígrados que podem sobreviver sem água por 10 anos e suportar temperaturas entre -272 e +150 graus Celsius. No entanto quando falamos em vida é isso mesmo, vida, não nos referimos a vida inteligente.
A Vida Inteligente, essa parece já ser bem conhecida pela comunidade científica da sua ou não existência no nosso Sistema Solar. Por Luís de Almeida Bibliografia. Inovação Tecnológica de 17/02/2010 Legenda da FOTO: Os tardígrados, podem sobreviver sem água por 10 anos e suportar temperaturas entre -272 e +150 graus Celsius.
