Reportagem Óbidos: Jornadas de Cultura Espírita Reuniram-se em Óbidos
Jornal de Espiritismo nº 40 · Maio 2010Página 73 min
Reportagem Óbidos: Jornadas de Cultura Espírita Reuniram-se em Óbidos duas centenas de pessoas, nos passados dias 17 e 18 de Abril, para assistirem a mais uma edição das Jornadas de Cultura Espírita organizadas pela Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) e pelo Centro de Cultura Espírita, das Caldas da Rainha. O tema deste ano, «Mediunidade e Espiritismo», foi abordado e problematizado por especialistas de diversas áreas do saber, das ciências às humanidades.
Por ordem de apresentação das suas comunicações, os oradores convidados foram Lígia Pinto, médica e membro da Associação Médico-Espírita do Porto, Amélia Reis, professora aposentada e presidente da direcção do Centro de Cultura Espírita das Caldas da Rainha, Mário Correia, professor do ensino secundário e membro do blogue de Espiritismo, Reinaldo Barros, professor do ensino secundário e cartoonista do «Jornal de Espiritismo», Ulisses Lopes, designer e presidente da ADEP, Jorge Gomes, do mesmo jornal, Regina Figueiredo, educadora de infância e membro da Associação Portuguesa de Pedagogia Espírita e Vasco Marques, especialista em sistemas informáticos e professor de Tecnologias da Informação e Comunicação.
A apresentaçãoea moderação das mesas redondas em que os conferencistas responderam às questões colocadas pela audiência foram da responsabilidade dos bracarenses Ulisses Lopes e Noémia Margarido. Distribuídas por três painéis, as oito comunicações apresentadas procuraram delimitar conceitos e dilucidar confusões, relembrando as diferenças entre Espiritismo e mediunidade assim como as correlações possíveis. Nesse sentido, explicaram-se as diferentes formas pelas quais o ser humano percepciona a realidade, mostrando que a visão, o olfacto, a audição, o paladar e o tacto são apenas cinco de vinte e um sentidos.
Embora nem todos as possuam num grau desenvolvido ou dela tenham consciência, a mediunidade é uma faculdade natural que, compreendida, pode ser decisiva na construção de um mundo melhor. Lembrou-se que a primeira palavra foi cunhada por Allan Kardec e a segunda remete para a prática mediúnica não educada e, muitas vezes, mistificada. A mediunidade espírita serve os propósitos do estudo, do consolo e do esclarecimento, destituindo- -se, sempre, de qualquer fim pecuniário.
Apresentaram-se excertos de documentos históricos e devidamente documentados de forma a conhecer o motivo da estigmatização do Espiritismo em Portugal onde ecoou o tempo das catacumbas dos primeiros cristãos. Sublinhou-se a importância da disciplina e da seriedade com que se deve estabelecer a comunicação entre os diferentes planos da vida, à semelhança de todas as actividades espíritas que visam o bem comum. De igual modo, promoveu-se a reflexão sobre a forma como se trabalha a mediunidade e a importância que é dada aos médiuns na casa espírita e referiu-se a possibilidade do contributo da mediunidade como fonte de percepção de novas realidades para a construção de uma sociedade mais consciente e para uma Humanidade melhor.
Problematizaram-se as estratégias pedagógicas utilizadas na educação espírita e pelos educadores espíritas nos mais diversificados contextos sociais, sem descurar uma análise sobre o lugar da palavra “mediunidade” na Internet, nomeadamente no que toca a ocorrências em sites, pesquisas efectuadas e relações com a palavra “Espiritismo”. As comunicações foram intercaladas por momentos culturais de música e poesia dinamizados por Reinaldo Barros, Filomena Lencastre e João Paulo.
O evento primou por um clima de fraternidade, alegria e humor. Aos presentes, provenientes de várias regiões do país, juntaram-se quase 500 pessoas que, de diferentes locais do planeta, acompanharam a emissão on-line em directo. Por Denise Estrócio. Fotografias de Fernando Hermano.
