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Jornal de Espiritismo nº 40 · Maio 2010Página 133 min
Opinião PUBLICIDADE PUBLICIDADE Do problema do mal O problema do mal! Outrora atribuía-se a origem do mal aos deuses, que não eram tanto deuses quanto isso e dispunham das mesmas características psicológicas e morais dos homens e, portanto, eram susceptíveis de errar, de possuir do mesmo desejo de vingança, capazes também de serem vítimas – enfim, tudo quanto os seres humanos são. Era também uma forma de desculpabilização da maldade própria – e os mitos de origem são uma maravilha nesse aspecto.
Porém, tendo o tempo cronológico avançado, tendo avançado a ciência e a tecnologia, e tendo havido também progresso moral (porque é inexorável a lei do progresso: Kardec bem o sintetizou – nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei), este não acompanhou o progresso intelectual. Vai daí, continua o mal e continuamos a alijar a responsabilidade que nos cabe na existência desse mal que condenamos nos outros, sem cuidarmos de ver a trave que Jesus alertou estar no nosso olho.
O mal não é irreversível. Sabemo-lo. O progresso conduz ao bem Vemos o mal como algo que nos é exterior, quando em realidade o mal habita no nosso imo. Não é o que entra pela boca que mata, mas sim o que sai, garantiu Jesus. Sim, é real que é do interior do homem que sai toda a maledicência, todo o ódio, toda a inveja, toda a cobiça, etc., etc., etc.: o mal que grassa no mundo é o somatório do mal que mora no coração dos indivíduos.
Mal esse que nem sempre se traduz em acções violentas, e quando assim – quando assim não é, as acções violentas – achamos que de nós não vem mal ao mundo; porém, a realidade é bem diferente, porquanto o pensamento mata. Sim, o pensamento, que em si é neutro mas a quem o sentimento polariza, negativa ou positivamente, não é de todo imaterial. É algo que transporta essa carga positiva ou negativa (protões ou electrões) e, à semelhança de qualquer outra força electromagnética, satura a atmosfera psíquica na qual nós, espíritos, seres psíquicos, estamos imersos e da qual respiramos através os órgãos da sensibilidade mediúnica, nomeadamente a pineal, mas também através os centros de força, os quais podem ser as portas de entrada de muitas doenças, devido ao desgaste energético e devido à entrada de energias deletérias – essas mesmas que o pensamento produz.
O mal existe no mundo por nós. Não é Deus, não são os deuses, não é o Espírito do mal. À parte Deus, os outros seres mitológicos não existem senão na imaginação. O mal está em nós e os “espíritos malignos que vagueiam pelos ares para perdição das almas”, conforme ensinou uma certa catequese, somos nós mesmos quando desencarnamos e não temos essa máscara de carne para ocultar a verdade íntima e nos mostramos tais quais somos.
O mal somos todos e cada um de nós. Mal esse que urge, em primeiro identificar, e em seguida expulsar. Quando Jesus diz que se tivermos fé do tamanho dum grão de mostarda mudaremos montanhas, refere-se concretamente às montanhas que estão no coração. Temos de expulsar os nossos demónios íntimos. São esses os demónios que se expulsam. As nossas zonas escuras interiores é que são demónios, essas coisas malignas que perdem as almas que as carregam.
Sintetizando, nós próprios é que nos perdemos, sempre no uso do livre-arbítrio. O mal não é os outros. Se a filosofia algures o diz, comete falácia. Se a religião algures o diz, mente. Se qualquer um de nós o julga, ilude-se. O mal não é irreversível. Sabemo-lo. O progresso conduz ao bem, porque se progredimos aperfeiçoamo-nos, se nos aperfeiçoamos caminhamos para os deuses que podemos ser, não aqueles de outrora, quando ainda próximos da infância espiritual, onde o medo e a ignorância produziam figuras ora simpáticas, ora medonhas – a nossa figura consoante as ocasiões.
Sermos os deuses que Jesus preanunciou – os espíritos puros incapazes de qualquer mal em si mesmos. Por A.
