41 — índice de conteúdos

Editorial foto arquivo A mediunidade tem destas coisas Já lá vai mais

Jornal de Espiritismo nº 41 · Julho 2010Página 24 min

Partilhar
Idioma

de uma década, seguramente, mas não me esqueci daquele documentário: uma pequena manada de elefantes atravessava um rio em África, separador de fronteira da reserva de natureza de um país para um outro, na altura inquinado por uma guerra civil. Quando toda a manada já se encontrava na água, rumo ao perigo, um elefante pré-adulto por razões indefinidas, gritava pelos compinchas, solitário, sem arredar pé da margem.

Os outros, na água, pareciam hesitar e era como se lhe dissessem: «Anda daí, não sejas tolo: aqui temos novos pastos!». Tanto insistiu o indivíduo contra-a-corrente que a manada acabou por regressar para perto dele, escapando aos dentes de guerrilheiros para quem todo o churrasco vem a jeito, sobretudo se ornamentado de marfim, valioso no mercado negro. Como os paquidermes, nós, os humanos, somos gregários. A lei de sociedade surge para que a sobrevivência seja mais eficaz e, paralelamente, o desenvolvimento da inteligência e da afectividade avancem, vida após vida, nesta escola que é a Terra.

Parece, porém, que essa pulsão pode tornar-se em muitos casos irracional, no melhor perfil. Os mestres do negócio, repescando as paixões guerreiras do futebol, resolveram usar o poder de uma empresa extremamente lucrativa para fazer campaFlorêncio Anton é uma figura do movimento espírita a nível nacional e internacional, já conhecida pelo seu trabalho em prol da divulgação da doutrina espírita, através de sua mediunidade, especialmente da psicopictografia.

É com este seu trabalho que se têm verificado algumas das evidências da imortalidade do ser, não fosse já bastante o trabalho de pintura mediúnica, em que pintores de ontem nos dão a sua prova pelos seus traços nos quadros com que brindam a assistência, que assiste a essas reuniões. De quando em vez acontece que há a manifestação de algo que transcende a atenção do público, menos conhecedor destas manifestações e do que através delas pode acontecer.

Foi o caso que se passou no Algarve, mais propriamente em Faro e Olhão. Em Faro aconteceu na Associação Espírita Helil. Decorria o trabalho mediúnico quando o médium interpelou a assistência sobre se se encontrava alguém na sala de nacionalidade inglesa que estivesse acompanhado duma amiga portuguesa. Confirmada a presença do jovem inglês, foi-lhe dito que se encontrava presente um seu amigo que se havia suicidado. Emocionado, este levanta-se e sai da sala em pranto.

É então através da jovem amiga que se confirma a situação, com outras informações adjacentes que vêm trazer mais luz sobre o caso do Espírito comunicante. Na União Espiritualista do Algarve, situada em Olhão na rua Paula Nogueira, dá-se um caso também que vale a pena referir. Nunca antes tinha sido pintado nenhum animal, segundo informação de Florêncio, mas naquela noite o pintor que se apresenta pinta primorosamente a figura de um cavalo.

Quando termina o quadro, o médium questiona as pessoas presentes se está na sala alguma amazona, ao que se levantam duas mãos e se identificam como tal. Esclarece o médium que é a que perdeu um amigo na queda dum cavalo, e que este pediu ao pintor para pintar o equídeo para oferecer à sua amiga ali presente, como prova da sua amizade e da sua imortalidade. É óbvio que a surpresa da jovem amazona foi enorme, bem como a sua emoção diante daquela prova inusitada da visita do seu amigo, vindo do outro lado da vida com tal presente.

Caro leitor, se ainda não sabe o que é a mediunidade nos seus múltiplos aspectos de manifestação, convidamo-lo a estudar a codificação espírita, para que melhor possa entender e compreender o que nos está subjacente em termos de vida e das suas manifestações espontâneas. Por Julieta Marques nha e repescaram uma peça de plástico de meio metro – muito difícil de se degradar materialmente, logo, produtora de lixo –, em jeito de corneta, produtora de elevada poluição sonora.

Quando o ano passado já se sabia que um estádio se convertia numa paisagem infernal, durante uma competição africana, graças à TV, eis o dislate cimentado em pleno 2010. Quando se via anunciar a venda da peça adoçada com ídolos da bola, tornava-se difícil acreditar no que se via: alguém teria vontade de pagar bilhete num estádio, e rodear-se de milhentas cornetas a soprar- -lhe ao ouvido durante 90 minutos? É um fenómeno digno de tese… Bem, gregários, mas não tanto.

Deixar de usar a cabeça e entregar-se à estridência é mergulhar no caos. As percepções – audição, visão, tacto, olfacto, cheiro… – são as janelas do espírito. Usá-las para trabalhar e edificar a mente permite enriquecer o interior do ser, estruturar o seu enobrecimento, enquanto as asas da sabedoria e do amor se consolidam para um porvir despoluído. Com esta edição, é mesmo isso que lhe desejamos. Boa leitura!