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Pedagogia Quando o desejo de evangelizar nos enaltece o Ego Evangeliza

Jornal de Espiritismo nº 41 · Julho 2010Página 153 min

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Pedagogia Quando o desejo de evangelizar nos enaltece o Ego Evangelizar pode ter muitos significados, mas conhecemo-lo sobretudo como “pregar” o evangelho, “catequizar” alguém em nome de uma religião. Sobretudo evangelizar é levar uma mensagem que julgamos essencial que os outros aceitem como verdadeira, e sentimos que irá mudar ideias, pensamentos e formas de agir. foto tonygalrinho Por natureza o ser humano gosta de evangelizar, ou seja, de levar os outros a pensar como ele, fazê-los aceitar a sua crença, de preferência sem discussão, e assumindo um papel de detentor da verdade.

Na juventude descobri o espiritismo através dos livros e da convivência com espíritas, e como é natural, sempre que descobrimos algo que nos esclarece e alegra o íntimo, desejei partilhar com os outros esse conhecimento, na certeza que assim contribuía para melhorar o mundo. Desejei evangelizar, e evangeliza quem não sabe educar. Evangelizar pouco tem a ver com educar. Evangeliza quem se limita a expor uma ideia, educa quem exemplifica e vivencia essa ideia; evangeliza quem fala, educa quem sabe ouvir; evangeliza quem não coloca dúvidas, educa quem questiona as certezas; evangeliza quem se sente mais sábio que o outro, educa quem se sente aprendiz com o outro.

Se voltarmos um pouco atrás na história, e recordarmos os missionários evangelizadores, colonizadores de novos povos, e a sua dedicação à divulgação do cristianismo, encontraremos exemplos de como a evangelização pode ser uma “faca de dois gumes”. Se por um lado levaram a boa nova, a mensagem de amor que o Cristo nos legou para divulgar e pôr em prática, por outro os homens destruíram culturas milenares, com total desrespeito pela natureza humana.

Há erros que devem servir para reflexão, e evangelizar sem saber educar é um perigo a evitar. O espiritismo proporciona ao homem todas as ferramentas para ser um bom educador, de si próprio – primeiro – dos outros – por fim. O espiritismo não tem como objectivo evangelizar. Disse Allan Kardec que “não obrigamos ninguém a vir a nós” (R.E. 1861), pois “o Espiritismo não admite a confiança cega; quer ser claro em tudo; quer que lhe compreendam tudo e que se dêem conta de tudo.

” E reforçou várias vezes que “a verdadeira convicção só se adquire pelo estudo, pela reflexão…”. É impossível ensinar alguém a ter fé, a ter esperança, a ser humilde e caridoso. Essa aprendizagem é pessoal e intransmissível. Mas é possível proporcionar a compreensão das nossas dificuldades íntimas, através de reflexões em conjunto, de estudos em grupo, em que cada um busca encontrar as respostas às suas dúvidas. A grande diferença entre evangelizar e educar está no educador.

O educador que expõe uma ideia, a todos da mesma forma, usando o mesmo método, como sendo aquela uma ideia única e irrefutável, sem filosofar, sem questionar é um evangelizador. Evangelizar pouco tem a ver com educar. Evangeliza quem se limita a expor uma ideia, educa quem exemplifica e vivencia essa ideia Já li vários espíritos, e espíritas, afirmar: é urgente evangelizar! Como se essa fosse a solução para unificar pensamentos ou transformar o planeta num lugar harmonioso, onde todos dariam as mãos.

Eu diria que é urgente aprender a educar, pois educar pressupõe sermos exemplo do que ensinamos, o que sabemos ainda ser muito difícil. E educar é não nos envaidecermos pelo conhecimento que partilhamos, e sim tomar consciência da responsabilidade e do efeito de tudo o que afirmamos e fazemos. O verdadeiro educador promove a sua visão da vida, a sua filosofia, respeitando todas as outras. Ele não colhe adeptos, ele desperta consciências.

Ele não se vangloria do que sabe, nem precisa de convencer ninguém, ele estabelece laços de fraternidade em cada momento da vida, sem ser necessário subir a um púlpito. De que adiantaria evangelizar dezenas de homens, se eu permanecesse sem me transformar nas mais pequenas dificuldades? Como poderia me alegrar com a simpatia dos outros pela minha filosofia, se eu não uso essa filosofia para me tornar num Ser melhor? “Sede francos convosco mesmos; travai conhecimento com o vosso carácter, mas não o aduleis, porque as crianças aduladas às vezes se tornam más e os aduladores são os primeiros a experimentar os efeitos”.

(La Fontaine – Dissertações Espíritas, 1863). Por Regina Figueiredo reginasaiao@gmail.