Opinião Fermento dos antagonismos “São eles [os Espíritos orgulhosos]
Jornal de Espiritismo nº 43 · Novembro 2010Página 146 min
que atiram o fermento dos antagonismos entre os grupos, que os impelem a se isolarem uns dos outros e a se olharem com animosidade.” LM XXXI, XXVIII Não oferece dúvida que assim seja. Ou, se oferece, não deveria. O símbolo, o paradigma da união está em Jesus, na sua união com o Pai. Como tal, não podemos querer algo diferente para nós. Ademais, o amor une, e se nos amamos não estamos de costas voltadas.
Mais: pela afirmativa, tudo faremos para que a união aconteça, e pela passiva, nada faremos que promova a desavençaea desunião. Ouvimos os espíritos; mas seguimos o conselho de verificar se os espíritos são de Deus? É manifesto que qualquer um de nós pode por eles ser enganado; afinal, ainda não nos libertamos em pleno do orgulho nem da vaidade e, por aí, com maior ou menor subtileza, podemos ser enganados. Mas, se conhecemos a Codificação e nela nos estribamos; mas, se somos cristãos, se temos ativo na consciência o mandamento primeiro de amar o próximo como a nós mesmos, facilmente discernimos que um qualquer espírito por menos que aparente ser falso profeta é de Deus ou não pelo conteúdo do discurso, pois se, de algum modo, ativa em nós o ciúme, a desconfiança, a presunção, o melindre, por certo não é paladino da união entre os espíritas.
É-nos ainda difícil dar a outra face? Sim, é. Mas temos de entender que o que aqui nos é pedido não é deixarmo-nos humilhar, sim que procedamos em sentido contrário. Como diz Pedro (1 Pe 2, 15): “Pois é esta a vontade de Deus: que, praticando o bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos.” Mais importante, pois, que envolvermo- nos em guerras de palavras às vezes por nada, é mostrarmos obras que respondam pela nossa religiosidade, pela nossa boa moral, pela nossa elevada ética.
Se pensarmos e agirmos assim, cumprimos o preceito de dar a outra face, desarmando em silêncio e paz o agressor. Este é também um gesto de amor que, se continuado, acabará por envolver o outro e atraí-lo ao aprisco do Bom Pastor. Guerra gera guerra. Mohandas Gandhi venceu pela não-violência. Jesus é o vencedor por excelência pela não-violência. Compete-nos sermos seus discípulos e uns com os outros sermos um como Ele e o Pai o são.
“Só isto bastaria para os desmascarar, porquanto, procedendo assim, eles próprios dão o mais formal desmentido ao que pretendem ser. Cegos, pois, são os homens que se deixam apanhar em tão grosseira armadilha.” – Ibidem Ouvimos, pois, os espíritos. E a mistificação, quando a há, ganha raízes se encontra solo onde se agarrar. Em tal acontecendo, todo o processo de análise inverte-se e tomamos por mistificadores aqueles que alertam para a natureza do solo, onde já não cultivamos sementes de amizade, de valorização do outro, de colaboração fraterna, onde já nem vemos que se nos aplica aquilo de o “olhem para o que digo e não olhem para o que faço”.
Se às comunicações dos espíritos não formos capazes de as submeter ao crivo da razão e do bom senso, tudo delas aproveitaremos, mas, como diz Paulo, tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém. A culpa é dos espíritos? É dos médiuns? Todos sabemos que não. Até porque os espíritos nos influenciam o bastante sem que para tal tenha de acontecer uma comunicação mediúnica, propriamente dita. Como foi afirmado a Kardec, influenciam-nos mais do que supomos.
Então, quanto mais largo o nosso campo egocêntrico, mais nele cabe fermento de desunião. Por Pinho da Silva, antoninusaugustus@hotmail.com Que grandes exemplos O caso dos 33 mineiros chilenos soterrados que se salvaram, bem como um outro caso de grande honestidade, reportado nos “media”, são focos de luz nesta noite sombria por que passa o planeta Terra, a caminho de melhores dias que virão, de acordo com as opiniões dos Espíritos Superiores.
Há meses, o mundo condoeu-se com a “sorte” dos 33 mineiros chilenos, soterrados. A morte era a mais provável solução para o caso, de tal modo era difícil a situação dos mesmos, e as parcas possibilidades de salvamento. No entanto, passado pouco tempo, todos eles saíram das profundezas da Terra, como heróis, levando-nos a profundas reflexões. O Homem, quando colocado perante a dor, o sofrimento, e quando consegue sair do casulo do seu egoísmo, (seja à escala pessoal, grupal, nacional, etc.)
, conjugando esforços, partilhando saberes, experiências, consegue levar por diante tarefas grandiosas e cheias de êxito, como a do resgate dos felizes mineiros. Que grande lição deram ao mundo, todos aqueles homens que estiveram integrados no processo de resgate, à escala mundial, dos 33 mineiros chilenos. Afinal a felicidade é possível, afinal é possível erradicar a fome, a miséria, acabar com as guerras no mundo e construir um mundo melhor, assente nos alicerces da fraternidade, da amizade, do Amor, estratégia esta apresentada há 2 mil anos por Jesus de Nazaré, e estupidamente ignorada pela humanidade, que persiste no egoísmo, no ódio, no orgulho, resumindo, no sofrimento que todos esses vícios morais acarretam (leia-se “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec).
Há dias (em Outubro de 2010, Portugal), folheando o jornal diário enquanto saboreava um café, deparei-me com rara notícia: um emigrante português a trabalhar na Suíça, perdera a carteira na estação ferroviária de Campanhã, no Porto, Portugal, carteira esta que continha 5900 francos suíços. Alguém a encontrou e devolveu-a, entregando-a na bilheteira. Depois de entregue ao seu dono, este tentou, sem êxito, descobrir a alma nobre que anonimamente tivera tal acto de honestidade.
Tentou dar uma gorjeta ao empregado da bilheteira, como forma de agradecimento, mas este negou. Fiquei a pensar com os meus botões, como é bela a vida quando vista pelo prisma da honestidade, da correcção e de como ela nos abre novos horizontes existenciais. A Doutrina Espírita alerta a humanidade para a necessidade do auto-burilamento, da reforma íntima, do exemplo, ao invés de exigirmos aos demais os actos que no quotidiano não fazem parte do nosso dia-a-dia: honestidade, correcção, dignidade.
Nesse dia, senti orgulho de ser português, orgulho daqueles exemplos vivos e anónimos de honestidade. No caso dos 33 mineiros, senti orgulho de pertencer, nesta existência carnal, à humanidade passageira do planeta Terra. Folheando “O Livro dos Espíritos” bem como “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (ambos de Allan Kardec), encontramos as directrizes seguras para uma existência mais feliz, mais justa, mais coerente, com normas bem delineadas, para que se consiga de uma vez por todas, ultrapassar a grande chaga que envolve a humanidade: o egoísmo.
Que grandes exemplos de espiritualidade, de humanidade, de rectidão de carácter podemos encontrar nestes 2 casos, um deles mediático e o outro sem grande realce. Serão religiosos os intervenientes nestes 2 casos? Serão seguidores de alguma religião ou doutrina espiritualista? Não sabemos, mas também, que importa, perante a grandeza de tais exemplos? “A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”, esclareceu-nos Jesus de Nazaré, explicando-nos assim, em termos simples, que, amanhã, quer no mundo espiritual quer no mundo carnal, cada um colherá o que houver semeado no seu coração.
Cumpre-nos introspeccionar e meditar sobre o que temos feito pela paz íntima, pela paz social, pela paz na família, pela paz no país e pela paz no mundo. Afinal, começa e acaba tudo no nosso íntimo, seja a semeadura seja a colheita, sobre a forma de aflições ou bem-estar, conforme as nossas atitudes, pensamentos, sentimentos.
