Poesia Chico Zé perdeu os parentes Quando era ainda gaiato, Foi criado
Jornal de Espiritismo nº 48 · Setembro 2011Página 101 min
com indigentes E sofreu muito mau trato. E dizia quem passava: “Que homem tão revoltado!” Mal essa gente sonhava O que ele tinha passado Sempre de má catadura, Sem alegria ou sorriso, No peito só amargura Que até lhe afectava o siso. “Viver assim para quê?” Pensava ele por vezes Sem entender o porquê Dos seus pesados revezes Numa vida anterior O pobre do Chico Zé Fora feroz ditador Sem coração e sem fé.
Passara a fio de espada Sem qualquer hesitação Muita gente desgraçada, Muito homem seu irmão. No fundo da consciência Uma vozinha sumida Sugeria paciência P’ra suportar esta vida. E uma vítima passada Apareceu-lhe ao caminho Na forma de esposa amada P’ra lhe ensinar o carinho. Na infância desvalida Aprendeu ele com a dor. Com a família querida Aprendeu com o amor. Se vires um homem irado Não penses “Que mau que é!” Estende a mão ao perturbado, Pode ser um Chico Zé...
N. N. Psicografia recebida por MC, na palestra sobre “Perda de entes queridos”, no Centro de Cultura Espírita, Caldas da Rainha, em 21 de Julho de 2011.
