Entrevista Arnaldo Rocha: O cara-metade de Meimei Experiência aliada à
Jornal de Espiritismo nº 49 · Novembro 2011Página 104 min
Entrevista Arnaldo Rocha: O cara-metade de Meimei Experiência aliada à cordialidade e simplicidade de alma e conselheiro da União Espírita Mineira nos últimos 64 anos, Arnaldo Rocha nasceu em Tiradentes (MGBrasil) no dia 29 de Agosto de 1922. Era materialista e ateu. Casou-se em primeiras núpcias com Meimei, hoje conhecida trabalhadora da Espiritualidade. Meimei desencarnou em outubro de 1946. Depois Arnaldo casou-se com Neuza Tófani, que também já retornou ao Plano Espiritual.
Um dia tomou conhecimento do Espiritismo através de uma reunião em que participou na casa do seu irmão Geraldo. A partir daí teve estreita ligação com a doutrina e com o médium Chico Xavier. Foi atleta e depois vendedor de ferro e aço da Cia. Belgo Mineira, quando se aposentou. Conversamos com ele que, solicitamente, nos atendeu para a presente entrevista. Dentro da sua relação com Chico Xavier, durante um grande período, o que destacaria?
Arnaldo RochaCom aquele convívio com a nossa alma querida Chico Xavier, fui aprendendo a ser tolerante, paciente, e passei a compreender a beleza da doutrina espírita. Ter estado ao lado do médium mineiro com certeza é ter aprendido muito com a Espiritualidade. Pode citar factos marcantes dos momentos de convívio com Chico Xavier? Arnaldo RochaEm toda e qualquer situação, Chico Xavier era um homem calmo, tranquilo e simples, e com ele aprendi a ser humilde e tolerante.
Isso marcou muito a minha vida. Como foi que o Espiritismo entrou em sua vida? Arnaldo RochaEu era ateu e materialista. Os meus irmãos e a minha mãe eram espíritas. Convidavam-me para as reuniões de estudo doutrinário e eu não tinha menor interesse pelo assunto. Casei-me aos 22 anos e fiquei viúvo aos 24. Meimei faleceu em 1 de outubro de 1946. No dia 11 do mesmo mês, escondendo-me de um temporal violento, já que estava nas proximidades da casa de meu irmão Geraldo Benício Rocha, encaminhei-me para lá.
Luísa, minha cunhada, recebeu-me e vi que eles e mais algumas amigas estavam a preparar-se para uma reunião espírita. De imediato, senti grande vontade de ir embora, mas o carinho de Luísa insistiu para que ficasse. Sentei-me ao lado de uma senhora de mais de 60 anos, toda enrugada, com um sotaque italiano muito forte. Após a prece inicial diminuíram a luminosidade do ambiente e a senhora ao meu lado entrou em transe mediúnico, que eu nunca havia presenciado, apresentando reações de alguém sofrendo muito, sufocado, como se estivesse vomitando sangue.
(Meimei desencarnou devido a uma hemorragia pulmonar intensa por complicações renais.) Como se sentiu naquele instante? Arnaldo RochaAchei toda aquela situação profundamente estranha. O meu irmão Geraldo levantou-se de onde estava e começou a falar com aquela “coisa”... Palavras calmas, tranquilas e a situação desagradável apresentada por meio da médium foram desaparecendo. Olhei atentamente o seu rosto e espantei-me com a aparência de jovem da mesma.
O meu irmão dirigiu-se àquela “coisa” perguntando se queria falar com alguém. Aí foi o meu maior susto. Ouvi a voz clara, bonita, melodiosa de Meimei. Ela disse: “Rialmente eu gostaria, mas o meu sozinho não vai entender...”. Irma de Castro Rocha, o seu verdadeiro nome, nunca pronunciava a palavra “realmente”... O que significa o termo “sozinho”? Arnaldo RochaQuando éramos noivos eu e Meimei lemos um livro chinês que se chamava “O Momento em Pequim”.
Foi ali que vimos que Meimei em chinês quer dizer: Noivo(a) bem-amado(a). Então começamos a nos chamar de Meimei. Tanto eu a ela, quanto ela a mim. Depois, com a chegada da sua doença, ela começou a me chamar de “sozinho”, pois dizia que eu ficaria sozinho, uma vez que ela desencarnaria. Após a primeira reunião em que participou, quais foram suas reações, uma vez que não acreditava em espíritos? Arnaldo RochaApós a reunião, dialogando com meu irmão, ele aconselhou-me a estudar «O Livro dos Espíritos» e «O Evangelho segundo o Espiritismo».
Seguiu o conselho? Arnaldo RochaNaturalmente. Tudo aquilo era muito estranho e necessitava ser esclarecido. Como foram os dias finais de Meimei no corpo material? Arnaldo RochaDurante os últimos três meses da sua enfermidade, a sua visão foi diminuindo aos poucos. Dormíamos em camas separadas. Era-lhe habitual orar à noite. Dizia-me sempre: “Avó Antoninha, vem buscar-me e leva-me para um lugar muito bonito...”. Sempre achei que ela não estava “boa da cabeça” por causa da hipertensão craniana que veio promover a sua cegueira.
Na noite de 1 de outubro de 1946, ela faleceu por volta das quatro da manhã. Dez dias depois comunicava-se comigo naquela reunião já citada, na casa do meu irmão. E como foi seu primeiro contato com Chico Xavier? Arnaldo RochaNa tarde de 22 de outubro daquele mesmo ano esbarrei com um senhor modestamente trajado, usando chapéu e carregando uma pasta. Ambos caíram no chão. Baixei-me para apanhá- -los, quando o homem, sorridente, alegre, passou a mão no meu rosto e me disse: “A nossa Princesinha está aqui, hoje Meimei faria 24 anos”.
Fiquei profundamente assustado, sabia lá o que era um médium clarividente?
