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Jornal de Espiritismo nº 49 · Novembro 2011Página 85 min

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Opinião www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal PUBLICIDADE Espiritismo: cursos sem diploma Começa o ano lectivo na escola, e também nas associações espíritas. Um pouco por todo lado, diversos cursos surgem pelo país fora, completamente grátis, segundo os propósitos de colaboração que cada um possa ter. «Agora que já fui uma vez a um centro o primeiro entre todos que compõem a formação numa associação é o curso básico.

Este também existe on-line, em plataforma Moodle, no site da ADEP, como incremento à cultura geral de cada um. Mas quem se inscreve e o faz de forma presencial, em modelo de“sala de aula”, aprecia-o ainda mais. A interação de uma turma de 20 ou 30 pessoas, entre estas e o(s) monitore(s), afloradas as questões emergentes à partida imprevistas, levam a um somatório de compensações inclusive afetivas. Posto isto, tudo se conjuga para que a turma só termine a custo o curso de dez cadernos, já que ninguém aceita bem a ideia de terminar esta fase.

Um pormenor é obrigatório referir: centro espírita que se preze abre as oportunidades a todos, sem perder disciplina no dia semanal e na hora, e em caso algum se dará ao luxo de passar certificado de frequência. Em horário pós-profissional, a fim de ter monitores que também se orgulham de nada receberem pelo seu trabalho na associação espírita, o curso não admite propina e quer afastar a mais leve ideia de profissionalizar qualquer tipo de prática mediúnica, já que esta, a ser paga, espírita não será de certeza.

Como se ouviu há poucos meses pela voz de Amélia Reis, professora reformada, na televisão, «tiramos do nosso bolso para sermos espíritas»: os bolsos dos outros são mesmo só deles. Na primeira reunião os inscritos preenchem um questionário. Coloca uma dúzia de indagações. Nomeadamente pergunta-se que ideia tem do que seja espiritismo. No fim de semana seguinte, ao lê-los, os monitores do curso encontram frases como as que se seguem, independentemente da idade e habilitações literárias de cada um.

Ana escreve assim: «Para mim o espiritismo é a vida para além da morte». Para Afonso o espiritismo «é um caminho, para se poder estudar os espíritos». Isabel resume: é «o estudo de uma doutrina». Gisele afirma que «é a doutrina que busca ensinar os princípios da fé, amor e caridade através das lições que os espíritos passam através dos médiuns». Adelaide pensa ser «uma ciência que leva a que nos conheçamos melhor» a nós próprios e Lucelinda diz que é «encarar a vida de uma forma diferente».

«Algo desconhecido que carece de uma resposta» é a ideia de Maria, enquanto Fátima dá este alvitre: «é uma doutrina, filosofia, que ajuda a lidar com assuntos depois da morte, e orienta também na vida moral». Piedade define espiritismo como «uma forma de aprender sempre mais» e Mariana diz ser «algo que vive connosco, mas sem que muitos de nós nos apercebamos». Para Rosa «é uma doutrina que nos dá o conhecimento do outro lado da vida».

Para Vanessa «é a doutrina consoladora». António não tem papas na língua e atira o seu entendimento dessa palavra: é «uma ciência oculta para mim desconhecida». Às claras É natural que quem não está familiarizado com o movimento espírita de início até possa reter a ideia de o espiritismo poder ser algo oculto. É verdade que normalmente não se vêem os espíritos desencarnados e as manifestações mediúnicas são sensatamente resguardadas de olhares públicos, eventualmente indiscretos.

Mandam assim as regras do bom senso e da disciplina tão útil ao bom funcionamento destas atividades fraternas. Contudo, as palestras e o chamado passe magnético são grátis e de entrada livre, os cursos também. É certo que a doutrina espírita veio não para que fosse escondida mas para ficar sobre a mesa, como aquela conhecida figura de não se colocar a candeia debaixo da mesa mas em cima dela, para beneficiar a todos.

Em síntese Espiritismo é um neologismo – uma palavra nova criada por Allan Kardec para designar um novo sistema de ideias surgidas a partir dos fenómenos que investigou – e“estuda a natureza, origem e destino dos espíritos, bem como as suas relações com o mundo corporal”, conforme o autor deixou escrito. Na sua obra“O que é o espiritismo”afirma que o espiritismo“é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.

Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações.” Há ainda a concepção histórica, mais directa. Os registos históricos, desde que feitos com clareza, são irreversíveis. Aconteceram como aconteceram, à revelia de qualquer capricho dos dias que correm, sendo certo por isso que o espiritismo é de facto a doutrina codificada por Allan Kardec na França em meados do século XIX e que consegue perdurar apesar de todas as agressões a que tem sido sujeita na história.

É essa a força das ideias, bem maior do que a do dinheiro, dos grandes edifícios ou de tudo o mais que seja material. Uma das piores agressões que se verifica surge quando pessoas que conhecem apenas o som da palavra espiritismo e até julgam que é sinónimo de mediunidade – e não é nem parecido – a usam para desenvolver negócios estranhos. Quem não sabe é crédulo e julga que essas pessoas são espíritas, quando, a partir do momento em que cobram dinheiro ou aceitam donativos, estão a dar provas imediatas de que nãoosão de maneira nenhuma.

Se abrir publicações de há um século atrás e se abrir os anúncios de alguma imprensa atual percebe o que se está aqui a referir. Aproveitam- -se do prestígio da palavra e cobrem-na com um verniz podre. É por isso que nunca se deve passar certificado ou diploma a quem frequenta estes cursos, pois nunca se sabe quem se inscreve e que utilização inadequada lhe poderia dar. Qualquer espírita que o seja de facto sabe que tem de ter a sua profissão – serralheiro, médico, professor, pescador, motorista, militar, etc.

– e oferece parte dos seus tempos livres, sem qualquer tipo de pagamento ou aceitação de donativo (mesmo que ocasionalmente alguém se sinta ofendido com isso), a uma associação espírita onde se presta cuidados indistintamente a quem os solicita. Virando a folha, este ensaio de altruísmo é feito pela consciência que se apreende com o estudo do espiritismo de que o bem deve ser feito num único sentido, sem cogitar de retornos de qualquer espécie.

Através de psicografia (escrita mediúnica), dizia um espírito desencarnado, em tempos, que verdadeiro amor é aquele que nada pede em troca. Não é fácil ser assim a cem por cento, mas somos muitos a ter isso presente e a tentar praticar.