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Jornal de Espiritismo nº 49 · Novembro 2011Página 135 min
Crónica PUBLICIDADE PUBLICIDADE falecer em casa. Após exame, o médico diagnostica «um coma hipoglicémico», uma quebra de glicose. Na falta de ampolas injectáveis, administra-lhe um pouco de açúcar normal pela boca. Depois, «passei aos filhos a receita de uns comprimidos, para lhos administrarem». Está atrasado para a palestra agendada para às 21h30, alhures na cidade. Promete passar ali um par de horas depois, nem que seja para verificar o óbito.
«Passei por casa da doente pelas 23h30. Recordo que — recorda o médico —, quando entrei naquela casa, fui recebido com alegria pelos filhos. Com um sorriso, disseram-me «venha ver a doente, que não parece a mesma!». Entra no quarto da doente. Vê-a sentada, bem-disposta e cumprimenta-a: — Com que então está bastante melhor! Não há dúvida que foi uma alegria franca, graças a Deus que está outra. Diz a senhora: — É, estou melhor do que há umas horas, quando o senhor doutor cá veio.
— Exatamente, eu vim cá, mas a senhora não se recorda de eu cá ter vindo! — Ai isso é que recordo! — Não pode ser... — Eu vi-o entrar aqui. — Não pode. Porque a senhora no estado em que se encontrava, num coma profundo, olhos fechados, era impossível ver-me. — Eu vi-o! Não tenho dúvidas de que era o senhor doutor que veio cá. — Não pode ser. Digo-lhe com todo o respeito: a senhora não podia ver-me... «E então ela olha para mim — afirma o entrevistado — e perante o espanto da família diz-me»: — Pois vou contar-lhe uma coisa que não era para lhe contar.
Eu hoje morri. Morri e depois de morrer apercebi-me de que na minha proximidade se encontrava uma luz brilhantíssima que eu nunca tinha visto. Nem é possível descrevê-la. «A senhora falava até muito bem», salienta. — Não há maneira de dizer como era aquela luz. Só sei que ao ver aquela luz diante de mim, ajoelhei-me. Ao ajoelhar-me passou-se entre mim e a luz toda a minha vida. Tudo o que eu tinha vivido até agora, vi diante de mim.
Vi tudo! Desde criança, quando eu era jovem, coisas de que nunca mais me lembrei que tinha feito. Vi-as com muita clareza, e sem poder modificá-las!... Era aquilo, com toda a força real, não podia modificar, nem podia dizer que não foi. Era aquilo! Comecei a ver o mal que fiz, o que me dava uma tristeza profunda, mas também vi o bem, e isso dava-me uma alegria, uma felicidade enorme. À medida que me fui apercebendo que o bem que fiz era mais forte do que os erros que cometi, essa luz (que é que eu hei-de chamar-lhe?)
dava- -me alento, confiança, força. Ajudava-me. Estava tão feliz!... Vejo vir ao meu encontro os meus pais, meus irmãos já falecidos, outros familiares, vizinhos, amigos, vinham em trajes resplandecentes abraçar-me. Eu estava num estado que nunca tinha tido, nem imaginava que era possível ter. Ao mesmo tempo via a minha família aqui, junto do meu corpo. Enquanto isso, vejo entrar o senhor doutor. Não sei o que me fez, só sei que me tirou deste estado.
O médico ficou perplexo até hoje. Já lá vai mais de uma dúzia de anos. Por Jorge Gomes O CASO DANNION BRINKLEY A morte é uma quimera, uma ilusão, diz- -nos a doutrina espírita (ou espiritismo). Mas, será mesmo assim? Essas afirmações baseiam-se em factos pesquisáveis ou em meras crenças? Perante os cépticos que alimentam o seu cepticismo sem bases sólidas, aparecem novas pesquisas que indiciam que afinal a morte não existe.
As Experiências de Quase-morte (EQM) são experiências que milhares de pessoas já foto arquivo tiveram por esse mundo fora, em que são dados como mortas clinicamente, mas acabam por voltar ao seu corpo físico, relatando aquilo que viram e sentiram enquanto estavam “mortas” . São relatos ricos nos seus detalhes e alguns deles de tal modo taxativos e óbvios que não existe outra explicação mais lógica do que admitir que a pessoa que esteve “temporariamente morta” assistiu a tudo aquilo que descreve.
Os investigadores, nesta área abundam, mas o nome do Dr. Raymond Moody Jr ficará para sempre ligado às pesquisa de EQM. Um dos casos mais conhecidos é o de Dannion Brinkley, um homem de negócios de Charleston, EUA, tinha 25 anos. Estava ao telefone em 17 de Setembro de 1975, em casa com a família, quando foi atingido por um raio, fruto de forte tempestade: “Era como se um comboio de carga a alta velocidade, rugindo através da janela, tivesse chocado comigo, no lado esquerdo do meu pescoço...
“A dor era insuportável” , sentiu como se o seu corpo inteiro estivesse em fogo. Nesses momentos terríveis algo aconteceu: “Lembro-me que estava numa área cinza-azulada calma e tranquila, tépida e nebulosa. Era como se tudo estivesse bem. Podia mover-me, tinha liberdade, vi um túnel com uma luz vinda do seu interior e comecei a mover-me através dele... Encontrei um ser luminoso e toda a minha vida passou diante de mim, como que um filme.
Cada pensamento, sentimento, eu vi-os. Não existem segredos, vê-se tudo... Estive numa cidade desconhecida, feita de luz... Encontrei-me com uma dúzia de seres luminosos que me sugeriam ações para quando voltasse... De repente, vi-me no hospital, flutuando sobre o meu corpo que estava a ser observado pelos médicos. Taparam-no (o corpo) com um lençol, disseram “não vale a pena” e levaram-no para um hall... Quando o pessoal auxiliar ia levar a maca para a morgue, voltei para o corpo, logo imediatamente abaixo do lençol.
Não podia falar, mas, consegui soprar. Viram o lençol mexer, chamaram os médicos de novo e reanimaram-me.” Esteve cerca de 30 minutos neste estado e levou dois anos a recuperar-se totalmente. Em 1989 teve um grave problema cardíaco. Foi anestesiado e operado ao coração. De repente vê-se a flutuar sobre o corpo, vêomédico a abri-lo, a tirar o coraçãoea implantar uma válvula: “É uma visão muito estranha ver o seu próprio corpo aberto.
“Nesse estado” , relata Brinkley, “voltou tudo a passar-se como da primeira vez, com a diferença de que agora a “tela da sua vida” (tipo filme) tinha mais 15 anos (o tempo que decorrera da primeira EQM até então). Dannion Brinkley, engtretanto colaborador do Dr. Raymond Moody Jr., acompanhou cerca de 250 casos de experiências de quase-morte (EQM) e pesquisou mais de 3 mil casos. Afirma que as situações por que passou eliminam totalmente o medo da morte, tamanha é a certeza da imortalidade do ser humano.
Dá agora mais valor às pequenas coisas, para ele, um simples gesto de gentileza tem muito mais valor do que muitas coisas que valorizamos em geral e conclui: “O amor é a coisa mais importante do mundo, a minha vida modificou-se cem por cento” .
