sofrimento para quem os cultiva
Jornal de Espiritismo nº 51 · 2012Página 112 min
Jesus de Nazaré foi pioneiro na prática e divulgação do poder libertador que o perdão exerce nas relações humanas. Até então, o poder de perdoar estava reservado aos deuses e àqueles que se diziam seus representantes. Jesus foi o primeiro homem a demonstrar que
o poder de perdoar não é um atributo divino nem um ritual religioso. Perdoar é um ato genuinamente humano.
Com Jesus, o perdão liberta o homem das garras abrasivas das sucessivas vinganças, impedindo que vítima e agressor fiquem enclausurados num ciclo vicioso de ódio e aviltamento mútuo que se pode prolongar por vidas SUucessivas.
A crueldade que o Homem ainda evidencia, e que é difundida de um modo tão sensacionalista pela comunicação social, é muitas vezes fonte de enormes perturbações e dúvidas sobre a ideia de justiça. Presos a uma ideia limitada do que é a vida, exige-se justiça e castigos exemplares para os que prevaricampor vezes a hipótese da pena de morte até parece aceitável diante de tamanhas atrocidades. Ao pensar desta forma, não é justiça que se procura mas vingança.
Pretende-se que quem causou sofrimento também sofra, se possível ainda mais, pois fez sofrer. Isto não nos aproxima da idela de justiça. AÀ justiça é um atributo da vida, seja esta vida na Terra, num qualquer planeta habitado da galáxia Andrómeda ou na dimensão espiritual.
ra justiça não está dependente das leis humanas nem das diferentes crenças religiosas. Aqueles que hoje se comportam de uma forma agressiva aprenderão à sua própria custa que a violência não
é o trilho a seguir e serão solicitados à correção de todo o mal que semearam, para que se possam educar. Por esse motivo, as normas jurídicas humanas, ainda indispensáveis ao equilíbrio social mas limitadas no entendimento do que é a vida, não devem ter a pretensão de fazerem plena justiça, pois podem cometer equívocos maiores do que aqueles que procuram punir. AÀ resposta da Humanidade ao crime, à crueldade e à violência não pode ser dada através de posturas vingativas, usando brutalidade e punições selvagens.
É sempre demasiado tarde demais para mudar o que já aconteceu mas nunca é demasiado tarde para deixarmos de ser cúmplices dos erros do passado. Não é tarde demais para impedir que o veneno corrosivo do ressentimento e do ódio nos arrastem para uma espiral de emoções perturbadoras que passarão a dominar a nossa vida.
Como referiu o bispo Desmond Tutu, prémio Nobel da Paz, ativista dos direitos humanos e oponente do regime do apartheid na África do Sul: “Perdoar não significa apenas ser altruísta, é também a melhor maneira de fazer o bemassi próprio.”
