Espiríitismo e apoio social O Brasil é o país com o maior número de es
Jornal de Espiritismo nº 54 · 2012Página 167 min
O Brasil é o país com o maior número de espíritas em todo o mundo: são quase 2,4 milhões de adeptos, formando o terceiro maior grupo religioso.
Estima-se em 30 milhões o número de simpatizantes do Espiritismo no país. Vinculados à Federação Espírita Brasileira (FEB) através das federativas estaduais há cerca de 12 mil instituições espíritas.
O mercado editorial espírita no país ultrapassa 4 mil títulos editados e mais de 90 milhões de exemplares vendidos. Além do estudo, das práticas mediúnicas e do mercado editorial proeminente, tem como marcante característica a caridade, considerada como missão espírita votada à assistência aos menos favorecidos, tanto do ponto de vista material quanto espiritual.
Essas instituições procuram oferecer amparo social, psicológico e espiritual, bem como solidariedade e conforto aos necessitados, não possuindo pretensões proselitistas, assim não estabelecendo a conversão como prerrogativa para as práticas caritativas, sendo uma característica afirmada pelo arcabouço do espiritismo, ou seja, o atendimento às pessoas, independentemente da fé.
Tendo em vista a consolaçãoea orientação diante das situações de dificuldades e incertezas, fornece garantia e proteção simbólica, amparando aos que sofrem na esperança de dias melhores, como fonte geradora de energias na recuperação da
Compreendendo que a renovação do homem implica a renovação social, desde que o homem renovado se empenhe na transformação do meio em que vive, há aqui uma indeclinável obrigação espírita. O conceito de renovação não poderá estar no âmbito puramente individualista, mas sobremaneira ancorado na estrutura social como um todo e na relação entre
para o âmbito espiritual, através da doutrinação, esclarecimentos sobre a doutrina, o estudo e o desenvolvimento da mediunidade.
Dessa forma, por meio do apoio social, são oferecidas alternativas ao enfrentamento de sofrimentos do corpo, da alma, bem como a melhoria nas condições de vida das comunidades assistidas. AÀ busca por esses espaços pode ser vista, no caso
Dessa forma, por meio do apoio social, são oferecidas alternativas ao enfrentamento de sofrimentos do corpo, da alma, bem como a melhoria nas condições de vida das comunidades assistidas.
trabalhadores e assistidos. Assim, nas instituições espíritas, elas estão justapostas, sendo, na realidade, uma atividade sócio-espiritual. Dessa maneira as atividades se subdividem em duas linhas de trabalho: socialcom atividades voltadas a prestar assistência através da caridade, que é um dos fundamentos da doutrina e espiritualque são os trabalhos voltados
de alguns trabalhadores, como a busca por sentido, através da caridade em virtude do muito recebido.
O apoio social nestes espaços é promovido tanto por participantes que interagem entre si, quanto por dirigentes religio-
Sos. Às pessoas assistidas recebem os seguintes tipos de apoio: instrumental ou material, oferecido nas atividades voltadas
a dar assistência à comunidade local, ou Seja, alimentação, vestimentas, brinquedos e utensílios de casa, instrumentos necessários que ajudam essas famílias carentes,.
O apoio educacional é oferecido através de palestras, preleções, entrevistas, que têm a finalidade de trabalhar questões pertinentes, de cunho educativo e informativo. Já o apoio emocional é oferecido em atividades tais como reuniões públicas, entrevistas, ciclos de estudos, nas quais, de certa forma, as pessoas que participam estão buscando algo que complemente
a Sua vida ou então estão em busca de meios para solucionar os seus problemas, angústias e sofrimentos. O modelo de espiritismo aplicado no Brasil ter-se-á baseado no exercício da mediunidade e na caridade, a partir da influência do médium Chico Xavier. Por conseguinte o trabalho conjunto entre instituições espíritas e
não espíritas constitui uma importante contribuição para a formação de uma rede de apoio e promoção social que gradativamente fortalece os laços de solidariedade entre grupos religiosos diversos, estabelecendo uma tela de amparo que independemente da religião.
Por Tânia Maria de Carvalho Câmara Montetaniacmontefdhotmail.com CINEMA / LITERATURA
O filme “Favores em cadeia” desenrola-se na cintilante cidade de Las Vegas, mergulhado numa realidade de perturbação humana que as luzes de néon dos casinos e a imponência dos hotéis mascaram através da mais bruta superfluidade.
No primeiro dia de aulas de um liceu nos subúrbios da cidade, um professor de estudos sociais incita os seus alunos de 12 anos a observar atentamente o que se passa à sua volta, propondo-lhes um desafio singular: Descobrir uma ideia que possa mudar o mundo e colocá-la em prática. Seduzido pela dialética do professor, que o faz acreditar que tornar o mundo melhor é mesmo possível, um dos alunos, Trevor McKinney, filho de uma mãe alcoólica e um pai violento, leva o trabalho mais a sério do que o esperado e tem uma ideia simples, e que à primeira vista parece ingénua: Ele pretende ajudar três pessoas, pedindo-lhes que, em troca, cada uma delas faça o mesmo a outras três.
Ou seja, ao ser beneficiado por um ato de generosidade, cada pessoa teria de retribuí-lo a mais três, e assim sucessivamente até se formar uma enorme cadeia solidária.
O ESPIRITISMO À LUZ DA CRÍTICA
Deolindo Amorim (1906-1984) foi um dos mais lídimos e eficazes divulgadores e defensores da Doutrina Espírita, a par do saudoso Herculano Pires (1914-1979), que o movimento espírita conheceu.
Se Herculano colocou o Espiritismo na grande imprensa leiga, Deolindo levou-o para a Universidade, segundo a análise lúcida e sintética do poeta, Lybio Ribeiro de Magalhães.
Este livro de Deolindo Amorim, desconhecido da maioria dos espíritas da atualidade, deve ser «lido, relido, consultado e meditado», pois constitui um verdadeiro tesouro para todos os estudiosos do Espiritismo e da História do movimento espírita.
que não tem vontade real de mudar o que está mal. AÀ determinada altura, o fracasso da sua ideia parece tornar- -se o resultado mais provável mas, aos poucos e sem que ele perceba, o esforço colocado para a fazer vingar torna-se num exemplo inspirador que sensibiliza os beneficiários dos favores, criando uma onda de solidariedade inesperada que se estende a outros estados da América.
Este filme é uma provocadora inspiração. Através de uma ideia simples, quase ingénua, ele mostra-nos que a vontade e a determinação podem ser forças criadoras com uma potencialidade que é difícil dimensionar. Ao longo do enredo, somos levados
à descoberta de que para mudar o mundo não é necessário fazer coisas extraordinárias ou que estão fora do alcance das nossas possibilidades. Para mudar o mundo não são precisas varinhas de condão nem superpoderes, basta apenas não desperdiçar as oportunidades que a vida coloca à nossa frente, usando como ferramentas as capacidades e talentos que, adormecidos pela inércia e pelo conformismo, apenas aguardam ser colocados em acção.
O mundo está sedento de mudanças? A resposta é óbvia. AÀ Doutrina Espírita anuncia para breve a chegada de um novo mundo de regeneração, onde segundo as palavras de Santo Agostinho em “O Evangelho Segun-
«O Espiritismo à luz da crítica» constitui uma resposta, sem répli-
ca possível, à obra do padre Álvaro Negromonte, intitulada «O que é o Espiritismo» (1954]), que pensava assim desacreditar a doutrina codificada pelo sábio de Lyon.
O Dr. Levindo Mello, idealizador e fundador, em 1941, mesmo perante dificuldades e obstáculos colocados pela intolerância e a pequenez humana, do único instituto científico, na época e em todo o mundo, declaradamente espírita
a Sociedade de Medicina e Espiritismo do Rio de Janeiro assim se expressou no prefácio: «O autor estuda a obra e as conclusões doutrinárias
do o Espiritismo”: “A palavra amor estará gravada em todas as frontes; uma perfeita equidade regulará as relações sociais.” Todos sonhamos com essa nova sociedade regenerada em que a liberdade, a igualdade e a fraternidade governarão o modelo social; em que o objectivo da política económica deixe de ser apenas o lucro e o rendimento monetário mas sim o valor humano, o desenvolvimento das aptidões, dos talentos do indivíduo e a proliferação do bemestar; um mundo em que a indiferença à dor e ao sofrimento deixarão de existir; em que a cooperação substituirá a competição; em que a trafulhice deixe de ser recompensada; em que os privilegiados, sem precisarem de serem lembrados, chamarão a si a enorme responsabilidade de protecção e elevação dos mais frágeis; Um mundo em que ninguém será medido pelo medo que incute nos outros, pela aparente “normalidade” dos seus comportamentos, por aquilo que pode comprar, pelos títulos de propriedade que ostenta ou pelos diplomas académicos que possui, mas pela elevação moral e sabedoria da sua alma.
É esta a sociedade regenerada tanto sonhada. Mas para a concretização deste mundo novo não se esperem a proliferação das artes mágicas ou das intervenções divinas.
do eminente Reverendo, Padre Álvaro Negromonte, que, embora sem o querer, evidentemente, foi o primeiro factor do novo livro, contribuindo assim para o progresso da Ciência Espiritualista, para a instalação da Moral Pura na Terra e para a felicidade dos homens.»
Deolindo abre o livro apresentando
o Direito de Defesa, expressando-se da seguinte forma: «O Espiritismo é, como se sabe, uma doutrina muito combatida. Constantemente aparecem livros com o objectivo de lhe arrasar os alicerces. O Padre Álvaro Negromonte escreveu, por exemplo um livro em que ficou patente a preocupação de demonstrar que o Espiritis-
