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Opinião

Jornal de Espiritismo nº 55 · Setembro 2012Página 84 min

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uma existência anterior de Alberto Einstein) intuiu a composição corpuscular da matéria, só estabelecida cientificamente dois milénios e meio depois. O mesmo Einstein observava a Huberto Rohden, com quem conviveu em Princeton em 1945 e 1946: “a descoberta científica não nasce de elaboração racional mas duma iluminação súbita, espécie de êxtase; só depois a razão verifica experimentalmente”. Mary Baker Eddy, longe do saber científico da atual física quântica, pela inteligência espiritual teve intuição do que a fez escrever: “tudo é mente infinita e sua manifestação”, “o nosso corpo é um modo de consciência”.

Décadas depois, o astrofísico Arthur Eddington concluía: “a matéria-prima do Universo é a mente”. Sir Arthur Eddington, dirigindo em 1919 uma missão científica na ilha do Príncipe (arquipélago de S. Tomé e Príncipe) para estudar um eclipse do Sol, constatou experimentalmente a deflexão da luz solar como efeito gravitacional; Alberto Einstein já a intuíra por inteligência espiritual, na Teoria Geral da Relatividade (1916); consta que aguardava aquela observação astronómica, seguríssimo da sua tese _ que de facto saiu comprovada.

Jesus saudou a resposta de Pedro à sua pergunta: “mas vós, quem dizeis que eu sou?”. Pedro (obviamente sem elaboração lógica do seu modesto raciocínio cerebral, e sim intuído pela hoje designada inteligência espiritual) redarguiu de pronto: “És o Cristo, filho do Deus vivo”. O Bom Pastor, entendendo bem o que se passara na mente do pescador humilde, exultou: “Bem-aventurado és, Pedro: não foi a carne nem o sangue que to revelaram, mas o Pai que está nos céus!

” (Mateus: 16.17). A maneira como a Dra. Zohar foi arrancada às garras do suicídio, consente a hipótese de um flash de inteligência espiritual, que salvou a sua e veio depois a iluminar muitas vidas. Rasgo lapidar de inteligência, não racional mas espiritual, foi também o do grande erudito Blaise Pascal (1623- 1662): “o coração tem razões que a razão não conhece”. (1) Liberdade religiosa, liberdade de pensamento, racionalismo, liberalismo, socialismo (alguns dos 80 erros contra a fé anatematizados pela infalibilidade do Syllabus) relembram nunca ser demasiado, nem “pecaminoso”, questionarmos as nossas confortáveis certezas.

Em psicanálise, o instituto de infalibilidade (a que em vão resistiu o bispo Strossmayer, e dezenas dos seus pares, no Vaticano I) configura natural falibilidade inconfessa, acossada pelo processo histórico da emancipação racionalista e da unificação italiana, que em 1870 extinguiu a incongruência dos Estados Pontifícios. João Xavier de Almeida InteligênciaEspiritual Com este título, em 2004 o Centro Espírita Caminho de Redenção (Salvador, Baía) editou em CD uma das palestras espíritas com que Divaldo Franco desde 1952 cativa auditórios pelo Mundo.

Supercomunicativo, o médium-orador baiano discorre sobre quociente de inteligência (QI) e suas aplicações, desde fins do séc. 19 dominantes na atenção geral e abrindo pistas para Daniel Coleman chegar em 1975 à noção de inteligência emocional e seu quociente (QE). A fascinante palestra descreve como o desenvolver de todos esses dados levou um grupo de cientistas, em 1995, na Califórnia, a localizar o ponto cerebral duma terceira forma de inteligência, também matematicamente exprimível por um quociente (QS).

A ciência convencional, cega por mais de dois séculos à posição individual de inúmeros cientistas sobre a realidade espiritual, tem relutado em admitir a energia terapêutica da fé (religiosa ou não) e a evidência dos seus efeitos sobre a matéria. A “década do cérebro” (1990-2000) abanou esse imobilismo: na Universidade de Los Angeles, os neuropsiquiatras Drs. Michael Persinger e Vilaianu Ramachandra, com suas equipas estudavam e mapeavam a zona encefálica da inteligência emocional, quando o monitor os surpreendeu com um ponto luminoso de curiosas reações, no cérebro do paciente.

A Dra. Danah Zohar, formada em filosofia e física quântica, recuperara dum grave quadro de depressão e alcoolismo, que a empurrara até um passo do suicídio. Nos derradeiros momentos antes do ato desvairado, recordando o abalo sofrido na infância pelo suicídio da mãe, ponderou o trauma brutal que causaria às suas filhas menores. Subitamente cônscia do estado depressivo e de não ser verdadeiramente autora da decisão trágica prestes a executar, despertou daquele pesadelo e confiou-se aos cuidados terapêuticos dum especialista amigo, até feliz reequilíbrio.

Sabendo dos trabalhos de mapeamento cerebral de Los Angeles, a Dra. Zohar deslocou-se até lá para os acompanhar. Concluiu: aquele ponto de luz (Dr. Persinger) ou ponto de Deus (Dr. Ramachandra) revelava uma nova forma de inteligência, a inteligência espiritual; o cérebro, câmara de elaboração de inteligência racional e inteligência emocional, agia também como câmara de ressonância (suscetível de treino) de energias extrafísicas.

Prosseguindo a investigação, Danah Zohar contactou peritos budistas em meditação, aspeto basilar da vida espiritual. Publicou o livro Memória Espiritual e, arauto mundial de espiritualidade em conferências e seminários, desfez a falsa oposição entre fé e razão (já evidenciada por Allan Kardec, 130 anos antes). Casos de inteligência espiritual, com feição religiosa ou não, no nosso estádio evolutivo de consciência ocorrem ainda pouco.

A razão capta-os como clarões da Inteligência Suprema: conhecimento puro da infinitude micro e macro cósmifoto arquivo NOVEMBRO.