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Capa da edição nº 55 do Jornal de Espiritismo

55Jornal de Espiritismo nº 55

Setembro 2012 · 20 secções · ≈ 91 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a mediunidade em diferentes contextos, desde o cinema (“As Mães de Chico Xavier”, “Paranorman”) até à pesquisa científica e ao auxílio a entidades espirituais. Inclui reflexões sobre o livre-arbítrio, o papel do erro na evolução e uma analogia das pessoas com maçãs para explicar a igualdade interior. Oferece ainda esclarecimentos sobre a eficácia de plantas protetoras e o papel da conduta moral na atração e afastamento de espíritos.

Mediunidade
Espiritismo
Evolução
Filosofia
Cotidianto
Comportamento

Capa

Página 14 min

55 ANOIX JDE JORNALDEESPIRITISMONOVEMBRO . DEZEMBRO . 2 0 1 2 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 O filme “As mães de Chico Xavier” deu brado no cinema brasileiro, baseado em obras psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, nomeadamente nos seus livros “Jovens no Além” e “Somos Seis”, publicados na década de 70. Nessas obras mediúnicas jovens desencarnados escreviam mensagens aos seus familiares, arrebatando pela sua autenticidade e riqueza de detalhes.

15 PESQUISA Cientistas estudam mediunidade Férias, animação, emigrantes, turistas, sol, alegria, cultura, eventos musicais entre outras atividades. Nalgumas cidades, as touradas são também uma tradição. O que tem o espiritismo tem a ver com isso? 17 CINEMA Paranorman 08 OPINIÃO Inteligência artificial Na Universidade de Los Angeles, os neuropsiquiatras Michael Persinger e Vilaianu Ramachandra mapeavam a zona encefálica da inteligência emocional: o monitor surpreendeu-os com um ponto luminoso de curiosas reações… 13 OPINIÃO Colete-de-forças Entre os casos que se atendem através da mediunidade, no sentido de ajudar entidades espirituais que se manifestam em dificuldade, há sempre alguns que tendem a perdurar na memória face a outros.

“Paranorman” é um filme de animação – estreou nos cinemas em Portugal a 13 de setembro – que retrata a mediunidade infantil de uma forma ligeira, descontraída e muito engraçada… 10 ENTREVISTA foto loucomotiv As cartas de Chico Xavier Tinha deixado o azimute a minha amiga Susana: deveria aceitar a sobrecarga de horário e a remuneração acrescida ou deveria recusar e, como alternativa (im)possível, diminuir despesas? Que ninguém se engane.

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Editorial

Página 24 min

complicado. Erros ortográficos à dúzia. Até que, por força do estudo e das provas, superámos de forma eficaz esses equívocos. O mesmo acontece em muitas outras áreas da nossa experiência de vida. Junta-se a este facto uma conquista das mais importantes: o livre- -arbítrio, ou seja, a liberdade de optar, essa generosa fonte de aquisições evolutivas. É o perfil oposto do tutelado contumaz a quem retiram muitas opções de decidir por si próprio, por incapacidade ou não; num caso extremo, um robot construído para nada decidir.

A possibilidade de optar, errando e acertando, aprendendo, cria sabedoria, proporciona evolução. Diante de decisões difíceis, mesmo que o horizonte pareça mais turvo do que nunca, vale a sageza popular que ensina andar Deus a escrever por linhas tortas. Vai daí, se cada um procurar a harmonia consigo próprio e com os outros, tudo o resto, mais tarde ou mais cedo, virá por acréscimo. Por Jorge Gomes Decisões: como acertar?

NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 literalmente assim: «Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tónus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material».

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Correio

Página 32 min

Plantas protetoras de ambiente Entre as inúmeras mensagens recebidas e respondidas, destacamos aleatoriamente algumas: quem sabe se as respostas não são também úteis para os leitores? Começamos com a mensagem de um anónimo que indaga em 18 de julho: «Há pouco tempo enviei-vos um e-mail para confirmar algumas dúvidas gerais sobre a ADEP. Uma vez que ainda não pude ir a um centro, gostava de saber se é possível colocar uma questão por esta via.

Não é sentimentos, que eles gostam de estar. Exatamente como acontece entre as pessoas “vivas”. Um carteirista não tem nenhum interesse em andar com um grupo de voluntários hospitalares. Um rufia que gosta de andar à pancada não lhe apetece ir para um mosteiro onde pratica a não-violência. Etc. Então, relativamente às boas ou más companhias espirituais, as plantas, os amuletos, as orações estereotipadas, não adiantam nem atrasam.

É o pensamento que conta. Abraço amigo!». Cremação De Cuba chega-nos às mãos uma carta dactilografada de Vicente Pérez Trujillo datada de 21 de abril: «Mis saludos a todos y el reconocimineto por vuestra publicación que tiene atículos de calidad. Los números adicionales que me enviam se repartem en la provincia Granma. En la Habana, capital de esta nación, se va haciendo costumbre entre algunas personas cremar los cadáveres y quisiera saber como se analiza eso a la luz de nuestra doctrina.

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FEP Ao olhar atentamente a vida de hoje, percebemos – extasiadosque, s

Página 43 min

FEP Ao olhar atentamente a vida de hoje, percebemos – extasiadosque, sem dúvida, vivemos um tempo de grandes realizações da inteligência, como é de notar no exemplo da exploração do espaço infinito, através de satélites, que de pontos longínquos do Universo enviam-nos fotografias maravilhosas que nos fazem refletir sobre quem somos. Mas, nesse olhar atento, percebemos também – com profunda tristeza – que a acompanhar as gloriosas conquistas da inteligência, habita a presença gritante das grandes catástrofes sociais, relacionais e afetivas (homicídios, suicídios, toxicodependências das mais diversas ordens – desde as que são Bibliografia para crianças e jovens socialmente aceites como o álcool, o abuso de fármacos, o cigarro – até aquelas que reconhecidamente são intoleráveis para a saúde pública).

A partir destes olhares, onde constatamos a imensa solidão que ocupa o espaço íntimo do Homem do século XXI e a partir do estudo da Codificação, percebemos que é urgente educar a nova geração a ver os acontecimentos da vida terrena sobre vários ângulos e a refletir sobre o que está nos bastidores de cada situação vivencial, a treinar a abertura ao debate interior, ao levantamento de perguntas e à procura de respostas para as situações inesperadas, em vez da reação impulsiva nascida na prisão dos medos, das inseguranças, dos preconceitos ou da preguiça de pensar.

Percebemos que educar, à luz do Espiritismo, é abrir o espaço para que cada criança tenha a coragem para apostar nos seus sonhos, projetos, compromissos, guardados na sua alma, à espera de serem descobertos, para serem concretizados no período da atual vida terrena. Com o propósito firme em colaborar com o movimento espírita, nesta época de mudança, o CCEF, apresentou à Federação Espírita Portuguesa/ DIJ um projeto que visa a criação de bibliografia espírita para crianças e jovens (dos 7 aos 17 anos), tendo como ponto de partida, o curriculum para as Escolas de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil da FEB e a maleta pedagógica da FEP.

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Breves Novembro.dezembro

Página 55 min

BREVES NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 Abertura ACEA No passado dia 22 de Setembro, em Alcobaça, mais propriamente em Capuchos, uma pequena localidade a cerca de 3Km, abriu a ACEAAssociação de Cultura Espírita de Alcobaça. Um pequeno grupo de espíritas, habituais frequentadores e trabalhadores do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, onde foram, ao longo do tempo, tomando conhecimento, participando de forma assídua e contínua, formando-se nesta doutrina consoladora e igualmente responsabilizadora, na convicção de que este é o caminho e o roteiro de vida que pretendem, decidiram tornar real um sonho que os vinha aliciando desde o início desta caminhada e que se foi consolidando à medida que a confiança no mesmo foi, proporcionalmente, crescendo.

Rodeada de vegetação, pomares, pinhais e terrenos de lavradio, com casarios pelo meio, a vista estende-se até à Serra dos Candeeiros, onde esta se funde com o horizonte. Estava um dia soalheiro e o vento soprava ligeiramente, como que sussurrando entre o arvoredo. Ouvia-se o chilrear dos pássaros e aquela envolvência de imediato nos suscitava um convite à contemplação, à meditação e à gratidão pela oportunidade da vida e de tudo quanto nos rodeava.

O local, gentilmente cedido em prol da divulgação da doutrina espírita e da ajuda, do consolo e da oportunidade de conhecimento que proporciona a todos quanto buscam entender o porvir da vida, outrora uma simples adega que se foi transformando em arrumos, encontra-se agora num espaço simples, acolhedor e muito harmonioso. Neste dia, em que fisicamente tudo começou, foram ainda em considerável número, os que se dirigiram a este ponto de encontro em busca de entendimento, de consolo, de ajuda, de conhecimento, de partilha, de convívio e aprendizagem em comum.

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Breves

Página 613 min

Divaldo Pereira Franco A luz que consola É o maior orador espírita da atualidade e dos maiores divulgadores da doutrina espírita. Mais de 60 anos de atividade, cerca de 13 mil conferências em mais de 2 mil cidades no Brasil e em 63 países. Como médium, recebeu mais de 200 livros ditados pelos espíritos, cerca de 7,5 milhões de exemplares vendidos, 211 autores espirituais, 80 versões para 16 idiomas, cuja venda reverte sempre a favor da obra social de caridade, “A Mansão do Caminho”, em Salvador, Brasil, fundada em 1952, que acolhe e educa cerca de 3 mil crianças carenciadas, por dia.

O seu trabalho em prol da paz mundial tem-no distinguido no Brasil e no exterior, tendo palestrado por três vezes na ONU, e sendo Doutor “Honoris Cause” por 3 Universidades (incluindo a Sorbonne), bem como Embaixador Mundial para a Paz, por uma organização Suíça. Esteve em Portugal a convite da Federação Espírita Portuguesa. O «Jornal de Espiritismo» esteve em vários locais do périplo de Divaldo Pereira Franco. Espírita, médium de notáveis recursos, não só fala, como exemplifica, trabalhando em prol do bem, dando contributos para que a ciência oficial descortine os meandros do mundo pós-morte.

Iniciou a sua digressão em Portugal na cidade do Barreiro, na Casa de Cultura Quimiparque, onde falou da “Crise planetária”, seguindo-se um seminário na sede da Federação Espírita Portuguesa (FEP), que estava superlotado e, onde o tema “Mediunidade: desafios e bênçãos” encantou os presentes, com um à-vontade coloquial fora do normal, fazendo com que não se notasse a passagem dos minutos. As pessoas reviam-se, faziam novos amigos, encontravam-se de várias partes de Portugal.

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Consultório

Página 72 min

Doença bipolar e obsessão Conhecedora em profundidade da temática espírita, Gláucia Lima é psiquiatra e dá continuidade a esta secção do jornal, denominada consultório: responde neste número a duas perguntas. NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 ca da Criação, sapiente até dum singelo fio dos nossos cabelos (Lucas:12.7) e desconhecendo mistérios; estes só “existem” na quase infância da razão humana, mas aqueles “clarões” diluem em evidência o nó de qualquer problema nosso: filosófico, matemático, técnico, artístico, de saúde, necessidade material, etc.

o cérebro, câmara de elaboração de inteligência racional e inteligência emocional, agia também como câmara de ressonância (suscetível de treino) de energias extrafísicas. Alguns profetas do Antigo Testamento curavam por “milagre” (meios espirituais). Os primeiros cristãos, perseguidos, despojados de direitos mas ricos da espiritualidade em que Jesus de Nazaré os iniciara, curavam pela oração. Mary Baker Eddy, precursora das igrejas pentecostais, no século XIX sarou instantaneamente dum padecimento terminal; recolheu-se três anos em estudo e meditação, quase sem vida social, até entender o mecanismo psíquico (“milagroso”) da sua cura, e passou ela mesma a curar e ensinar a curar espiritualmente.

A sua “Christian Science” alastrou no Mundo e documenta curas pelo espírito, que obtém por toda a parte. Nos nossos dias o padre dominicano Emiliano Tardif, subitamente sarado de tuberculose pulmonar, protagoniza incontáveis episódios de cura no seio do movimento carismático internacional. Nas últimas décadas do século XX, na Universidade de Harvard, o Dr. Herbert Benson demonstrou em simpósios e livros o enorme potencial terapêutico da fé (conotada ou não com religiões).

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Opinião

Página 84 min

uma existência anterior de Alberto Einstein) intuiu a composição corpuscular da matéria, só estabelecida cientificamente dois milénios e meio depois. O mesmo Einstein observava a Huberto Rohden, com quem conviveu em Princeton em 1945 e 1946: “a descoberta científica não nasce de elaboração racional mas duma iluminação súbita, espécie de êxtase; só depois a razão verifica experimentalmente”. Mary Baker Eddy, longe do saber científico da atual física quântica, pela inteligência espiritual teve intuição do que a fez escrever: “tudo é mente infinita e sua manifestação”, “o nosso corpo é um modo de consciência”.

Décadas depois, o astrofísico Arthur Eddington concluía: “a matéria-prima do Universo é a mente”. Sir Arthur Eddington, dirigindo em 1919 uma missão científica na ilha do Príncipe (arquipélago de S. Tomé e Príncipe) para estudar um eclipse do Sol, constatou experimentalmente a deflexão da luz solar como efeito gravitacional; Alberto Einstein já a intuíra por inteligência espiritual, na Teoria Geral da Relatividade (1916); consta que aguardava aquela observação astronómica, seguríssimo da sua tese _ que de facto saiu comprovada.

Jesus saudou a resposta de Pedro à sua pergunta: “mas vós, quem dizeis que eu sou?”. Pedro (obviamente sem elaboração lógica do seu modesto raciocínio cerebral, e sim intuído pela hoje designada inteligência espiritual) redarguiu de pronto: “És o Cristo, filho do Deus vivo”. O Bom Pastor, entendendo bem o que se passara na mente do pescador humilde, exultou: “Bem-aventurado és, Pedro: não foi a carne nem o sangue que to revelaram, mas o Pai que está nos céus!

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Entrevista

Página 96 min

Divaldoementrevista NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 SOCIEDADE 1 – Perante os conflitos sociais em Portugal e no mundo, com os povos subjugados por grupos financeiros internacionais, que se servem de governos corruptos, é lícito ao espírita integrar manifestações de repúdio, em busca de uma nova ordem nacional e internacional, ou deve abster-se, esperando que tudo se resolva conforme a vontade de Deus? Qual o limite?

O espírita é, antes de tudo, um cidadão com deveres e direitos na sociedade. É perfeitamente lícito que repudie todos e quaisquer movimentos de intolerância, de arbitrariedade, de abuso do poder. Naturalmente, se as manifestações de repúdio têm um caráter pacífico e o ideal é nobre, não derrapando em propostas belicosos de filosofias perturbadores, o espírita tem o direito e mesmo o dever de contribuir para que seja revertido o quadro de dominação, em benefício do desenvolvimento e progresso da sociedade.

Jesus foi muito claro ao responder à questão que lhe foi proposta sobre se era lícito pagar-se os impostos ante os compromissos com a Divindade, conforme exarado no Evangelho: - DaíaCésar o que pertence a César e a Deus que pertence a Deus. Poderemos estender o conceito às leis injustas e aos comportamentos censuráveis, que devem ser enfrentados conforme se apresentem, embora sem o uso das armas covardes de que são portadores...

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Entrevista (pág. 10)

Página 101 min

As cartas de Chico Xavier O filme “As mães de Chico Xavier” deu brado no cinema brasileiro, baseado em obras psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, nomeadamente nos seus livros “Jovens no Além” e “Somos Seis”, publicados na década de 70. Nessas obras mediúnicas jovens desencarnados escreviam mensagens aos seus familiares, arrebatando pela sua autenticidade e riqueza de detalhes. foto loucomotiv NOVEMBRO.

DEZEMBRO 2012 cada um de nós, quando enviamos ou recebemos uma carta. Mas esse caráter particular das cartas não garantiria o seu sucesso entre um público leitor mais amplo. As dificuldades implicadas em uma pesquisa de temática espírita têm a ver, mais especificamente, com a necessidade de distanciamento “afetivo” do pesquisador em relação ao seu objeto de estudo. Esse distanciamento é necessário em estudos de qualquer temática, mas torna-se ainda mais crucial naqueles que envolvem a crença religiosa, de modo mais amplo.

É aí que as cartas psicografadas diferem da carta comum. O seu destinatário não se limita ao familiar enlutado. No processo de edição, as cartas passam a ser acompanhadas por comentários dos editores, informações adicionais, fac-símiles de documentos pessoais, assinaturas, fotos dos “autores espirituais”, entre outros elementos de “veridicção”, que geram um efeito de “autenticidade”, de “verdade”.

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Entrevista Novembro.dezembro

Página 116 min

ENTREVISTA NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 Estas cartas incontornáveis ganharam uma nova dimensão recentemente no Brasil: serviram de tema para a tese universitária da investigadora Cíntia Alves da Silva com o título “As cartas de Chico Xavier, uma análise semiótica”. O estudo foi apresentado no verão passado na UNESP, a Universidade Estadual Paulista. Vamos às perguntas… A sua dissertação de mestrado chama-se “As cartas de Chico Xavier: uma análise semiótica”.

Como poderemos definir semiótica, de forma acessível ao grande público? Cíntia Alves da Silva – De forma sucinta, podemos compreender a Semiótica como uma teoria da significação que propõe-se a explicitar conceitualmente os processos de apreensão e produção de sentido. A Semiótica da Escola de Paris ou Semiótica greimasiana, como é mais conhecida, foi preconizada nos anos de 1960 por Algirdas Julien Greimas e seus colaboradores.

Essa perspetiva teórica trabalha com a dimensão linguística do texto, tomando o sentido por objeto privilegiado. A Semiótica auxilia-nos a descrever e analisar não somente o que um texto diz, mas “como” ele diz, o que pode ser feito por meio do estudo dos seus mecanismos de construção do sentido. Pode descrever, por favor, os objetivos e os resultados da sua pesquisa? Cíntia Alves da Silva – O objetivo principal da minha pesquisa foi o de compreender como se dá o processo de construção das autorias espirituais (ou “imagens” de enunciador) nas cartas “familiares” ou “consoladoras” de Chico Xavier.

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Entrevista Novembro.dezembro (pág. 12)

Página 126 min

ENTREVISTA NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 em que seu o estudo se insere nem com a própria doutrina. Na fase chamada das cartas consoladoras, a psicografia de Chico Xavier permitiu entregar mensagens de jovens desencarnados a suas famílias. Há alguma evidência de que Chico conhecesse pormenores sobre a vida desses jovens e a linguagem própria de cada um? Cíntia Alves da Silva – É difícil afirmar de que maneira Chico Xavier tinha acesso a todas as informações presentes nas cartas psicografadas nas sessões públicas realizadas no Grupo Espírita da Prece, na cidade de Uberaba (MG), onde atuou por décadas.

De acordo com relatos da Associação Médico-Espírita do Estado de São Paulo – AME, em “A vida triunfa” (1991), Chico Xavier realizava um curto diálogo com os familiares, antes das sessões de psicografia. Esse diálogo era feito semanalmente com 60 pessoas, em média, vindas de todas as partes do Brasil, e durava poucos minutos – o suficiente para que cada um se identificasse e comentasse a razão pela qual estava ali. Há quem prefira pensar que era assim que o médium mineiro obtinha informações sobre os “espíritos comunicantes”.

Entretanto, isso explicaria somente a presença de informações de conhecimento da família nas cartas que Chico escrevia. Como é possível explicar a presença de informações completamente desconhecidas pelos familiares, pelo médium e pela audiência presente nas reuniões públicas, e que eram, muitas vezes, comprovadas posteriormente ao recebimento da mensagem (como exemplo, indico a leitura do “Caso Irineu”, que incluí nos anexos da minha dissertação)?

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Opinião (pág. 13)

Página 133 min

Este caso marcou, apesar de ter ocorrido numa das noites de trabalhos de uma associação com que colaborava na década de 1990. Como é usual, a reunião ocorria uma vez por semana em dia e hora certos. Aquela equipa composta por uma dezena de elementos sabia o que tinha a realizar mas não fazia ideia do programa de trabalho que iria ser apresentado em cada sessão. Num dado momento, aberta a reunião num ambiente muito calmo, a médium que me cabia atender alterou a expressão, de olhos cerrados.

Revelava ansiedade, discreta, e olhava à volta. Havia que esperar as primeiras palavras para se perceber que tipo de caso estava agora ali. Apercebendo-se da minha presença ao seu lado, na mesa de trabalho, segredou-me, sucinta: - Tenho medo que eles me apareçam… Devo ter-lhe dito algo do género: - Aqui nada tens a recear, estás entre amigos. O diálogo seguiu até que a história emerge, pouco a pouco. Durante a conversa fraterna estimulavam-se as perceções, de modo a que a curto prazo começasse a ver os amigos desencarnados da Espiritualidade que a tentavam ajudar.

Veio-se a perceber que se tratava de alguém que fora uma menina que morava numa aldeia; ainda jovem, entrava em transe mediúnico, inconsciente, e caía, perturbada, enquanto entidades espirituais ignorantes falavam através dela. De uma família com algumas posses, aquilo era uma verdadeira vergonha social. Chamaram quem? O médico. Não resolveunão era uma doença. Seguiu-se novo apelo: o padre. Não resolveu também, pois nada tinha a ver com os mitos religiosos.

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Opinião (pág. 14)

Página 145 min

Roberta é minha amiga. Pessoa simples, leva uma vida difícil e sofrida. Trabalha duramente, no seu dia-a-dia, em limpezas. Apesar de viver com dificuldades, sempre lhe vejo um sorriso na cara, e ainda tem tempo para tomar conta da mãe acamada, fazer a lida da casa e fazer voluntariado. Teve um problema num joelho. Foi fazer um raio-x: fratura no joelho. “Vá ao hospital para marcar uma operação ao joelho”. Já se passaram 18 meses e ainda não foi chamada!

Filomena é pediatra. Trabalhava num hospital do Oeste e queria cá ficar. A política encetada pelo anterior governo não o permitiu; ninguém é contratado, pois há que trabalhar para as estatísticas. Filomena, contrariada, foi viver para Lisboa, ficando a trabalhar num hospital da capital. Passado um mês, estava a ser convidada por uma empresa de angariação de médicos, para ir fazer urgências ao hospital do Oeste de onde tinha vindo, pois havia falta de pediatras; foi ganhar o dobro do que ganhava aquando no referido hospital, e ainda por cima sem a responsabilidade de ser chefe de serviço (para além do que a empresa que a contratou ganhou).

O corpo de Joaquim foi enterrado ontem (28 de julho de 2012). Com 45 anos e 2 filhos jovens, teve um leve mal-estar. Foi-lhe diagnosticado um tumor no baço. Operado numa famosa clínica privada de Lisboa, passados 2 meses em consulta de rotina, o médico apercebe-se que após apalpação, o doente começava a desfalecer à sua frente. Enviado para as urgências, tinha de ser operado urgentemente, com uma hemorragia interna, mas faltava um cheque.

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Pesquisa

Página 155 min

No seu número 77 de 3 de agosto de 2012, a revista quinzenal C, dedicada a notícias e reportagens da atualidade em destaque na região de Coimbra, Viseu, Aveiro, Guarda, Leiria e Castelo Branco, http://www.cnoticias.net, dá um grande destaque a um estudo inédito em Portugal, realizado por investigadores da Universidade de Coimbra, que procura encontrar provas científicas para a comunicação entre os vivos e os mortos.

Para tal, contaram com a colaboração voluntária do médium psico-pictográfico brasileiro Florêncio Anton e de uma médium portuguesa. A investigação ainda está no seu início, mas as primeiras indicações revelaram resultados já muito interessantes: os especialistas descobriram e registaram alterações cerebrais nos médiuns durante a manifestação mediúnica ocorrida nas instalações da instituição. O nível de consciência dos médiuns, bem como o seu funcionamento neuro- fisiológico estavam a ser analisados através do Índice Bi-Espetral (BIS), um sistema de monitorização que é normalmente utilizado para medir a consciência e a profundidade anestésica dos pacientes submetidos a uma anestesia geral.

Os valores registados surpreenderam os investigadores. Sendo que valores próximos dos 100 hertz, são parâmetros normais para um adulto plenamente consciente, a médium em transe atingiu o índice bi- espetral de 30 hertz. Com este valor, a médium deveria estar imóvel e inconsciente, como num estado hipnótico profundo, mas ao contrário do que seria esperado ela movimentava-se e verbalizava pensamentos e emoções de origem mediúnica.

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Opinião (pág. 16)

Página 167 min

Contudo, é justo perguntarmo-nos: - se temos que ser brandos e compreensivos na palavra e no pensamento, e utilizar a verdade apenas como amparo ao que carece de suporte na sua caminhada evolutiva, então como é que se desencadeia a justiça? Simão justificava o seu procedimento com a necessidade de “amparar estes homens com a verdade…” o Senhor lhe respondeu: “- Sim, eu falei em “amparar”, nunca te recomendaria aniquilar alguém com ela…” E depois convidou os quatro publicanos para cearem com Ele, ofertando- lhes reconforto e nobreza nas palavras.

Conciso mas imprescindível o ensino de utilizar a verdade que nos foi ofertada ceder perante o engano e a mentira? De não afrouxar perante a perfídia e o abuso? Não devemos ser nós aniquiladores do erro e defensores da verdade? Precisamente acerca da utilização da verdade, chega-nos interessante narrativa, em que Jesus, quando deixava a casa de Jeroboão em Corazim, solicitou a Simão que amparasse com a verdade quatro consulentes (Estante da vida: XIX).

Eram Eliúde, O nosso país, em particular, está submetido a momentos de austeridade que nos mergulham em tempos de miséria e desespero económicos, que julgávamos não voltarem a ter que ser redigidos na História. Em resposta, assistimos a uma mobilização da sociedade civil sem precedentes, demonstrando uma elevação moral ímpar, ainda que na linha do que é a noção tradição: um milhão de pessoas; num só protesto; sem qualquer confronto!

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Cinema / Literatura

Página 175 min

CINEMA / LITERATURA Pinga-Fogocom Chico Xavier Este livro foi organizado pelo conceituado jornalista Saulo Gomes que, em 1968, conquistaria a amizade de Chico Xavier . Após estar mais de duas décadas afastado dos grandes órgãos de informação públicos por motivos ponderáveis, como veremos, Chico, pelas mãos do então jovem Saulo Gomes, grava, pela primeira vez, uma entrevista para a televisão, a dia 2 de maio de 1968. Tal entrevista seria exibida no dia 14 do mesmo mês, na TV Tupi, canal 4 de São Paulo.

Recordemos, agora, os factos que levaram o abnegado médium a afastar-se dos “media” durante cerca de 25 anos. Em 1944, dois jornalistas da extinta revista «O Cruzeiro», do Rio de Janeiro, apresentaram-se em Pedro Leopoldo disfarçados de repórteres americanos, com o objetivo de desacreditar o médium e, por extensão, o Espiritismo que, nos anos 30 e início dos 40, deixaria o Brasil perplexo, nomeadamente a sua elite mais culta, pois a sabedoria que escorria pelas suas mãos tumultuava os espíritos.

Eram eles os jornalistas David Nasser (redator) e Jean Manzon (fotógrafo), que colheriam dias depois e já no Rio uma lição que jamais esqueceriam, na altura em que a edição de 14 de agosto de 1944 da revista mencionada já se encontrava no prelo. Tal facto, importante para a História do Espiritismo, pode ser lido em diversas biografias de Chico Xavier . Como dizíamos, em maio de 1968, 24 anos depois do triste episódio, Chico Xavier é entrevistado pela primeira vez na TV pelo jovem repórter Saulo Gomes, estabelecendo-se, desde essa época, uma forte amizade entre ambos que seria, se assim nos é permitido afirmar, a preparação para a presença do médium no programa «Pinga-Fogo», em 1971, na TV Tupi, canal 4.

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Afinidades

Página 187 min

WWW Entrevista a dirigentes Modesto Costa tem 56 anos. Face à crise que o país atravessa de trabalhava como rececionista e encontra-se desempregado. Vive em Quarteira e é estuda presentemente no ensino superior. foto direitos reservados Como conheceu o Espiritismo? Modesto Costa – A primeira vez que ouvi falar de um modo claro sobre a doutrina espírita foi pela voz de Divaldo Pereira Franco respondendo sobre o que era o centro espírita ao jornalista Joaquim Letria no programa “Face a face”.

É claro que ouvia amigos falarem de espiritismo mas de uma forma mesclada com ocultismo e com a umbanda. Só efetivamente coloquei os pés num centro espírita anos mais tarde, em 1988, quando estive na Ilha da Madeira e foi então que comecei a ler as obras de Kardec. Frequenta algum centro espírita? Modesto Costa – Frequento vez por outra a Associação Espírita de Quarteira e o Centro Espírita Allan Kardec de Montechoro, Albufeira Qual é a sua opinião acerca do «Jornal de Espiritismo»?

Modesto Costa – O «Jornal de Espiritismo» é um ótimo divulgador da Doutrina dos Espíritos. Preocupa-se em esclarecer-nos dentro dos 3 vértices da doutrina, não esquecendo a moral e a religiosidade em detrimento da filosofia e do espiritismo como ciência que usa o método experimental para demonstrar os fenómenos espíritas. Este jornal desde sempre se mostrou integrado na vida diária das pessoas, utilizando a publicidade como forma de se suportar a si mesmo, mostrando-nos que não devemos estar fora da cultura social mas sim integrá-la e intervir nela para podermos com todos contribuir para operacionalizar a mudança para uma Terra regenerada e nova.

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Passatempos

Página 193 min

Não sendo a Terra o único planeta habitado, nem o mais aperfeiçoado, existem no Universo outros mundos habitados cujas caraterísticas permitem aos Espíritos níveis diferentes de evolução e aprendizado? A obra «Chico Xavier – o primeiro livro», lançada em maio de 2010 na cidade de Pedro Leopoldo, Brasil, reúne 100 fac-similes dos primeiros manuscritos do médium, a partir de 1928? A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que assim ressente os efeitos da decomposição, experimentando sensações de angústia?

A grande finalidade das experiências mediúnicas que existiram no século XIX e em que a comunidade científica se empenhou era, através da comprovação dos fenómenos, chamar a atenção para a imortalidade da alma, abrindo portas para a compreensão do real sentido da vida? As VIII Jornadas de Cultura Espírita que a ADEP realizou em Óbidos, Portugal, no passado mês de abril foram assunto de 1.ª página, com destaque, em maio, do Jornal «O Imortal», publicação mensal de divulgação espírita no Brasil?

NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 ÚLTIMA JORNADAS PORTUGUESAS DE MEDICINA E ESPIRITUALIDADE «A ação dos sentimentos sobre a saúde» foi o tema que, em 20 e 21 de outubro reuniu médicos, psicólogos eopúblico em geral na Cidade Universitária, em Lisboa, concretamente no auditório de Faculdade de Medicina Dentária. Tratou-se da 7.ª edição das Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade. Marlene Nobre, médica e presidente da Associação Médico-Espírita, afirmou: «Para nós, é sempre uma alegria renovada reencontrar os nossos colegas e amigos de Portugal, com o objetivo de discutir e implantar um novo modelo de saúde, baseado no conceito do ser humano integral: corpo e alma».

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