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Opinião (pág. 14)

Jornal de Espiritismo nº 55 · Setembro 2012Página 145 min

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Roberta é minha amiga. Pessoa simples, leva uma vida difícil e sofrida. Trabalha duramente, no seu dia-a-dia, em limpezas. Apesar de viver com dificuldades, sempre lhe vejo um sorriso na cara, e ainda tem tempo para tomar conta da mãe acamada, fazer a lida da casa e fazer voluntariado. Teve um problema num joelho. Foi fazer um raio-x: fratura no joelho. “Vá ao hospital para marcar uma operação ao joelho”. Já se passaram 18 meses e ainda não foi chamada!

Filomena é pediatra. Trabalhava num hospital do Oeste e queria cá ficar. A política encetada pelo anterior governo não o permitiu; ninguém é contratado, pois há que trabalhar para as estatísticas. Filomena, contrariada, foi viver para Lisboa, ficando a trabalhar num hospital da capital. Passado um mês, estava a ser convidada por uma empresa de angariação de médicos, para ir fazer urgências ao hospital do Oeste de onde tinha vindo, pois havia falta de pediatras; foi ganhar o dobro do que ganhava aquando no referido hospital, e ainda por cima sem a responsabilidade de ser chefe de serviço (para além do que a empresa que a contratou ganhou).

O corpo de Joaquim foi enterrado ontem (28 de julho de 2012). Com 45 anos e 2 filhos jovens, teve um leve mal-estar. Foi-lhe diagnosticado um tumor no baço. Operado numa famosa clínica privada de Lisboa, passados 2 meses em consulta de rotina, o médico apercebe-se que após apalpação, o doente começava a desfalecer à sua frente. Enviado para as urgências, tinha de ser operado urgentemente, com uma hemorragia interna, mas faltava um cheque.

Enquanto um familiar foi a casa e voltou com o cheque, após 6 horas, o doente faleceu. Tudo isto aconteceu em Portugal, não é ficção. Sabendo que todos os médicos fazem o juramento de Hipócrates, é natural que haja bons e maus médicos, como em todas as profissões. Numa sociedade ainda eminentemente materialista, os seres humanos desconhecendo a sua componente espiritual, a sua imortalidade, a reencarnação como lei inevitável no carrossel da evolução do ser humano, vivem como se não houvesse vida para além da morte e, depositam todos os objetivos da vida no dinheiro, no ter coisas, ao invés de serem pessoas humanas, nas atitudes, nos sentimentos, nos pensamentos.

Nós, espíritos eternos, reencarnamos para evoluir moral e intelectualmente, essas duas asas da vida que nos levarão um dia à sabedoria. Reencarnamos também, para resgatar erros de vidas passadas, que nos pesam na consciência, em que voltando “ao local do crime”, passando por dificuldades similares (ou não, conforme as circunstâncias necessárias) àquelas por nós criadas em vidas anteriores, o Espírito liberta-se do complexo de culpa, criando assim condições para aceder a novos patamares evolutivos.

Dizem os Espíritos (pessoas como nós foto loucomotiv que largaram o corpo de carne pelo fenómeno natural da morte do corpo físico) que o sentimento mais comum no mundo espiritual é o de imensa perda de tempo na Terra, de nostalgia por essa situação, em que têm de voltar para recomeçar as mesmas provas (entre outras), tal como o aluno preguiçoso que não estudou tem de repetir o ano escolar, estudando as mesmas matérias.

André Luiz, que foi médico na Terra, e que ditou vários livros através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, ao adentrar o Além, ficou estupefacto com o tão pouco que sabia, se comparado com os meros auxiliares que trabalhavam em hospitais no mundo espiritual, ele que fora médico de renome na Terra, no Brasil. O Espiritismo vem alertar para a enorme responsabilidade dos nossos atos, pensamentos e sentimentos nas relações interpessoais, a repercutirem na nossa vida sob a forma de paz ou agitação, de acordo com a génese dos sentimentos que lhes deram origem.

O Espiritismo, pegando no ensinamento de Jesus “Não fazer ao próximo o que não desejamos que nos façam” vai mais adiante, dizendo, “Fora da caridade não há salvação”, e como tal, devemos “fazer ao próximo aquilo que desejaríamos para nós próprios”. É natural que, quiçá, aqueles que hoje utilizam a medicina, não para curar mas para enriquecer à custa do sofrimento alheio, possam reencarnar em situações sociais pobres, a fim de, experimentando no futuro aquilo que semearam no passado, assim aprendam que os laços de fraternidade entre todos os seres humanos são o nosso tesouro existencial.

Quando um dia o homem tiver a consciência de que “Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”, então a medicina dos homens deixará de ser uma negócio, para passar a ser uma missão sagrada, onde o foco existencial não estará mais no lucro, mas sim no ser humano. Até lá, façamos a nossa parte, dando o exemplo que arrasta multidões… Por José Lucas NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 procuram a verdade: “O verdadeiro papel da ciência é descobrir a verdade, pesquisar em todo o lado, procurar e persegui- -la pelos caminhos travessos e pelas grandes estradas; Quando a encontrar, proclamá-la completamente e sem medo, sem se preocupar em fazer-se autoridade da moda ou com os prejuízos.

” Todos os que fazem ciência, ou seja, todos os que procuram conhecer e saber, têm uma enorme responsabilidade nesta caminhada saudável e tolerante em direção à verdade. A ciência despretensiosa e lúcida, compreende que o que é magia num determinado século, poderá ser ciência no seguinte. Como tal, aceita as limitações do conhecimento humano enquanto parte em busca de explicações lógicas e racionais que lhe permitam entender melhor o mundo à sua volta.

A verdadeira ciência procura a verdade de mente aberta, sem fundamentalismos, teorias preconcebidas, pré-conceitos e dogmas imutáveis; Questiona constantemente o que se julga acertado e isso permite-lhe ser mais tolerante, encontrar erros e insuficiências com maior frequência e dar passos sucessivos de aproximação à verdade. Esse é um dos conceitos mais fantásticos e belos da ciência: não existem ideias intocáveis que estejam impedidas de ser discutidas e questionadas de uma forma lógica e racional.

O estudo científico da mediunidade não é um caminho simples. A sua singularidade de manifestação, imprevisibilidade, e por vezes subjetividade, são condicionantes que não permitem que o fenómeno seja estudado segundo os moldes tradicionais da ciência. Colocar um Espírito dentro de um tubo de ensaio é uma tarefa impossível, prever o seu comportamento e manifestação é muito complicado. Mas para abraçar- -mos novos conhecimentos, é preciso estarmos abertos a novos paradigmas e concepções, adaptando as ferramentas de análise ao fenómeno em estudo.

Foi essa humildade e lucidez que permitiu que cientistas brilhantes constatassem a realidade do fenómeno mediúnico. Carl Gustav Jung no livro “Psychology and the Occult”, escreveu desta forma: “Aqueles que não estão convencidos deveriam ter cautela em assumir ingenuamente que toda a questão dos espíritos foi resolvida e que todas as manifestações deste tipo são fraudes sem sentido. (…) Eu não hesito em declarar que tenho observado um número suficiente de tais fenómenos para estar completamente convencido da sua realidade.

” Todos ficamos a aguardar mais resultados e as respectivas conclusões deste estudo, realizado por cientistas da Universidade de Coimbra, que podem trazer um maior esclarecimento ao grande público e abalar a irredutibilidade de algumas posições mais preconceituosas sobre um fenómeno natural e inerente à condição humana mas que muitos ainda tomam como crendice ou de origem sobrenatural.