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Opinião (pág. 13)

Jornal de Espiritismo nº 55 · Setembro 2012Página 133 min

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Este caso marcou, apesar de ter ocorrido numa das noites de trabalhos de uma associação com que colaborava na década de 1990. Como é usual, a reunião ocorria uma vez por semana em dia e hora certos. Aquela equipa composta por uma dezena de elementos sabia o que tinha a realizar mas não fazia ideia do programa de trabalho que iria ser apresentado em cada sessão. Num dado momento, aberta a reunião num ambiente muito calmo, a médium que me cabia atender alterou a expressão, de olhos cerrados.

Revelava ansiedade, discreta, e olhava à volta. Havia que esperar as primeiras palavras para se perceber que tipo de caso estava agora ali. Apercebendo-se da minha presença ao seu lado, na mesa de trabalho, segredou-me, sucinta: - Tenho medo que eles me apareçam… Devo ter-lhe dito algo do género: - Aqui nada tens a recear, estás entre amigos. O diálogo seguiu até que a história emerge, pouco a pouco. Durante a conversa fraterna estimulavam-se as perceções, de modo a que a curto prazo começasse a ver os amigos desencarnados da Espiritualidade que a tentavam ajudar.

Veio-se a perceber que se tratava de alguém que fora uma menina que morava numa aldeia; ainda jovem, entrava em transe mediúnico, inconsciente, e caía, perturbada, enquanto entidades espirituais ignorantes falavam através dela. De uma família com algumas posses, aquilo era uma verdadeira vergonha social. Chamaram quem? O médico. Não resolveunão era uma doença. Seguiu-se novo apelo: o padre. Não resolveu também, pois nada tinha a ver com os mitos religiosos.

Surgiu então o internamento num manicómio. Quando tinha transes violentos, os enfermeiros fardados segundo as normas tinham ordens para aplicar o colete-de-forças, seguido de injecções, disse. Medicamentos todos os dias, claro, para anular os supostos transtornos da personalidade. Terá passado ali várias décadas. Agora, estava apreensiva a falar para mim, através da médium. Acentuámos os estímulos de tranquilidade. Quando a sua visão começou a ampliar-se, receou: - Ai que eles estão aqui!

Estava a ver os técnicos do plano espiritual, espíritos de uma equipa de auxílio que se mostravam vestidos de bata, enfermeiros também provavelmente, pois os cuidados de saúde continuam frequentemente nesse plano de vida, embora com técnicas bastante diferentes. Tranquilizei-a: «Estes não precisas de recear. Sabes que chega uma altura em que partimos desta vida material, tantas vezes sem percebermos. Estes não te vão aplicar um colete-de-forças, nem te vão dar injeções.

Não precisas. Só te querem ajudar. Vais entrar numa fase muito melhor, agora estás livre». Assim que percebeu a boa notícia, esta senhora desencarnada sentiu um adormecimento feliz e foi levada pelos amigos espirituais. Acentuou-se no ambiente da pequena sala uma paz indefinível. Podemos indagar: compreende-se que o espiritismo seja importante para quem tem mediunidade ostensiva e não sabe lidar com ela. Uma vida num hospício, sem necessidade, vendo este caso, não é o melhor que se pode desejar.

Mas servirá o espiritismo apenas para estes casos extremos? foto loucomotiv Colete de forças Entre os casos que se atendem através da mediunidade, no sentido de ajudar entidades espirituais que se manifestam em dificuldade, há sempre alguns que tendem a perdurar na memória face a outros. NOVEMBRO.DEZEMBRO 2012 Muito se tem falado em saúde, Serviço Nacional de Saúde, cuidados de saúde aos mais variados níveis, clínicas, hospitais privados, acordos, prestação de serviços, etc.

Pouco se tem falado da essência de tudo isto: das pessoas, dos seres humanos, doentes. Medicina: comérciooumissão?