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Jornal de Espiritismo nº 55 · Setembro 2012Página 155 min

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No seu número 77 de 3 de agosto de 2012, a revista quinzenal C, dedicada a notícias e reportagens da atualidade em destaque na região de Coimbra, Viseu, Aveiro, Guarda, Leiria e Castelo Branco, http://www.cnoticias.net, dá um grande destaque a um estudo inédito em Portugal, realizado por investigadores da Universidade de Coimbra, que procura encontrar provas científicas para a comunicação entre os vivos e os mortos.

Para tal, contaram com a colaboração voluntária do médium psico-pictográfico brasileiro Florêncio Anton e de uma médium portuguesa. A investigação ainda está no seu início, mas as primeiras indicações revelaram resultados já muito interessantes: os especialistas descobriram e registaram alterações cerebrais nos médiuns durante a manifestação mediúnica ocorrida nas instalações da instituição. O nível de consciência dos médiuns, bem como o seu funcionamento neuro- fisiológico estavam a ser analisados através do Índice Bi-Espetral (BIS), um sistema de monitorização que é normalmente utilizado para medir a consciência e a profundidade anestésica dos pacientes submetidos a uma anestesia geral.

Os valores registados surpreenderam os investigadores. Sendo que valores próximos dos 100 hertz, são parâmetros normais para um adulto plenamente consciente, a médium em transe atingiu o índice bi- espetral de 30 hertz. Com este valor, a médium deveria estar imóvel e inconsciente, como num estado hipnótico profundo, mas ao contrário do que seria esperado ela movimentava-se e verbalizava pensamentos e emoções de origem mediúnica.

O mesmo aconteceu com Florêncio Anton que, enquanto em transe, teve o seu índice bi-espetral em 47 hertz. Nessa altura, em vez de evidenciar um estado de sono profundo como os valores indicavam, o médium pintava dois quadros, um com cada mão, tendo os olhos completamente fechados. Segundo a revista C, irão decorrer mais experiências do género nos próximos meses. O caráter científico e de investigação dos fenómenos espíritas relacionados com a mediunidade tem vindo a ser explorado, desde a segunda metade do século XIX, por cientistas brilhantes como William Crooks, Charles Richet, César Lombroso, Ernesto Bozzano, Olivier Lodge, Alfred Russel Wallace, William James, Arthur Conan Doyle, Frederic Myers, Pierre Janet, Carl Gustav Jung, e muitos outros, que, compilando observações, estudos e fatos, concluíram que muitos dos fenómenos observados não poderiam ser explicados sem a manifestação de uma individualidade fora deste mundo físico.

Os temas espíritas são normalmente motivo de algum preconceito científico mas, atualmente, existe um número cada vez maior de trabalhos académicos de excelente qualidade a serem produzidos, inserindo gradualmente os temas espíritas dentro das Universidades onde, com recurso à mais moderna tecnologia e associado ao conhecimento científico mais avançado, estando isento de preconceitos e fanatismos, poderão ajudar a humanidade a caminhar de uma forma mais lúcida e esclarecida em direção à verdade espiritual.

O estudo científico da mediunidade não é um caminho simples. A sua singularidade de manifestação, imprevisibilidade, e por vezes subjetividade, são condicionantes que não permitem que o fenómeno seja estudado segundo os moldes tradicionais da ciência. Sir William Crooks, eminente cientista e membro da Royal Society, um dos pioneiros na observação científica das manifestações mediúnicas, no livro “Nouvelles Expériences sur la Force Psychique”, realça aquele que no seu entender é o papel da ciência e que deveria servir de guia a todos os que NOVEMBRO.

DEZEMBRO 2012 foto http://www.paranormalreview.com/articles/20110410 justiça? Como se sustenta este conceito? Como a sua prática pelo espírita? Também aqui não existe engano. Numa das suas passagens por Cafarnaum, Jesus recebeu Túlia Prisca, patrícia romana que havia sofrido a traição do marido e, assim, procurava justificação para os devaneios que tencionava perpetrar. Após a apresentação do caso e sublinhado o sofrimento imposto, a esposa e mãe solicita a palavra esclarecedor do Benfeitor divino.

Mas o Mestre diz-lhe que “a dor bem compreendida é uma luz para o coração”, que nunca devemos revidar, que “no sacrifício reside a verdadeira glória” e que o perdão deve ser dado “tantas vezes quantas forem necessárias”. (Luz Acima: XIX) Respostas desconcertantes para a patrícia, assim como para nós também o podem parecer quando, clamando por justiça e reproduzindo a resposta dada por Jesus a Túlia, ouvirmos intimamente “A justiça é uma árvore estéril se não pode produzir frutos de amor para a vida eterna.

” E assim se resumia o conceito de justiça sustentado por Jesus. Justiça não é o aniquilamento do injusto, não é a sua humilhação pública, nem sequer a revelação feita à luz de um dever moral para com o coletivo. Não, justiça tem sobretudo que ser, um ato de amor. E um ato tão profundo, que promoverá uma mudança decisiva na evolução da criatura que a ela é submetida, a ponto de repercutir na vida eterna – a espiritual.

Mas como será isto possível? – interrogamo-nosComo através da mera tolerância, da aparente passividade, do perdão manso, podemos transformar o mundo? Vale a pena aqui recordar a história que envolve Efraim ben Assef, um guerreiro israelita que chegou a Jerusalém pelos dias da entrada triunfal de Jesus naquela cidade e de imediato O procurou. Tentava Efraim saber como agir perante a vaidade ostentada pelos poderosos quando multiplicavam as lágrimas dos sofredores, ou quando pilhavam sem piedade aqueles que já nada mais possuíam (críticas não muito diferentes das que agora ouvimos).

Todavia, a resposta escutada era sempre a mesma: mais amor, mais brandura, mais paciência, renúncia e perdão, mas sobretudo, “servir mais”. Sem encontrar o apoio que procurava, Efraim pede ao Cristo que esclareça o que deve ser entendido por “servir mais”, ao que o Messias responde, enquanto afaga uma criança: “… é viver retamente na prática do bem, com a certeza de que a Lei cuidará de todos.” A resposta é desconcertante para quem intentava uma revolução, mas na verdade, o seu valor era muito mais profundo do que naquele instante poderia ser percecionado.

É que dois dias depois, quando a soldadesca do Sinédrio chegava ao Jardim das Oliveiras, para deter o Cordeiro e levá- lo ao julgamento da crucificação, quem com um sorriso sarcástico algemou o pulso do Enviado, foi o próprio Efraim ben Assef. E quando perguntou: - “Não reages, galileu?” escutou a resposta tranquila: “É preciso compreender e servir mais.” (Contos desta e doutra vida: 7). Que lição!