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Hoje a morte deixou de fazer parte da realidade, é escondida e o resul

Jornal de Espiritismo nº 60 · Maio 2013Página 165 min

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Hoje a morte deixou de fazer parte da realidade, é escondida e o resultado está à vista. Muitas vezes morre-se sozinho ou na companhia de profissionais de saúde, rodeado de uma série de equipamentos médicos úteis, mas frios. Antes de nos termos transformado nesta sociedade de consumo desenfreado, onde o ter vale mais do que o ser, as famílias viviam próximas, física e emocionalmente, sendo habitual reunirem-se junto do leito de quem estava a partir e, então a morte fazia parte da vida logo desde criança.

Hoje a morte deixou de fazer parte da realidade, é escondida e o resultado está à vista. Muitas vezes morre-se sozinho ou na companhia de profissionais de saúde, rodeado de uma série de equipamentos médicos úteis, mas frios. A família e os amigos mantêm-se afastados por causa do tabu que a morte encerra, ou por medo, para evitar eventuais traumas, ou algumas vezes porque são mantidos de parte (os hospitais são locais com regras) e com isto estamos a desumanizar a morte!

Temos excesso de mortes nos filmes e séries, os jornais e os noticiários exploram o tema ao limite, no entanto tudo isso parece lá longe. A sociedade em geral perde tempo a Atualmente o assunto morte é praticamente tabu, desvanecendo-se por vezes num “ai credo” ou num “vamos mas é falar de algo mais alegre”, no entanto milhares de pessoas morrem todos os dias e todos vamos passar por esse momento, alguns de nós vão encontra-la através de uma doença, outros por acidente e uns quantos encontram-na por velhice.

foto loucomotiv falar sobre o que não interessa, gasta- se dinheiro em projetos inúteis que não servem a ninguém, quando deveríamos investir esse tempo, dinheiro e as nossas forças, por exemplo, na melhoria das condições dos cuidados paliativos ao alcance de todos, ou seja, na melhoria da qualidade de vida de quem está a morrer. Para nós, espíritas, a morte é só o fim de uma existência carnal e a continuação da vida na pátria espiritual, não por crença, mas porque as evidências dessa realidade são muito fortes, então, se assim é, não a devemos temer, nem evitar encarar a morte dos outros.

Infelizmente, fica a ideia de que ainda são poucos os espíritas que interiorizaram verdadeiramente esse conceito, no entanto, mesmo que julguem o contrário, todos temos a capacidade para doar Amor, dizer palavras impregnadas de sentimentos verdadeiros, que transmitem paz, tranquilidade e, isso, vale ouro! Se pudesse escolher, como seria? A receita é simples e conhecida: fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem a nós.

Ora, eu se eu tivesse hipótese de escolha, gostaria de estar calmo, acompanhado por familiares e / ou amigos que me transmitissem coisas bonitas e serenas, com uma música relaxante, como pano de fundo. Porque não?! Conheço alguns casos anónimos louváveis: por exemplo, uma amiga voluntária num hospital que, ao reparar numa doente prestes a falecer, acompanhou-a nos últimos minutos a ler-lhe, docemente, páginas do Evangelho.

Outra, que acompanhou os últimos dias de uma familiar, sempre com palavras de conforto, féeo calor humano de uma mão, que afaga, carinhosamente. E, felizmente, muitos outros casos, todos eles com o ponto em comum: de serem experiências gratificantes que, deixam a marca da oportunidade bem cumprida na consciência de quem fica. Então, coloquemos em prática os nossos conhecimentos também na morte, deixemos de a considerar esquisita e, vamos fazer o que está ao nosso alcance para a transformar numa viagem tranquila, rumo à verdadeira Vida.

Francisco Reis A morte é esquisita?! OPINIÃO SETEMBRO.OUTUBRO 2013 Filme espírita é um conceito que muitos atribuem a um tipo de filme que foca temas como: A vida para além da morte, reencarnação ou ainda sobre fenómenos mediúnicos. Contudo o facto de um filme abordar uma temática espiritualista não faz necessariamente dele, um filme espírita. Filmes espíritas serão aqueles, que como os livros, servem para esclarecer, demonstrar ou ainda promover conceitos doutrinários.

Filmes como, “Nosso Lar” do Cineasta Wagner Assis ou “E a Vida Continua” do realizador Paulo Figueiredo, ou ainda o “Filme dos Espíritos” dos autores André Marouço e Michel Dubret, são exemplos de filmes espíritas. Podemos incluir aqui também os filmes e documentários que pretendem ser registos históricos, uns preservando biografias importantes como, “Chico Xavier” de Daniel Filho ou aquelas produzidas por Oceano Vieira de Melo (Eurípedes Barsanulfo, Divaldo Pereira Franco etc.)

, outros tentando documentar momentos importantes como a colecção de “Pingas Fogo” onde as conversas televisivas entre Chico Xavier e a população brasileira podem ser revividas. Depois existem diversos filmes onde as temáticas de natureza espiritualista vêm convergir com os princípios doutrinários defendidos pela Doutrina Espírita. Entre literalmente milhares de exemplos, vale a pena lembrar a aclamada obra de Manoj Nelliattu Shyamalan: O Sexto Sentido.

Onde a temática sobre a mediunidade e a percepção do ser em torno da vida e da morte se desenvolvem de forma magistral, culminando num final surpreendente para todos aqueles não estão ainda despertos para a vida global do ser. Outros filmes também muito conhecidos, são por exemplo: “ A minha vida na outra vida”; “Os Outros”; “Amor além da Vida”; “O Poder dos Sentidos” ; “Para Sempre” e mais recentemente, “Cloud Atlas” entre tantos outros.

Estes filmes têm como grande ponto a seu favor, o facto de que são filmes de grande audiência e dispensam grandes conhecimentos doutrinários, sendo nesse sentido universalistas levando ao grande público mensagens muito importantes ainda que por vezes misturada com conteúdos menos claros. É de um destes filmes que gostaria de vos falar hoje, contudo uma escolha menos óbvia, uma vez que neste filme a espiritualidade está imanente mas nem sempre evidente, contudo têm no seu âmago uma das perguntas mais profundas: existe espaço para a fé num mundo de verdades mensuráveis?

“O Contacto” Este filme de 1997 é uma adaptação do livro do mesmo nome escrito pelo cientista Carl Sagan e nele encontramos uma radioastrónoma de seu nome Eleanor Arroway, céptica quanto à existência de um Deus, mas profundamente crente em vida extraterrestre e na possibilidade da ciência demonstra-la. A dado momento, essa possibilidade surge, contudo para sua grande surpresa, a ciência que tanto adora pode não ser o suficiente para comprovar o Universo Inteligente que tanto busca.

Com um texto fabuloso, vale a pena recordar momentos como a conversa entre Eleanor (Jodie Foster) e Palmer Joss (Matthew McConaughey): Eleanor – “…Acreditas que Deus existe?” Palmer – “Sim.” Eleanor – “Prova-me…” Palmer – “Amavas o teu pai?” Eleanor – “ Sim! Muito” Palmer – “ Prova-mo…” Elenco principal: Jodie Foster, Matthew McConaughey, David Morse, James Wood e John Hurt.