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Opinião (pág. 12)

Jornal de Espiritismo nº 60 · Maio 2013Página 123 min

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A jovem saltava, rebolava no chão, gritava a plenos pulmões, espumava pela boca e suplicava: “TIREM-ME ISTO!!!”. Ao seu redor, as reacções eram um resumo das opiniões da Sociedade sobre um fenómeno que não tem ainda explicação universalmente aceite. Mariana, de 16 anos, tinha andado a fazer o famigerado “jogo do copo”, e desde então estas crises irrompiam sem aviso. Entre os amigos, uns riam-se e diziam que ela “se calhar tinha andado a fumar coisas”, ou que era uma doida com a mania que “o Diabo entrava nela”.

Outros rodeavam - -na, com rosários na mão, à laia de arma contra o suposto “Diabo”. Entre os adultos, as reacções iam da troça e do desdém à psicologia improvisada. Enquanto a garota se contorcia em desespero, havia quem tentasse acalmá-la: “Ó Mariana, isso são só coisas da tua cabecinha!...”. Aproximei-me e perguntei-lhe muito “Tirem-me isto!!!” SETEMBRO.OUTUBRO 2013 calmamente se queria que chamasse uma ambulância.

O recurso à Urgência de Psiquiatria seria um recurso a considerar. Respondeu, ofegante: “Hospital… não… igreja…”. Tinha exorcismo agendado para a tarde, numa igreja evangélica. Com todo o respeito por todas as religiões e opiniões, não me pareceu correcto deixá-la ir viver uma cena de gritaria de “Sai, Satanás!”, sem o conhecimento e consentimento dos pais ou tutores. “Acreditas em Deus? Queres orar comigo?” – perguntei… E lá orámos, num canto retirado, cada um à sua maneira, com toda a simplicidade, pedindo a Deus que lhe trouxesse paz.

Chegou a tutora, a quem entretanto tinha telefonado. Expliquei-lhe o que se passara, dei a minha opinião genérica sobre o assunto, aconselhei acompanhamento espiritual ao critério de ambas, acompanhamento médico pelo sim pelo não, desaconselhei a prática medieval do exorcismo… e a brincadeira do copo. A menina já respirava normalmente. Fiquei com o nome e o contacto, e no centro espírita a equipa mediúnica vibrou por ela.

O que me preocupa é a imprudência que leva tantos jovens e adultos a divertirem-se em contactos imprudentes e ociosos com o Além; são as ideias caducas sobre o “Diabo”; é a violência e a inutilidade dos exorcismos; é a iliteracia espiritual que ainda reina. Não pude evitar olhares inquiridores e desconfiados da parte de quem acompanhou a cena. Se a rapariga estava aos gritos e se acalmou quando eu cheguei e falei com ela, então devo ser um tipo “esquisito”.

Nada que me preocupe. O que me preocupa é a imprudência que leva tantos jovens e adultos a divertirem-se em contactos imprudentes e ociosos com o Além; são as ideias caducas sobre o “Diabo”; é a violência e a inutilidade dos exorcismos; é a iliteracia espiritual que ainda reina. Dias depois encontrei a Paula, uma amiga psicóloga: “A fazer macumbas às minhas pacientes, hã?!” – atirou, brincalhona. Referia-se à Mariana.

O mundo é pequeno. Ou estes casos são cada vez mais. A Paula já se habituou a ouvir pacientes descreverem experiências mediúnicas por que foto loucomotiv do processo educacional dos indivíduos e/ou de traumas infanto-juvenis. Andrei Moreira não deixou de sublinhar o papel do amor e compreensão para se lidar com a homossexualidade. Lembrou, a esse propósito, uma psicografia sua ditada pelo espírito Dias da Cruz, frisando que quando Deus olha para os seus filhos, não vê uma obra imperfeita, falhada ou fracassada, mas sim uma obra perfeita, em execução, cada uma a seu tempo.

E sabe que todos os seus filhos alcançarão o objetivo: a plenitude no amor, porque cada um traz em si a Sua imagem e semelhança. “Não há nada que o homem possa fazer que diminua este amor incondicional de Deus pelos seus filhos”, conclui. O orador sugeriu ainda algumas referências para se estudar o assunto, tais como: O Livro dos Espíritos, Alan Kardec (questão 605); Vida e Sexo, Chico Xavier; Forças sexuais da alma, de Jorge Andrea.