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Entrevista a Diplomata Irreverente

Jornal de Espiritismo nº 61 · Novembro 2013Página 115 min

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A Drª Anabela Cardoso nasceu no Crato, Alentejo, Portugal, é licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, doutorada em Serviço Público (Honoris Causa) pela Universidade Roger Williams, Bristol, R. I., USA. Seguiu a carreira diplomática ao serviço de Portugal desde 1976, tendo sido a 1ª mulher portuguesa a exercer um cargo diplomático no estrangeiro e a primeira Cônsul feminina de Portugal.

Assim, foi Cônsul de Portugal em Providence, Rhode Island nos USA, Conselheira de Embaixada em Nova Deli na Índia e Encarregada de Negócios em Tóquio no Japão; Directora do Departamento para as Relações Asiáticas do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa, Portugal; Cônsul-Geral na Galiza, Espanha e em Lyon, França. Uma das particularidades desta notável mulher, notável cientista e ser humano de uma afabilidade, doçura, simpatia, generosidade incomparáveis, é o seu amor pela Natureza e por todos os seres vivos sem excepção.

Amante da ecologia e protectora dos animais, fundou a Associação para a Protecção da Fauna e da Flora (ABRIGO), na sua Quinta do Sol, em Vale do Paraíso, Azambuja, em Portugal, instituição que mantém com dificuldade, e durante muito tempo exclusivamente às suas custas, na qual se recolhem animais abandonados. A ABRIGO está classificada pela World Society for the Protection of Animals (WSPA) como uma das melhores, na sua área, na Europa.

Membro da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, Londres, Inglaterra (SPR), sempre se interessou pelas questões relacionadas com a vida para além da morte, o que a levou a investigar a Transcomunicação Instrumental (TCI), no final de 1997. A quantidade e qualidade dos resultados obtidos, sob rigoroso controlo científico, através de EVP (Electronic Voice Phenomena) e de DRV (Direct Radio Voices), convenceram-na a continuar a pesquisar e a tornar público o seu trabalho, pese embora os problemas que isso lhe poderia trazer, e trouxe, ao nível profissional.

Poliglota, fundou em 2000 a Revista de TCI (ITC Journal), sendo ainda editor-chefe da mesma, actualmente publicada em inglês, contando com um naipe de cientistas e pesquisadores internacionais, que com ela colaboram. Paralelamente, colabora noutras publicações internacionais, nesta área, nos EUA, Brasil e em vários países europeus. Em 2005 fundou o Centro de Pesquisas da Revista de TCI (ITC Journal Research Centre) na Galiza, Espanha, onde vive temporariamente, e onde tem desenvolvido importantes eventos internacionais.

Em 2007 foi convidada para apresentar projectos de pesquisa em TCI, tendo sido galardoada por duas instituições internacionais (uma importante Fundação de pesquisa médica e pela Saybrook Graduate School and Research Centre, San Francisco, California, U.S.A.), projectos estes concluídos e o respectivo relatório publicado no “Neuroquantology, September 2012, Vol. e gatos abandonados, a possibilidade de levar a cabo as suas experiências vivenciais na nossa dimensão terrena de forma menos cruel e sofredora.

JDEPode falar-nos sobre a sua actividade passada e actual bem como perspectivas futuras acerca da TCI? ACFiz uma carreira diplomática durante mais de trinta anos. Quando há uns anos decidi dedicar-me totalmente à investigação da Transcomunicação Instrumental, fi-lo consciente das dificuldades porque iria passar que se cumpriram, mas na minha vida nada foi mais importante do que essa escolha, que voltaria a fazer. Considero-me a pessoa mais feliz do mundo por ter optado por este difícil, tortuoso, mas magnífico caminho.

Sobre o futuro da TCI não posso opinar, pois como disse há anos um operador alemão de TCI, “só os nossos comunicadores se podem pronunciar sobre ele”. Eu acrescentaria que, mesmo eles, não saberão exactamente o que nos trará o futuro, neste âmbito. A vida é feita muito mais de probabilidades do que de certezas. Quem saberá o caminho que a humanidade vai seguir? Creio que as duas questões estão intimamente relacionadas.

A única ‘luz’ que me orienta é a busca da verdade. O resto é-me realmente indiferente. Faço o meu trabalho de investigação o mais livre de preconceitos, o mais séria e honestamente de que sou capaz. Então, a partir daí, o que possam dizer os cientistas ortodoxos é-me indiferente. JDESe pudesse falar a toda a humanidade que conselhos lhe daria? ACSe pudesse ter essa veleidade, diria a toda a humanidade que a vida, toda a vida, é sagrada, que não há seres superiores nem inferiores, apenas diferentes, e que todos, desde o mais simples e básico ser do nosso planeta à mais ‘importante’ figura humana, estamos nesta vida para realizar uma experiência cósmica e dela aprender, sobretudo no sentido da expansão da consciência, que parece ser o desígnio fundamental da existência.

Diria também, citando um dos meus comunicadores de Rio do Tempo, que: “Há outro mundo, há outro processo [outros valores]!”. José Lucas NOVEMBRO.DEZEMBRO 2013 10, issue 3” sob o título A Two-Year Investigation of the Allegedly Anomalous Electronic Voices or EVP. Em Setembro de 2010 publicou o livro Electronic Voices: Contact with Another Dimension? (Hants, UK: John Hunt Publishing Ltd., O-Books) bem como um CD contendo exemplos das vozes captadas, mencionadas nesse livro.

Alguns dos resultados do seu trabalho poderão ser encontrados em: http://www.itcjournal.org Anabela Cardoso, a 1ª mulher diplomata portuguesa no estrangeiro, demonstra ao mundo através de meios electrónicos (TCI), que a vida continua após a morte do corpo físico. A Drª Anabela Cardoso poderia fruir de uma vida pacata, mas preferiu abdicar disso, enfrentar o preconceito cultural e científico vigente, com muitos dissabores pela frente.

Mulher corajosa e determinada tem corrido mundo, demonstrando as suas pesquisas bem como participando noutras (como em Itália com Bacci, com o conhecido e famoso teólogo católico padre François Brune, entre muitos outros), com o único objectivo de alertar o mundo para uma realidade hoje incontestável: a vida continua após a morte do corpo físico, e aqueles que estão no mundo espiritual podem comunicar-se connosco, dentro de certos limites, confirmando assim as pesquisas de Allan Kardec, eminente sábio francês que, em meados do século XIX codificou a Doutrina Espírita (ou Espiritismo), em 1857, aquando do lançamento da monumental obra “O Livro dos Espíritos”.

Em Itália, numa das experiências de maior impacto, com David Fontana, Bacci e outros cientistas e pesquisadores, utilizando, entre outros equipamentos, um rádio de válvulas, as cinco válvulas, ECC85, ECH81, EF89 (amplificador de frequência intermédia), EABC80 (detector de AM/FM e amplificador de baixa frequência), e EL84 (amplificador de potência final) foram retiradas e puderam ser vistas fora do rádio e foram colocadas à vista de todos sobre o banco de trabalho.

Não obstante a ausência das válvulas, as vozes continuaram com o mesmo volume e claridade de antes. Posteriormente Bacci desligou o rádio no botão de ligar / desligar e mesmo assim as comunicações do mundo espiritual continuaram durante 2 minutos e 20 segundos, entre outros pormenores fantásticos do importantíssimo comunicado assinado por todos os presentes, que descreve detalhadamente as experiências levadas a cabo com Marcello Bacci, no seu laboratório em Itália, na tarde do dia 5 de Dezembro de 2004, na presença de investigadores experimentados de Itália, Portugal e Reino Unido.