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Vídeo / Literatura

Jornal de Espiritismo nº 63 · Outubro 2014Página 173 min

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VÍDEO / LITERATURA Visto do céu Estamos perante a melhor biografia do insigne codificador do Espiritismo feita até ao presente, não obstante o bom trabalho do seu compatriota André Moreil, Vida e Obra de Allan Kardec, publicada em Paris em 1961, considerada já um clássico biográfico de Kardec. Também registamos a vasta pesquisa biobibliográfica realizada por Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, em três volumes intitulados Allan Kardec, publicada em 1979 e 1980 para homenagear os centenários da revista «Reformador» (1983) e da «Federação Espírita Brasileira» (1984), que consideramos falha, não obstante a grande riqueza de dados pesquisados, porque ignora, quase por completo, a maior fonte de informações sobre o trabalho titânico do Mestre de Lyon, que sem qualquer sombra de dúvidas é a Revista Espírita (periódico mensal), que abrange o período que vai da Janeiro de 1858 a Abril de 1869.

São 136 números, organizados e redigidos integralmente por Kardec, que retractam com fidelidade a história da elaboração da Codificação Espírita após a publicação da 1ª edição de O Livro dos Espíritos, em 1857, até ao passamento de Allan Kardec a 31 de Março de 1869. A tese fulcral dessa pesquisa dos dois companheiros da FEB, que passa despercebida aos neófitos e aos espíritas que não se interessam pelos estudos sérios, é fazer crer que não existe incompatibilidade entre a obra de Allan Kardec e as teses absurdas de J.

B. Roustaing, advogado na antiga cortem imperial de Bordéus, que agride frontalmente o Consolador com «Os Quatro Evangelhos», publicados em 1866, pois que põem em causa a omnisciência do Criador e recuperam dogmas da Igreja. Infelizmente a veneranda Federação Espírita Brasileira, em toda a sua história ignorou esse acervo doutrinário que é a Revista Espírita, nunca se interessando em traduzi-la, pois se o fizesse veriam como Allan Kardec rejeitou diplomaticamente, mas liminarmente, a obra que arrogantemente Roustaing cognominou de «Revelação da Revelação».

A título de informação esclarecemos que Allan Kardec com a publicação da sua última obra, A Génese, capítulo XV itens nºs 61 a 67, pôs ponto final no assunto desmantelando por completo essa tese absurda. Em 2001 quando Nestor João Masotti chega à presidência da FEB, ficam criadas as condições para que a Revista Espírita, antes sempre ostracizada pelas direcções sucessivas, fosse agora traduzida com a chancela da centenária Instituição.

Seria a terceira tradução, no caso feita pelo seu jovem director, Evandro Noleto Bezerra, em homenagem ao bicentenário de Allan Kardec (2004), que consideramos de elevada qualidade. As anteriores foram feitas, nos anos 1960 por Júlio Abreu Filho (EDICEL) e nos anos 1990 por Salvador Gentile (IDE). Ao lermos este notável trabalho biográfico de Marcel Souto Maior, nós como que acompanhamos a caminhada de Allan Kardec para nos deixar a codificação do Espiritismo, cujo registo a partir de 1858 tem sempre por base a Revista, documento histórico onde Souto Maior soube percepcionar, sentir e intuir o enorme esforço e sacrifício, que o instrumento do Espírito da Verdade na carne teve de vivenciar para nos deixar o Consolador que Jesus nos havia prometido.

Ao lermos esta bela obra temos a sensação que acompanhamos o Mestre do Espiritismo, pari passu, nos últimos quinze anos da sua existência plena de lutas e sacrifícios. Podemos afirmar que Marcel Souto Maior é o primeiro biógrafo que utiliza a Revista Espírita em sua inteireza para contar a história do discípulo fiel de Jesus. Renovamos a afirmação com que abrimos o presente artigo: estamos perante a melhor biografia do distinto Codificador do Espiritismo.

Obra com direitos reservados pela EDITORA RECORD LTDA. – Rua Argentina, 171 – CEP 20921-380 – Rio de Janeiro , RJ. Kardec – a biografia MARÇO.ABRIL.