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Capa da edição nº 63 do Jornal de Espiritismo

63Jornal de Espiritismo nº 63

Outubro 2014 · 20 secções · ≈ 66 min de leitura

A edição 63 do Jornal de Espiritismo, referente a Março-Abril de 2014, aborda temas diversos como o impacto do stress na vida, a mediunidade curadora e espiritual em centros espíritas, e uma entrevista com Nilson Pereira. A revista também explora o fenômeno das praxes universitárias sob uma perspectiva crítica, a biografia de Kardec, e um conto intitulado "Pedaço de estrela". Inclui ainda uma secção de correio onde a ADEP responde a uma leitora sobre mediunidade familiar e feitiçarias, oferecendo esclarecimento e recursos espíritas.

Mediunidade
Espiritismo
Praxes
Cura espiritual
Stress
Biografia

Capa

Página 12 min

63 ANOXI JDE JORNALDEESPIRITISMOMAR Ç O . ABRIL . 2 0 1 4 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Ele faz parte da vida e até ostenta vantagens: o drama instala-se sobretudo quando o stress se faz continuado, uma resposta dada à vida que o organismo acaba por pagar caro. Qualquer solução passa por desdramatizar… 17 LITERATURA KARDEC–ABIOGRAFIA 12 OPINIÃO MEDIUNIDADE CURADORA E CURA ESPIRITUAL Em meios espíritas, e outros, curam- -se muitas enfermidades, às vezes mesmo “incuráveis”, existindo centros notoriamente vocacionados para tal.

16 OPINIÃO O DESEJO FUNDAMENTAL O mais importante é cada um fazer o melhor que conseguir na observação, respeito e reverência pelas leis de Deus. 8 ENTREVISTA NILSON PEREIRAUM HOMEM DE BEM Nilson de Sousa Pereira, nasceu em Salvador em 26 de outubro de 1924 e desencarnou às 4h40 de 21 de novembro, em Salvador, aos 89 anos. Tio Nilson, como era carinhosamente chamado. Estamos perante a melhor biografia do codificador do Espiritismo, não obstante o trabalho do seu compatriota André Moreil, “Vida e Obra de Allan Kardec”, publicada em Paris em 1961.

10 SOCIEDADE foto loucomotiv Stress – um fardo a aliviar! As tais das praxes foto arquivo «Mar bandido, que me fizeste tu?», ouve- -se o sussurro sobre a areia da praia. Indiferente, qual divindade de antanho, a gigantesca massa de água salgada agita- -se. Dá peixe, oferece adubo, proporciona pão. Também desenha viúvas e órfãos na espuma branca das ondas. Segundo as informações salteadas que se vão ouvindo no audiovisual decorrem inquéritos, mas a ideia de que a meia dúzia de estudantes naquela praia Quando ainda era criança, fui visitado por um anjo durante o sono.

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Editorial Março.abril.2014

Página 24 min

EDITORIAL MARÇO.ABRIL.2014 gigante e frágil como uma flor! No seu coração Deus colocou a força do Universo e o segredo da felicidade. Pelas suas entranhas a vida se renova! Pelo seu amor os mundos se transformam! Progenitora das gerações, tornou-se o portal da vida, acolhendo carinhosamente no seu ventre os brutos e os santos, os sábios e os ignorantes, os justos e os injustos... Enquanto o anjo falava, fui tomado por uma sensação de queda e acordei nos braços de minha mãe.

Então compreendi. Ali mesmo, a apertar-me contra o peito, estava um pedaço enorme daquela estrela. Fonte: www.omensageiro.com.br Pedaço de estrela Entre quem praxa, o risco entre divertimento supostamente inofensivo e crueldade pode ser quiçá difuso: onde termina um e começa o outro? vinha de ser praxada e pisara a areia de Sesimbra para continuar a sessão passou. Mas foi mesmo isso que aconteceu? Se assim foi, uma onda de mão gigante parece ter chegado naquela noite e cobrou estudantes.

Um safou-se. O sucedido há de agregar-se a uma série de casos, conhecidos e desconhecidos, em que os atos de praxe são de lamentar. Que gozo andar na palhaçada: a vida, não Paris, é uma festa. Hemingway enganou-se. Como se deve divertir quem praxa. E quem é praxado? Depende, se calhar. Confesso que nem sempre se percebe o nexo, mas ele poderá existir. E nesse caso, não terão, supõe-se, as praxes todas o mesmo tom. Entre quem praxa, o risco entre divertimento supostamente inofensivo e crueldade pode ser quiçá difuso: onde termina um e começa o outro?

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Correio Março.abril.2014

Página 34 min

CORREIO MARÇO.ABRIL.2014 Mediunidade familiar Pelo interesse que as questões possam ter para mais leitores, passamos algumas linhas nesta página. Em 22 de dezembro, Jéssica escreve: «Tenho 20 anos e desde muito nova a minha avó materna teve ‘contactos’ com pessoas falecidas, falava com elas, mas não as via mas descrevia até pessoas que nunca tinha conhecido que tinham falecido há muito, o que a afetava. Lembro-me de a ver fazer coisas inimagináveis e ser 4 pessoas a tentar pará-la mas sem sucesso.

Um dia foi a uma senhora à suposta ´bruxa’, peço desculpa da expressão, que supostamente lhe roubou os seus dons desde essa altura que ‘acalmou’ mas avisou que iriam passar à sua filha, ou seja à minha mãe. Ela sofre com isso e sei que não quer esse fardo, ela não vê as entidades mas descreve-as e sabe o que pretendem mas consegue controlar. Já eu desde pequenina que vejo sombras, ou luzes muito brilhantes. Há poucos anos vi um senhor que nunca conheci mas ao descrevê-lo a minha mãe conseguiu saber quem era, (um familiar do meu ex-namorado).

Nos últimos 3 dias tenho visto duas senhoras uma mais nova e outra mais velha que não tenho a certeza se são a mesma e ao descrevê-las o meu namorado ele mostrou fotografias das senhoras que nunca conheci mas que tenho a certeza que eram elas. Quando isso aconteceu à minha mãe mesmo sem ver as entidades descrevo-as tal como as vi. Elas não falam comigo, só ficam a encarar - -me e mostraram-me a letra V que não sei o que significa.

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Março.abril.2014

Página 42 min

FEP Calendário disponível MARÇO.ABRIL.2014 A Federação Espírita Portuguesa (FEP) centraliza um calendário disponível para acolher as iniciativas agendadas pelas diversas associações espíritas, de forma a evitar sobreposições de datas que de outra maneira seriam quase inevitáveis: «Solicitamos a vossa cooperação, informando sobre as datas de eventos a realizar em 2014». A FEP está igualmente a trabalhar na melhoria do website e tem um interessante programa de produção de livros.

Para ir atualizando a sua informação face às iniciativas da Federação visite o seu site na internet: www.feportuguesa.pt. Seminário com Alírio Cerqueira Filho Dia 8 de fevereiro, entre as 14h30 e as 19h00, decorreu na sede da Federação Espírita Portuguesa, na Amadora, um seminário de Alírio Cerqueira Filho sobre “Como desenvolver projetos iluminativos, a era da transformação da Humanidade”. Encontro nacional de jovens espíritas Em abril, nos dias que compreendem as datas de 25 a 27, o encontro nacional de jovens espíritas (ENJE) deste ano será na Associação Espírita de Leiria.

Este evento já vem do século passado e começou, na sua primeira edição, nos dias 27 e 28 de julho de 1985, por se chamar Minicongresso de Jovens Espíritas. O local foi na freguesia de Águas Santas, subúrbio da cidade do Porto, e foi organizado pela Juventude Espírita Meimei. Correu tão bem que – já com o nome atual – o segundo foi organizado por jovens da Associação Espírita de Lagos, seguindo pelos anos fora. Assembleia Geral e formação em contas associativas Em 22 de março haverá a Assembleia Geral ordinária da FEP, para aprovação de contas.

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Breves

Página 53 min

Vida extraterrestre à luz do espiritismo Domingo, 26 de janeiro, entre as 15h00 às 18h30, realizou-se um seminário com o tema “A vida extraterrestre à luz do espiritismo”. Este evento teve lugar no Centro Espírita Perdão e Caridade, em Lisboa, e foi orientado por Antero Ricardo. Os módulos foram os seguintes: um oceano de mundos e sistemas; esclarecimentos doutrinários; a vida extraterrestre; fenómeno OVNI e considerações espíritas.

Medicina e a alma imortal Dia 26 de janeiro, domingo, entre as 10h00 e as 17h00, decorreu um seminário que abordou o tema “Medicina, Neurociências, Genética e a Alma Imortal”, com Sérgio Thiesen. Este evento teve lugar na Associação Espírita de Lagos. Baccelli em Portugal Carlos A. Baccelli esteve em Portugal em janeiro. Realizou um périplo de 14 a 29 desse mês, informa o Núcleo Familiar Espírita Mentor Amigo. O orador visitou cidades como Lisboa, Faro, Nazaré, Coimbra, Lagos, Porto, Águeda, entre outras.

Fraternidade e solidariedade No dia 27 de janeiro, segunda- feira pelas 21h00 teve lugar uma conferência espírita subordinada ao tema “Fraternidade e solidariedade”, nas instalações da Associação Cultural Espírita Estrela de Aveiro, na Rua Ciudad Rodrigo, n.º 12, R/C, no Bairro do Liceu, em Aveiro. Esta palestra foi apresentada por Fátima Gamelas e teve início às 21h00. Às sextas-feiras, 21h00, nesta associação há estudo do livro “O Evangelho Segundo Espiritismo” alternando com o estudo da mediunidade.

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Notícia

Página 63 min

No dia 3 de janeiro de 2014 o Centro de Cultura Espírita (CCE) de Caldas da Rainha fez 11 anos de idade. Ali, o convívio é pacífico e interativo. Objetivo: ser útil ao próximo, divulgando a cultura espírita. Começou com um grupo de dez pessoas, que, por carolice, formaram esta associação espírita. Dia após dia, ao longo de mais de uma década, sempre aberto, tem tido como prioridade servir seres humanos, não só do ponto de vista material como espiritual.

Tendo como lema espírita “Fora da Caridade não há salvação”, explica-nos um dos seus dirigentes que, tal significa que somente com caridade conseguimos evoluir espiritualmente e que a caridade começa em nós, pois somente sendo caridosos connosco podemos ser com os outros. Por exemplo, coisas simples mas difíceis: deixar de ser maledicente, aproveitando melhor o tempo em atividades úteis ao próximo, largar o orgulho, enfim, desenvolver virtudes existentes e desejadas e abstrair-se de defeitos que carreguemos, tendo como meta a felicidade individual.

Nestes 13 anos, conta-nos António Luís, vice-presidente, “fizemos de tudo um pouco: alfabetização de adultos, www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Onze anos a servir estamos a apoiar 13 famílias com bens alimentares, vamos a casa de pessoas doentes ou locais onde estejam acamados fazer o passe espírita (doação energética), temos um grupo de evangelização de crianças e um grupo de jovens, voluntariado, fazemos formação básica de espiritismo, educação da mediunidade, entre outros cursos, temos uma reunião semanal de intercâmbio com o mundo espiritual, conferências semanais, atendimento em privado semanalmente, passe espírita no fim da conferência pública, uma biblioteca e videoteca, livraria, bem como, recentemente, um grupo de pesquisa em torno da transcomunicação instrumental (TCI) procurando comunicar com o mundo espiritual através de aparelhos eletrónicos.

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Consultório Março.abril.2014

Página 73 min

CONSULTÓRIO MARÇO.ABRIL.2014 O táxi O dia corria normalmente, contando os minutos para o desempenho das tarefas rotineiras que vão dando cor à vida. Após múltiplos recados, era hora de ir buscar a filhota mais nova, à escola. Após recolhê-la, Teresa dirigiu-se para outra escola, a fim de buscar o seu filho mais velho. A azáfama em volta da escola era muita, com aquele movimento multicolor, típico de um dia de verão, onde desde crianças e jovens entram e saem.

Teresa aguardou que o seu filho saísse, enquanto ia falando dentro do seu carro, com a filhota de nove anos de idade. De repente, um carro parou à sua frente. Um senhor, na casa dos seus 45 anos de idade sai do carro e dirige-se ao café ao lado para comprar algo. Enquanto o senhor foi ao café, três adolescentes, na casa dos 15 ou 16 anos de idade, entraram no carro do senhor e lá ficaram. O senhor voltou do café, colocou a viatura em funcionamento e arrancou.

foto arquivo A filha da Teresa, muito perspicaz nos seus nove anitos de idade, disse: “Mãe aquele carro é um táxi, não é?” “Claro que não filha, os táxis têm um dístico no tejadilho, além do disso, aquele carro era azul-escuro. Dizes isso porquê?” Respondeu a filhota da Teresa: “É que o senhor entrou no carro, não disse nada aos rapazes e arrancou, pensei que fosse um táxi, pois se fosse o pai dos meninos, tinha-lhes dado um beijinho…”.

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Entrevista

Página 83 min

Nilson Pereira Um homem de bem Foi telegrafista do Ministério da Marinha, trabalhou na Empresa de Correios e Telégrafos e foi bancário. Organizou vários livros da lavra mediúnica de Divaldo Franco : “Terapia espírita para os desencarnados”, “A serviço do Espiritismo – Divaldo na Europa”, “... E o amor continua”, “Exaltação à vida”, “Vidas em triunfo” e “Viagens e entrevistas”. Mas também escrevia para a revista “Presença Espírita”, editada há 38 anos pelo Caminho da Redenção.

Em 30 de dezembro de 2005 foi agraciado (tal como Divaldo Franco) com o título de Embaixador da Paz no Mundo, concedido pela “Ambassade Universelle pour la Paix”, em Genéve (Suíça), capital da Organização Mundial da Paz, ligada à ONU. Tornou-se, assim, o 206.º Embaixador da Paz no Mundo. Colocamos em 2 de dezembro por correio electrónico a Divaldo Pereira Franco algumas perguntas sobre Nilson. - Quem era Nilson, que tipo de pessoa era?

Divaldo Pereira FrancoNilson foi, na Terra, um homem jovial e encantador, dedicado ao trabalho do bem desde que travou contato com o Espiritismo no ano de 1945. Na ocasião era marinheiro, posteriormente telegrafista dos Correios e, por fim, bancário, em cujo labor se aposentou. Portador de uma dedicação incomum, era considerado o “homem dos sete instrumentos”, pela sua capacidade de exercer as mais variadas funções em nossa Instituição, consertando tudo quanto lhe chegava às mãos.

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Entrevista (pág. 9)

Página 95 min

no período de educação da mediunidade, o fenómeno era tão pulsante que me levava à dificuldade de distinguir aquilo que era objetivo do que se passava no campo da paranormalidade. Eu via acidentes e assustava-me, obrigando Nilson a mandar-me para a parte de trás do carro, a fim de não o atrapalhar. Dessa forma não aprendi a conduzir veículos até hoje. Muitas vezes, eu era apresentado a uma pessoa e via-lhe o semblante.

Ao reencontrá-la, apresentava outra face, o que muito me confundia, porque dependia do acompanhamento espiritual daquele momento. - Qual o papel dele na Mansão do Caminho, que tipo de trabalhos eram da sua responsabilidade? Divaldo Pereira FrancoO papel de Nilson na Mansão do Caminho era de fundamental importância. Porque além de ser o grande trabalhador, também era o presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção e de todos os seus departamentos, incluindo a Mansão.

Não se detinha, porém, no que lhe era dever realizar, mas estava sempre disposto aos labores que se apresentavam, o que não eram poucos. Dormia pouco, a fim de atender a todos os compromissos, nunca ultrapassando 4h30 em média diariamente. - Nilson sempre viveu na sua retaguarda, apesar de caminharem lado a lado. Deu-lhe muito apoio nas suas viagens de divulgação espírita pelo mundo fora. Que tipo de espírita era, que tarefas espíritas tinha, como o classificaria, como espírita?

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Sociedade Stress

Página 102 min

Ele faz parte da vida e até ostenta vantagens: o drama instala-se sobretudo quando o stress se faz continuado, uma resposta dada à vida que o organismo acaba por pagar caro. MARÇO.ABRIL.2014 um fardo que interessa aliviar fotos arquivo O trabalho, o trânsito, os filhos, o cônjuge, os pais e… até as férias, meu Deus! Há alturas em que tudo gera tensão emocional, o jogo de duas palavras que do linguajar estrangeiro caiu em terras lusitanas com esta sonoridade peculiar: stress .

A vida citadina, comandada por um relógio inflexível, compartimenta a atividade diária e, para cumprir as obrigações, a mente subjuga-se aos imperativos de uma rotina que não olha a quê nem a quem. Somadas as camadas de tensão ao longo de vários anos, se não houver clareiras de paz, a saúde vai rompendo pelas costuras. Somadas as camadas de tensão ao longo de vários anos, se não houver clareiras de paz, a saúde vai rompendo pelas costuras.

As características mais frágeis do organismo afloram e aparecem doenças que não seriam de aparecer, pelo menos tão cedo. Nem sempre foi assim Se recuarmos na história da humanidade, verificamos que o stress pontual pôde até salvar vidas no período em que o ser humano não ocupava o topo da cadeia alimentar. O confronto com uma tribo concorrente ou com predadores, por exemplo, gerava respostas de suspensão de sistemas marginais, o imunitário inclusive, e fortalecia os sistemas necessários para a sobrevivência a curto prazo, como uma maior capacidade muscular, a acuidade das perceções, entre outras vantagens.

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Sociedade

Página 115 min

dia para se alimentarem e muito tempo livre de sobra. Espertos, têm uma mente inquieta. Resultado: frequentes tumultos sociais e psicológicos – afinal, algo muito parecido connosco, os humanos. Estes bandos de primatas podem alcançar uma centena de membros, com poderosos machos dominantes, normalmente mais agressivos, a alcançarem regalias tais como comida mais fácil e fêmeas acessíveis e abundantes. Ah! E lacaios também.

Imagine o leitor que caldinho de stress que salpica dali para fora. O cientista, através de análises de sangue de numerosos indivíduos do bando, percebeu uma relação invariável: os babuínos nos patamares inferiores da escala hierárquica do grupo tinham níveis altos de hormonas de stress . Somavam a essa peculiaridade um ritmo cardíaco mais acelerado e uma pressão sanguínea maior, bem com um sistema reprodutor a soçobrar.

Diz o investigador que durante a pesquisa houve uma alteração das chefias. Tudo porque, do lixo de um aldeamento turístico nas imediações do território dos babuínos, uma boa parte deles se alimentou de carne contaminada com tuberculose. A maior parte dos indivíduos mais agressivos e detentores de escassos laços sociais morreu. Machos do grupo, de hierarquia mais baixa, ascenderam na pirâmide social, mas curiosamente não transportaram para o seu comportamento a agressividade que caracterizava os chefes depostos pela doença.

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Opinião

Página 122 min

“O Livro dos Médiuns” (Segunda Parte, caps. XIV e XVI) detalha imensa variedade de tipos de mediunidade e refere também a mediunidade curadora, tal como a “Génese” (caps. XIII e XIV). Note-se porém que, mesmo em centros espíritas, as curas nem sempre ocorrem necessariamente por via mediúnica: às vezes sucedem pelo processo designado espiritual ou divino. Pelo menos na maioria das suas curas, Jesus actuava por seu próprio desígnio e poder; não como medianeiro de seres desencarnados, que apenas interviriam sob ordem sua.

O Messias não veio à Terra para sarar enfermos; mas fê-lo em profusão e recomendou o mesmo aos discípulos, sendo frequente a cura pela oração nos três primeiros séculos de cristianismo. Também o Espiritismo não surgiu para ser medicina alternativa; a sua conceituação, modelada na de Jesus, visa primordialmente o equilíbrio e paz na alma, pela renovação íntima; e isso sim: reconhecidamente gera saúde e cura físicas. Além do Espiritismo, as religiões pentecostais hodiernas privilegiam esta actividade; no último quartel do século XIX, foi sua notável precursora Mary Baker Eddy, fundadora da “Ciência Cristã” (“sabedoria crística”, será talvez mais inteligível a quem desconheça essa corrente).

Ignorarmo-la deliberadamente não seria sensato. A Sra. Eddy (1821-1910), desenganada pelos médicos após violenta queda no gelo, sarou instantaneamente ao reler na Bíblia duas curas efectuadas por Jesus. Persistente, ávida de conhecimento, impôs-se estudar o mecanismo do “milagre” que a bafejara; recolhida três anos em pesquisa e meditação, quase sem vida social, entendeu enfim o mecanismo psíquico usado pelo Bom Pastor e transmitido aos discípulos.

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Opinião (pág. 13)

Página 136 min

ual MARÇO.ABRIL.2014 pois independente, foi mais recentemente o haitiano Joel Goldsmith (1892-1964), cujos livros e cartas (traduzidos para Português pelo prof. Huberto Rodhen) atraíam pela singeleza e limpidez do discurso sobre o transcendente, tão “misterioso “ para profanos; leitores seus espalharam grupos de estudo pelos Estados Unidos. Entretanto, sob várias denominações religiosas crescia o movimento pentecostalista.

Comum a todas, era a busca dum cristianismo genuíno, com o desaparecido elemento de cura que a Sra. Eddy notoriamente recuperara e disseminara. O movimento inclui núcleos católicos de “renovação carismática”; uma das suas grandes figuras é o recém-falecido padre Emiliano Tardif, canadiano: sucediam muitas curas durante as missas que celebrava, em inúmeros países que solicitavam a sua visita. O padre Tardif, já ordenado, aderira aos grupos carismáticos depois da sua cura repentina de grave tuberculose pulmonar.

Caso notabilíssimo de cura espiritual muito bem documentada, foi em 2009 o do neurocirurgião americano Dr. Eben Alexander, meticulosamente narrado no seu livro Uma Prova do Céu (ed. Lua de Papel). Notável como espantosa ocorrência médica (recuperação total após meningite aguda de tipo raro, coma profundo e sete dias de morte cerebral), e notável por o protagonista, narrador convicto e convincente, ser professor de neurociências.

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Opinião (pág. 14)

Página 143 min

Abrem-se as portas. A partir desse momento, tudo se vai tornando mais claro. Se procuramos amor, encontramos. Se procuramos carinho, está lá. Se procuramos uma palavra amiga, está sempre presente. Se procuramos abraços, são às dezenas. Encontramos mil e um afetos dos quais, e felizmente, ficamos dependentes. A chave abre qualquer porta. Estejamos, nós, disponíveis. Guardamos carinhosamente o chaveiro, porque transporta a chave mais preciosa: a do amor.

O altíssimo sentimento que nos mantém mais perto de Deus e uns dos outros. O amor não dorme! Nós é que nos permitimos adormecer, por vezes... A chave deverá estar sempre disponível nos Centros Espíritas. A chavea do amordeve ser partilhada, vivida e celebrada. As sementes, que temos a obrigação de espalhar, tornam - -se potenciadoras de amor, carinho e palavras do bem no coração de tantos outros. Nem sempre, quando abrimos a porta, a luz é nítida.

As maravilhas de Deus, tão gentilmente oferecidas, são desfiguradas por pensamentos perturbadores, tristes e infelizes. Porque este senhor, no qual depositamos os sentimentos, e a que chamamos de coração, por vezes, carrega dores que corroem, levando o corpo e a mente por marés atribuladas. Depois, levantamos a cabeça. E continuamos. Ainda que pelo caminho surjam recaídas. De imediato, são tantas as mãos que se estendem.

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Opinião (pág. 15)

Página 153 min

Pelo acesso que dispõem a um mundo que para muita gente é um completo enigma, os médiuns são figuras míticas que, encaixando num perfil que as pessoas idealizam para a sua conduta, encarnam um papel de quase semideuses, caso contrário, acabam perseguidos por críticas vorazes, cáusticas, que revelam uma grande dose de insensibilidade. A atitude idólatra, a mitificaçãoeo culto de personalidades é um vício milenar da humanidade, uma postura comodista que é aproveitada pelos interesses mais mesquinhos para subjugar e manipular consciências em nome da fé.

Porventura mais grave do que isso, este tipo de comportamentos alimenta a ideia de que existam pessoas privilegiadas e infalíveis, mensageiros predilectos das inteligências superiores. Os pedestais que vão sendo construídos para essas pessoas são tão elevados e sumptuosos que quem os erige se vai diminuindo diante deles ao ponto de não reconhecer o seu poder interior, confundindo admiração com adoração, trocando a referência pelo mito.

Tendo sido criada contra qualquer elitismo e sectarismo, a Doutrina Espírita, como uma proposta educativa do ser humano, defende que a mediunidade não é um privilégio de ninguém. A mediunidade é uma condição natural do desenvolvimento sensitivo do ser humano, que permite a percepção de factos relacionados com o ambiente mental, emotivo e espiritual que nos rodeia. A sensibilidade mediúnica é um fenómeno da vida que todos possuímos em maior ou menor grau.

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Mas chega sempre o tempo em que a fome espiritual faz o espírito rever

Página 166 min

os seus hábitos, atitudes e buscas. Todos os invernos percorro as ruas da cidade só para admirar a beleza das cameleiras. Porém, por não ter olfato, não posso sentir-lhes o aroma. Esta limitação do meu corpo físico poderia ser motivo para deixar de gostar de camélias, mas não é. Nas mais diversas situações da nossa vida, quando nos confrontamos com alguma limitação nossa, dos outros ou do mundo temos de escolher entre rendermo-nos a essa limitação ou olhar para além dela.

Por isso, em todos os prazeres do mundo, as suas limitações devem ser questionadas. Quais são essas limitações? A primeira é ser impermanente. Existe um sofrimento inerente para se conquistar algo bom e um sofrimento inerente quando esse algo se perde. A segunda limitação é relativa ao tempo e à qualidade do que queremos usufruir. Nem sempre o que conquistamos preenche todas as projeções que o esforço criou. Parece que falta sempre mais alguma coisa.

A nossa mente só conhece a felicidade dessa forma limitada, efémera e, portanto, tem o hábito de correr para aquilo que já conhece, para o palpável. Todo o espírito encarnado na Terra goza da condição de filho pródigo. Cabe-nos escolher entre gastar essa herança com a consciência da presença divina em nós ou os prazeres que serão sempre limitados e que, por vezes, nos afundam em conflitos existenciais. O desejo pelo mundo não nos muda, pois, tal como disse Jesus, a felicidade não é deste mundo.

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Vídeo / Literatura

Página 173 min

VÍDEO / LITERATURA Visto do céu Estamos perante a melhor biografia do insigne codificador do Espiritismo feita até ao presente, não obstante o bom trabalho do seu compatriota André Moreil, Vida e Obra de Allan Kardec, publicada em Paris em 1961, considerada já um clássico biográfico de Kardec. Também registamos a vasta pesquisa biobibliográfica realizada por Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, em três volumes intitulados Allan Kardec, publicada em 1979 e 1980 para homenagear os centenários da revista «Reformador» (1983) e da «Federação Espírita Brasileira» (1984), que consideramos falha, não obstante a grande riqueza de dados pesquisados, porque ignora, quase por completo, a maior fonte de informações sobre o trabalho titânico do Mestre de Lyon, que sem qualquer sombra de dúvidas é a Revista Espírita (periódico mensal), que abrange o período que vai da Janeiro de 1858 a Abril de 1869.

São 136 números, organizados e redigidos integralmente por Kardec, que retractam com fidelidade a história da elaboração da Codificação Espírita após a publicação da 1ª edição de O Livro dos Espíritos, em 1857, até ao passamento de Allan Kardec a 31 de Março de 1869. A tese fulcral dessa pesquisa dos dois companheiros da FEB, que passa despercebida aos neófitos e aos espíritas que não se interessam pelos estudos sérios, é fazer crer que não existe incompatibilidade entre a obra de Allan Kardec e as teses absurdas de J.

B. Roustaing, advogado na antiga cortem imperial de Bordéus, que agride frontalmente o Consolador com «Os Quatro Evangelhos», publicados em 1866, pois que põem em causa a omnisciência do Criador e recuperam dogmas da Igreja. Infelizmente a veneranda Federação Espírita Brasileira, em toda a sua história ignorou esse acervo doutrinário que é a Revista Espírita, nunca se interessando em traduzi-la, pois se o fizesse veriam como Allan Kardec rejeitou diplomaticamente, mas liminarmente, a obra que arrogantemente Roustaing cognominou de «Revelação da Revelação».

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Entrevista a dirigentes Maria Luísa Rosa é médica-dentista e vive em L

Página 184 min

WWW Entrevista a dirigentes Maria Luísa Rosa é médica-dentista e vive em Lisboa. foto direitos reservados Como conheceu o Espiritismo? Maria Luísa RosaConheci o Espiritismo do modo mais comum, a dor, a perda de um ente querido, foi a chicotada psicológica. Assunto este que até então era impensável, pesquisar ou mesmo admitir. As chamadas coincidências (que agora sei não existirem) foram tantas que me levaram a procurar respostas.

Frequenta algum centro espírita? Qual? Maria Luísa RosaFrequento um centro espírita em Lisboa, Grupo Espírita Batuíra, em Algés. Faço também parte da AME, Associação Médica Espirita. Qual a sua opinião acerca do “Jornal de Espiritismo”? Maria Luísa RosaO «Jornal de Espiritismo» é um excelente meio de divulgação e informação, abordando sempre temas atuais e esclarecedores para quem ainda está no início do conhecimento, ou para quem quer estar a par das novidades e palestras.

Do que já conhece do espiritismo mudou alguma coisa na sua vida? Maria Luísa RosaSou espirita há relativamente pouco tempo. Se mudou a minha vida! Talvez, em alguns pontos, principalmente a minha visão sobre o que na realidade somos e porque estamos aqui e agora. Nós somos muito mais do que só matéria, somos um projeto muito complexo do qual ainda não conhecemos nem uma décima parte. O meu modo de olhar para os que comigo fazem a mesma caminhada neste belíssimo planeta mudou muito e a minha compreensão também.

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Foi o desespero pela desencarnação da filha com 20 anos de idade e as

Página 193 min

imagens que ela descrevia próximo da morte, vendo o que mais ninguém via, que levaram o coronel Faure da Rosa a debruçar-se sobre o estudo da doutrina espírita, ocupando por diversas vezes o cargo de presidente da F.E.P. (Federação Espírita Portuguesa)? Kardec verificou, em visitas a diversa famílias que o receberam, que as crianças educadas nos princípios espíritas adquirem uma capacidade de raciocinar precoce, que as torna infinitamente mais fáceis de serem conduzidas?

O apelido de “O Batuíra” (ave muito ligeira e de voo rápido) foi atribuído a António Gonçalves da Silva, destacado vulto do Espiritismo no Brasil, pelos habitantes de São Paulo, pelo modo como, quando na sua juventude, ia de casa em casa, entregando jornais, correndo, alegre, e conquistando simpatias? Porque caminha ao lado do progresso, o Espiritismo jamais estará ultrapassado; se novas descobertas demonstrarem que está em erro em algum ponto, ele modificar-se-á nesse mesmo ponto?

Na velha China havia um homem viúvo que morava com as suas duas filhas, ainda jovens, duas meninas muito curiosas e inteligentes. Elas faziam sempre muitas perguntas. A algumas, ele sabia responder, mas a outras não. Como queria a melhor educação para as suas filhas, o homem enviou-as para passarem férias com um velho sábio que morava no alto de uma colina. E este, por sua vez, respondia a todas as perguntas sem hesitar.

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Última Março.abril.2014

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ÚLTIMA MARÇO.ABRIL.2014 organização para tema central destas jornadas a «Saúde Espiritual». Desdobrado em vários painéis, estarão focadas diversas áreas do conhecimento espírita na área da saúde. A abertura está a cargo de um neuropsicólogo, Manuel Domingos. Depois serão abordados por diversos conferencistas assuntos como «Doenças e tratamentos na História», «Distúrbios radicados em vidas passadas», «Saúde espiritual, equilíbrio e perspectivas», «Natureza, fonte de saúde espiritual», «Contabilidade espiritual», «Otimismo», «Saúde espiritual e tecnologia», «Cirurgias mediúnicas de José Arigó», «Desobsessão», «O passe espírita», «Educação da mediunidade».

O encerramento do evento estará a cargo da psiquiatra Gláucia Lima, «Que saúde espiritual para o 3.º milénio?». As inscrições, face à capacidade do auditório, estão limitadas ao número de 198 lugares. Podem ser feitas em http://adeportugal.org/jornadas. Estas jornadas contam com preciosa ajuda dos companheiros do Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha, e da Associação Cultural Espírita de Alcobaça.

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