63 — índice de conteúdos

Sociedade Stress

Jornal de Espiritismo nº 63 · Outubro 2014Página 102 min

Partilhar
Idioma

Ele faz parte da vida e até ostenta vantagens: o drama instala-se sobretudo quando o stress se faz continuado, uma resposta dada à vida que o organismo acaba por pagar caro. MARÇO.ABRIL.2014 um fardo que interessa aliviar fotos arquivo O trabalho, o trânsito, os filhos, o cônjuge, os pais e… até as férias, meu Deus! Há alturas em que tudo gera tensão emocional, o jogo de duas palavras que do linguajar estrangeiro caiu em terras lusitanas com esta sonoridade peculiar: stress .

A vida citadina, comandada por um relógio inflexível, compartimenta a atividade diária e, para cumprir as obrigações, a mente subjuga-se aos imperativos de uma rotina que não olha a quê nem a quem. Somadas as camadas de tensão ao longo de vários anos, se não houver clareiras de paz, a saúde vai rompendo pelas costuras. Somadas as camadas de tensão ao longo de vários anos, se não houver clareiras de paz, a saúde vai rompendo pelas costuras.

As características mais frágeis do organismo afloram e aparecem doenças que não seriam de aparecer, pelo menos tão cedo. Nem sempre foi assim Se recuarmos na história da humanidade, verificamos que o stress pontual pôde até salvar vidas no período em que o ser humano não ocupava o topo da cadeia alimentar. O confronto com uma tribo concorrente ou com predadores, por exemplo, gerava respostas de suspensão de sistemas marginais, o imunitário inclusive, e fortalecia os sistemas necessários para a sobrevivência a curto prazo, como uma maior capacidade muscular, a acuidade das perceções, entre outras vantagens.

Certo é, porém, que nos grupos sociais a tensão emocional encontra nuanças impensáveis, em jeito de catalisador. As respostas próprias de situações quase permanentes de stress sucedem-se no quotidiano. Chefias e babuínos Sabendo isso, Robert Sapolsky, professor de neurologia da Universidade de Stanford, EUA, durante vários anos observou no final do século XX grupos de babuínos selvagens em África, concretamente em Masai Mara.

O objetivo que perseguia era o de saber mais sobre stress através das interações que os babuínos estabelecem entre si. Estes grupos, fortemente hierarquizados, sugeriam um belo conjunto de dados à espera de serem colhidos.