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Entrevista (pág. 9)

Jornal de Espiritismo nº 63 · Outubro 2014Página 95 min

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no período de educação da mediunidade, o fenómeno era tão pulsante que me levava à dificuldade de distinguir aquilo que era objetivo do que se passava no campo da paranormalidade. Eu via acidentes e assustava-me, obrigando Nilson a mandar-me para a parte de trás do carro, a fim de não o atrapalhar. Dessa forma não aprendi a conduzir veículos até hoje. Muitas vezes, eu era apresentado a uma pessoa e via-lhe o semblante.

Ao reencontrá-la, apresentava outra face, o que muito me confundia, porque dependia do acompanhamento espiritual daquele momento. - Qual o papel dele na Mansão do Caminho, que tipo de trabalhos eram da sua responsabilidade? Divaldo Pereira FrancoO papel de Nilson na Mansão do Caminho era de fundamental importância. Porque além de ser o grande trabalhador, também era o presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção e de todos os seus departamentos, incluindo a Mansão.

Não se detinha, porém, no que lhe era dever realizar, mas estava sempre disposto aos labores que se apresentavam, o que não eram poucos. Dormia pouco, a fim de atender a todos os compromissos, nunca ultrapassando 4h30 em média diariamente. - Nilson sempre viveu na sua retaguarda, apesar de caminharem lado a lado. Deu-lhe muito apoio nas suas viagens de divulgação espírita pelo mundo fora. Que tipo de espírita era, que tarefas espíritas tinha, como o classificaria, como espírita?

Divaldo Pereira FrancoEm razão do seu caráter de homem de bem, jamais se apresentava, mantendo-se sempre discreto em todas as situações, em Salvador ou viajando pelo mundo. Era-me, no entanto, o grande apoio, a solidariedade, o concurso amigo para quaisquer situações. Embora de formação cultural primária, escrevia muito bem e falava com correção de linguagem. Era um verdadeiro espírita, conforme o conceito apresentado por Allan Kardec.

- Ele recebeu um alto galardão como cidadão mundial defensor da paz. Como foi isso, pode por favor explicar- -nos? Divaldo Pereira FrancoPara nossa surpresa, no mês de dezembro de 2005, nós os dois fomos indicados como Embaixadores da Paz no mundo, sem jamais sabermos como isso aconteceu em Genéve, através do Instituto para a Paz no Mundo. - De acordo com um livro publicado, Nilson teria sido seu irmão, ambos filhos de Joana de Cusa, e Nilson foi sacrificado, juntamente com sua mãe Joana de Cusa, atualmente sua guia espiritual, Joanna de Ângelis.

Divaldo Pereira FrancoEm realidade, conforme as informações espirituais, ele teria sido queimado vivo com a sua mãe, Joana de Cusa, que mais tarde se identificaria como Joanna de Ângelis. Ainda, segundo as mesmas fontes, teríamos ambos retornado ao conhecimento e convivência da doutrina cristã ao tempo de Francisco de Assis, na Úmbria e, posteriormente na Escócia... - Nilson teve vários problemas de saúde graves e desencarnou de cancro.

Todas essas dores foram expiação ou contingências de um ser terreno, em provas escolhidas? Divaldo Pereira FrancoAs problemáticas na área da saúde foram decorrência de comportamentos infelizes em existências passadas, que ele soube administrar muito bem, sem jamais haver-se queixado ou reclamado. Sempre paciente, foi um exemplo de resignação. - Quarenta dias depois da sua desencarnação ele comunicou através da sua psicofonia, Divaldo.

Como foi esse momento? Divaldo Pereira FrancoHavíamos combinado que ao ocorrer qualquer problema com um de nós, o outro continuaria no trabalho. Desse modo, durante toda a sua enfermidade final, eu mantive a programação de viagens e os compromissos firmados, indo ao hospital para o acompanhar nas demais horas. Quando ele desencarnou eu encontrava-me em viagem e prossegui, não havendo participado do seu sepultamento. Ao concluir o labor e retornar, fui diretamente ao cemitério, orar junto à sua tumba, sem extravasar a imensa dor que me dominava e ainda permanece mais suavizada.

Nesse ínterim, após a desencarnação, tive uma visão dele, quando do nosso movimento “Vocêea paz”, ele apareceu-me amparado pela benfeitora Joanna de Ângelis e acenou-me sorrindo. Posteriormente, num momento de profunda reflexão e dor, ouvi-lhe a voz, que me disse: “- Di, não quero você triste nem deprimido. A sua alegria é importante para auxiliar outras pessoas...”. No dia da mensagem psicofónica, vivenciei sentimentos de interiorização até ao momento, na reunião, quando ele nos ofereceu a página consoladora, durante um transe inconsciente de minha parte, que muito me refrigerou o coraçãoea mente.

- Palavras finais sobre Nilson Pereira e outras aos leitores do “Jornal de Espiritismo”? Divaldo Pereira FrancoEspero que o exemplo desse homem nobre e simples, sirva de demonstração atual de que é possível viver Jesus nos dias modernos. Por José Carlos Lucas MARÇO.ABRIL.2014 VITÓRIA DA VIDA Meus irmãos: sou eu quem volta sob a proteção da Divina Misericórdia. A vida triunfa sobre a morte, e, há 40 dias desde o momento final no corpo, o amor incondicional do Pai prossegue socorrendo-me de modo que neste momento eu possa dizer com o coração túmido de saudade mas com o Espírito exultante: estou vivo!

Tenho orado com fervor aguardando este momento de reencontro para agradecer a Deus a felicidade incomparável da longa existência aureolada de bênçãos que reconheço não merecer. Nossa Benfeitora trouxe-me hoje, às vésperas do encerramento do ano, para agradecer tudo quanto recebi durante a existência e, particularmente, nos dois últimos anos de impedimento e de limitação. De alma ajoelhada agradeço o devotamento, o respeito, o carinho de que fui objeto, mais especialmente a vigília dos filhos, de Gerulina, das cuidadoras e a paciência dos irmãos da Casa Grande, que não se enfastiaram com o meu demorado processo de libertação.

Agradeço as homenagens que me foram oferecidas, as condolências, as lembranças, todo este colar de bondosas referências que não condizem com a minha existência humilde, sempre em plano secundário, de trabalhador braçal que sempre me considerei... Desejo registar as emoções profundas, falar das alegrias incontáveis do reencontro com os seres queridos, alguns dos quais de saudosas recordações. Agradeço a todos que não me atrevo a nomear, que usaram de misericórdia para com o velho amigo causador de problemas...

Que me perdoem os erros que não pude superar, as imperfeições que não consegui corrigir e a pequenez que não pude transformar em grandeza moral. Comovo-me com as saudades daqueles que me amam e suplico que sejam felizes. Suplico a Deus que transforme nossa Casa de amor num santuário de misericórdia, porque tudo passa mas o amor permanece. Ninguém nunca se arrependerá por ter agido com misericórdia, compaixão e amor. Que o nosso ninho de esperança permaneça como o lar dos que não têm abrigo, a estância, última que seja, para o repouso, na certeza de que, aqui entre nós de ambos os lados, Jesus estará de braços abertos dizendo com suavidade: Vem, meu filho, este lar é teu!

Perdoem-me as emoções. É a primeira experiência. Embora preparando-me para este momento, a mente desatrela o corcel das lembranças, das saudades, da gratidão... Eu suplico que as preces continuem envolvendo-me para que eu possa corresponder às expectativas dos corações que me amam. Paz e misericórdia, gratidão profunda e súplica em favor de todos os que sofrem. O velho companheiro agradecido, Nilson.