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Consultório Março.abril.2014

Jornal de Espiritismo nº 63 · Outubro 2014Página 73 min

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CONSULTÓRIO MARÇO.ABRIL.2014 O táxi O dia corria normalmente, contando os minutos para o desempenho das tarefas rotineiras que vão dando cor à vida. Após múltiplos recados, era hora de ir buscar a filhota mais nova, à escola. Após recolhê-la, Teresa dirigiu-se para outra escola, a fim de buscar o seu filho mais velho. A azáfama em volta da escola era muita, com aquele movimento multicolor, típico de um dia de verão, onde desde crianças e jovens entram e saem.

Teresa aguardou que o seu filho saísse, enquanto ia falando dentro do seu carro, com a filhota de nove anos de idade. De repente, um carro parou à sua frente. Um senhor, na casa dos seus 45 anos de idade sai do carro e dirige-se ao café ao lado para comprar algo. Enquanto o senhor foi ao café, três adolescentes, na casa dos 15 ou 16 anos de idade, entraram no carro do senhor e lá ficaram. O senhor voltou do café, colocou a viatura em funcionamento e arrancou.

foto arquivo A filha da Teresa, muito perspicaz nos seus nove anitos de idade, disse: “Mãe aquele carro é um táxi, não é?” “Claro que não filha, os táxis têm um dístico no tejadilho, além do disso, aquele carro era azul-escuro. Dizes isso porquê?” Respondeu a filhota da Teresa: “É que o senhor entrou no carro, não disse nada aos rapazes e arrancou, pensei que fosse um táxi, pois se fosse o pai dos meninos, tinha-lhes dado um beijinho…”.

Teresa engoliu em seco, e eu, quando soube da história, fiquei a pensar com os meus botões, as vezes que já terei sido “taxista”: pela minha contabilidade, poucas ou nenhumas, felizmente! A doutrina espírita ensina em “O Livro dos Espíritos”, na Lei de Sociedade, o porquê de vivermos em família, para evoluirmos em conjunto, quer intelectualmente quer moralmente. Também aprendemos com os Espíritos superiores que os “nossos” filhos são seres (por vezes mais velhos espiritualmente que nós) que Deus nos envia, na condição de filhos, para que os orientemos, eduquemos e amemos dentro do possível, para que, assim, paulatinamente, a sociedade se regenere, melhorando-se.

Fico a torcer pelo tempo que não haverá mais pais “taxistas” e, em que o interesse, o carinho, a interação mútua, a ternura sejam apanágio de todos, no quotidiano. Aí, estaremos a amar, a ensinar a amar e a semear amor, para que, amanhã, o possamos colher, quando os filhotes de agora forem os homens e mulheres do amanhã. “A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória”, já referia Jesus de Nazaré há mais de dois mil anos… Por José Lucas Mediunidade a educar Conhecendo bem a doutrina espírita, Gláucia Lima, psiquiatra, dá continuidade a esta secção do jornal e responde a uma dúvida colocada na presente edição.

Fernando LuísSou próximo de uma amiga que, na casa dos 30 anos de idade, reconhece a necessidade de educar a sua sensibilidade mediúnica, particularmente a área da psicofonia. Contudo, ela disse-me um destes dias que quando sente uma aproximação de entidade espiritual há uma perna dela que tende a abanar. Ela controla, mas não sabe se isso é normal. Será mesmo psicofonia, a chamada “incorporação” na terminologia vulgar ou poderá ser alternativamente uma espécie de regressão de memória a traumas de vivências antigas?

Dr.ª Gláucia Lima – Na minha experiência, esse tipo de sintomatologia é muito frequente aquando do início do desenvolvimento da mediunidade. Sabemos isso. Ou seja, quando a pessoa entra em estado modificado de consciência, não tem a ver necessariamente com a aproximação de entidades menos esclarecidas ou com traumas emergentes mas sim com o próprio fenómeno do transe em si – será uma descarga adrenérgica sobre o sistema nervoso periférico.

À medida que for havendo maior controlo sobre a mediunidade, e sobre ela mesma, é de prever que venha a ocorrer maior controlo do sintoma que, por si só, não é “maligno”. Quero dizer, não lhe faz mal, pode é criar algum desconforto ou assustá-la com uma falsa sensação de que não consegue controlá-lo. Quanto mais tensa estiver maiores são os tremores. Se ela relaxar os tremores tendem a diminuir e até a desaparecer. Onde pára a sua pergunta?

Agora é a sua vez, caro Leitor. Não deixe de colocar as suas perguntas nesta secção do jornal! Iremos publicando edição após edição, a começar pelas que possam, no nosso critério, servir a curiosidade do maior número de leitores. Não hesite! Envie a sua pergunta para jornal@adeportugal.org colocando no assunto “Consultório”.