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Crónica (pág. 11)

Jornal de Espiritismo nº 64 · Maio 2014Página 115 min

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No estudo verifica-se que este grupo de pessoas sofre um risco mais acentuado de contraírem doenças cardiovasculares, por exemplo. Os casos que passaram por este quadro de elevada instabilidade emocional na vida intra-uterina despoletaram alterações no sistema nervoso do feto enquanto este sofria de inanição – hoje, verifica-se não apenas um acréscimo de acumulação de gordura mas alguma dificuldade acrescida de conseguirem aprender enquanto adultos.

Neste grupo, a facilidade com que se entra em depressão e perturbações afins revela-se acentuada. Um outro item de pesquisa deriva de Elisabeth Blackburn, investigadora da Universidade da Califórnia, nos EUA. A cientista centrou-se num grupo de mães de crianças portadoras de deficiência. É normal não terem tempo para si próprias e acabam por envelhecer mais rapidamente. Nas células destas mães a equipa de Elisabeth verificou uma constante: danos na estrutura dos cromossomas.

Os telómeros – detalhe anatómico que protege as extremidades dos cromossomas e os defende do desgaste – no envelhecimento tendem a ficar menores. Verificou também a existência de efeitos curativos resultantes do convívio do grupo. Isso quer dizer que criar laços afetivos e ajudar os outros pode contribuir para reparar danos desta ordem. É bom gerar bem-estar interior Aparentemente hoje não se está em guerra por estas bandas, claro.

Pelo menos de metralhadoras. Hoje como ontem, a guerra começa por se fazer através da economia. Para muitas famílias as preocupações recriam a espada de Dâmocles e nascem do alfobre do dia-a-dia. Urge por isso criar intervalos, de forma a desligar os efeitos indesejáveis da tensão emocional continuada e não criar stress, lá em casa, por bagatelas do género “ainda não sabes que este não é o meu talher?” ou por conflitos evitáveis no ambiente profissional.

Uma mente centrada na rejeição sistemática do meio em que se movimenta pode gerar doenças psicossomáticas. Dentro desta palavra cabem as moléstias corporais que são causadas por disparos emocionais. Existe até uma disciplina científica que leva consigo a palavra psicossomática e que pretende estudar os efeitos de fatores sociais e psicológicos sobre processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar das pessoas. Ou seja, o corpo físico pode ostentar uma doença que resulta da tensão emocional do indivíduo em causa.

Isso permite perceber que a psicossomática lida muito com o limiar de tolerância à frustração que varia de pessoa para pessoa, obviamente. Olhar para a vida sem clareiras de otimismo ou deixar de destacar as qualidades das pessoas que se relacionam connosco no dia-a-dia, uma vez que as possuem, sem precisar de andar a fazer elogios sem sentido, também é fonte de tensão. Quem somos? Quem somos, de onde viemos, que fazemos aqui, para onde vamos?

A resposta que o espiritismo dá a estas indagações se for vista com alguma inteligência permite reduzir o stress através do uso de uma ferramenta acessível que trazemos connosco, muito à nossa maneira, é certo, de vida anteriores: o bom senso. Mais do que uma mera crença, os factos falam em qualquer tempo da humanidade do ser que é muito mais do que a matéria em que se move, e que esta é uma ferramenta temporária, porém assaz valiosa, para ser utilizada com fins pragmáticos de sabedoria e amor.

No Além Morto o cão acaba a raiva, dizia-se quando esta doença era vulgar. Bem, será assim tanto quanto os sentidos do corpo físico aguentam. Diferente é a informação que se colhe na experiência de atender dramas humanos no pós-vida que atendemos através de reuniões mediúnicas criadas no fito de ajudar quem para o outro lado da vida parte e se mantém mentalmente fechado em perturbações que decorrem da ignorância. Mesmo no vasto número de casos de pessoas que atravessaram a morte corporal, e portanto já não estão ligadas de algum modo ao corpo físico, uma mão-cheia mantém as sensações de desconforto e aflição como se estivessem fortemente auto-sugestionados para esse efeito.

Um caso recente surge na memória e serve de exemplo. O médium, em altura adequada da reunião entra em transe e altera a expressão. Começa a falar com alguma dificuldade na pronúncia e evidencia as mãos engelhadas. À medida que em jeito de saca-rolhas a conversa decorre, fica a perceber-se que este Espírito foi uma pessoa corcunda. Exterioriza as preocupações banais de um estado de confusão, sem sequer ter percebido que já tinha falecido.

A dada altura refere: «Ninguém me liga… dantes ainda me insultavam». Depois acentua: «Tu estás a falar comigo agora, já não é mau». Sublinha então a pessoa que atende a entidade espiritual: «Já falas melhor, vês?». À medida que se retira a mente da banalidade, se introduzem no diálogo ideias com carga afetiva construtiva, harmoniosa, o espírito comunicante começa a ver o que antes não via: os amigos do plano espiritual que o levaram ali a comunicar-se e que agora podem interagir com ele de forma eficaz, após a envolvência anímica.

A vida continua já fora do nosso acompanhamento, tudo em paz. Testar hoje Ter a informação correta só por si não serve de muito. A sabedoria está em aplicá-la, depois de a entender e filtrar. Uma mente centrada na rejeição sistemática do meio em que se movimenta pode gerar doenças psicossomáticas. A verdade é que uma acentuada redução de tensão emocional teria impacto na sociedade, não sóanível do organismo material – não assinala os mesmos problemas derivados do stress a provocarem pressão sanguínea alta, por exemplo, nem problemas de química cerebral relacionados com ansiedade e níveis de hormonas de stress – mas também no patamar das suas sintonias espirituais.

Algo não menos importante. Jesus referia o alvitre precioso: orai e vigiai. A prece mais não é do que reter ideias e sentimentos elevados e vigiar não passa de um crivo que nos permita estar conscientes dos passeios mentais por que normalmente optamos. Temos aprendido com os amigos da Espiritualidade que uma das maneiras mais construtivas de estar em grupo, ou de nos relacionarmos com outrem, mais do que esperar receber é dar.

O mundo melhor com que todos sonhamos em qualquer milénio passará obrigatoriamente por aí. Texto: Jorge Gomes MAIO.JUNHO.