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Jornal de Espiritismo nº 65 · Abril 2014Página 74 min

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Visãomediúnicaesensaçõescontroladas Mário AntónioTemos uma reunião mediúnica com duas médiuns com vidência bastante expressiva. Porém, com alguma frequência não veem exatamente os mesmos quadros, se assim podemos dizer. Não deveriam ver o mesmo? Gláucia Lima – As duas médiuns possuem a mesma faculdade mediúnica e naturalmente podem numa reunião mediúnica ser sensibilizadas pelos espíritos a perceberem ou captarem os mesmos “quadros” ou situações espirituais, porém, podem numa mesma reunião mediúnica serem levadas a perceberem situações espirituais diferentes e que estejam mais relacionadas com a sua sintonia mental.

Vamos supor que a médium (A) sintonize durante a reunião mediúnica com um espírito X (desencarnado), em sofrimento, com sentimentos de ódio e sede de vingançaeovê a influenciar uma mulher Y (encarnada) para quem se está a pedir auxílio durante a vibração na reunião. E outra médium (B), também com faculdades de vidência, durante esta mesma vibração, vê um quadro mental de uma mulher Y, a trair um homem X, quando ainda encarnado, numa outra encarnação, nunca a tendo perdoado.

Nesta situação, muito frequente nas reuniões, as duas médiuns de vidência, foram utilizadas pela Espiritualidade a fim de se ter uma compreensão mais ampla da situação da mulher Y, por quem se faz a vibração. As duas médiuns tiveram vidências distintas dentro de uma mesma situação/ problema. Podemos dizer que se trata de um fenómeno mediúnico porque houve interferência do mundo espiritual na ocorrência dos mesmos. Caso, uma ou outra médium, pela sua simples capacidade durante a vibração captassem os quadros sem interferência dos espíritos, seria simplesmente uma faculdade anímica ou da alma, a foto loucomotiv faculdade não seria a vidência e sim a clarividência, também conhecida como vidência, sem limites do tempo e do espaço, mas, sem a interferência do mundo espiritual.

Eomédium, aqui seria, um sensitivo. Poderíamos também admitir, outra condição em que o médium B sintonizasse com outra situação trazida para a reunião e, durante a vibração, captasse uma imagem espiritual diferente da primeira, que estivesse relacionada, com um tema que viesse a ser tratado naquela reunião em particular, com ou sem o conhecimento do médium. Lembramos, que os encarnados numa reunião mediúnica fazem parte da equipa, e os espíritos desencarnados, guias e mentores espirituais é a outra parte da equipa, que têm a programação dos trabalhos e do auxílio do “lado de lá”.

O melhor êxito de uma reunião acontece quando este trabalho de equipa se faz com harmonia e equilíbrio, facilitando o intercâmbio e permitindo a comunicação. Façamos a nossa parte, para que os espíritos possam fazer a deles e juntos trabalharmos em uníssono. Maria FernandaNas reuniões práticas da mediunidade, por vezes, através da psicofonia, há médiuns que se exprimem com envolvimentos dolorosos, como ocorre nos casos de suicídio.

Mas, tendo em conta a brevidade de pouco mais de uma hora de uma reunião destas, como se compreende que essas “dores” no final da reunião desapareçam tão facilmente? Gláucia Lima – Durante a psicofonia, popularmente e erroneamente denominada de mediunidade de “incorporação”, é comum, frequente, o médium registar, até fisicamente, sensações, por vezes intensas e dolorosas do espírito comunicante, que muitas vezes tem a ver com as fixações mentais do espírito no seu quadro de dor e sofrimento.

Não obstante esta característica desta faculdade mediúnica, convém ressaltar que o termo (in)corporar, nada tem a ver com entrar, tomar o corpo, adentrar, ou tomar posse, conforme o conceito popular. O espírito durante o ato da comunicação mediúnica não toma “posse do corpo”, do médium, mas, sim, em grau maior ou maior, da sua mente. E como isso ocorre? Sendo a mediunidade um processo mental, acontece através do fenómeno da telepatia.

Para tal, definimos telepatia, não somente, como uma transmissão de pensamentos, mas, de sentimentos, ações e impulsos. Durante a psicofonia, que é a mediunidade através da qual os espíritos utilizam o médium através da fala, podemos pois entender que os espíritos transmitam as suas ideias, as suas emoções, os seus sentimentos e que estas venham acompanhadas com as suas dores emocionais, que também podem ser registadas e sentidas pelo médium.

Tendo-se o espírito afastado e terminada a influência espiritual, entende-se que levem consigo as suas “dores da alma”, neste caso, passe a expressão, “do espírito”. Podem numa mesma reunião mediúnica serem levadas a perceberem situações espirituais diferentes e que estejam mais relacionadas com a sua sintonia mental. O médium pode ter os órgãos de sentido impressionados durante a comunicação, por exemplo, registar odores; também podem registar dores, nestas situações, muitas vezes tem a ver com órgãos perispirituais lesados no espírito, e deixando de haver a comunicação, deixa de haver a dor.

Pelo contrário, quando se trata de influência de carácter obsessivos, há permanência de dores, desconforto e mal-estar, sem causa orgânica aparente e sem diagnóstico detetável pelos métodos auxiliares de diagnóstico da medicina convencional. Normalmente, os médiuns saem das reuniões muito mais contentes e equilibrados do que quando ali chegaram e é este estado que é desejável. Há situações em que os médiuns sintonizam com alguma entidade antes da reunião mediúnica e, naturalmente, já se dirigem para reunião com alguma má-disposição e desconforto (físico ou mental).

A reunião mediúnica é comparável a um posto de socorro espiritual. Em conclusão, os médiuns são suscetíveis de registar e sentir as sensações provenientes dos espíritos comunicantes, mas, em regra, estas devem estar restritas à duração de uma reunião que, ao terminar, sendo bem conduzida, deve levar a todos os seus elementos o equilíbrio e a condição de bem-estar, por que é suposto que os espíritos em sofrimento que para ali foram levados sejam auxiliados e reconduzidos.

Psiquiatra que nos seus tempos livres, Gláucia Lima estuda desde jovem a doutrina espírita. Dá nesta edição continuidade a esta secção do jornal e responde a um par de perguntas entretanto surgidas. JULHO.AGOSTO.