Voltar à edição
Capa da edição nº 65 do Jornal de Espiritismo

65Jornal de Espiritismo nº 65

Abril 2014 · 18 secções · ≈ 65 min de leitura

A edição de Julho-Agosto de 2014 do Jornal de Espiritismo aborda as Jornadas de Cultura Espírita em Óbidos e o 150º aniversário de 'O Evangelho Segundo o Espiritismo'. Inclui artigos sobre preconceitos e uma entrevista sobre perguntas não respondidas das jornadas. Destaca-se um conto sobre justiça do Rei Tajuan, diferenciando a responsabilidade de acordo com o conhecimento. São também anunciados eventos como audições para o Coro e Orquestra Eletroacústica da FEP, o Encontro Nacional de Jovens Espíritas em Leiria e o 18º Encontro da Criança Espírita em Faro.

Espiritismo
Eventos Espíritas
Moral
Amor
Responsabilidade

Capa

Página 12 min

65 ANOXI JDE JORNALDEESPIRITISMOJULHO . AGOSTO . 2 0 1 4 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Pelo décimo ano consecutivo, pessoas interessadas em espiritismo reuniram-se em Óbidos, no fim-de-semana de 26 e 27 de abril, nas Jornadas de Cultura Espírita decorridas no auditório municipal “A Casa da Música”… 16 OPINIÃO MURO DE PRECONCEITOS 12 CALENDÁRIO O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Perfaz este ano século e meio após a publicação de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, 3.

º dos cinco livros em que Allan Kardec compilou o núcleo da codificação espírita. 13 OPINIÃO O MEU PAI É O PILOTO A viagem decorria bem, o avião era considerado seguro, fazendo a rota Portugal-Brasil, cheio de gente, que ia para o Carnaval. Repentinamente, entra em forte turbulência... 8 ENTREVISTA PERGUNTAR E RESPONDER Toda a pergunta deve ser atendida: vão ter resposta as indagações colocadas durante as Jornadas da ADEP em Óbidos que não conseguiram tempo para ser atendidas na altura.

É urgente o amor!”, escreveu Eugénio de Andrade, e é urgente destruir certas espadas. Em cada muro derrubado, todos ficarão mais próximos da humanidade real… 10 REPORTAGEM foto adep Jornadas de Cultura Espírita Terra foto arquivo Ao rei Tajuan, do Iémen, numa audiência rotineira, foram trazidos cinco malfeitores que lhe haviam requerido proteção e misericórdia. Seguido de guardas vigilantes, aproximou-se o primeiro e rogou em lágrimas, após beijar o escabelo em que o soberano punha os pés: - Perdão, ó rei!

Ouvir artigoContinuar a ler “Capa” →

Editorial Julho.agosto.2014

Página 24 min

EDITORIAL JULHO.AGOSTO.2014 O quarto réu abeirou-se do estrado real e suplicou: - Perdão, perdão ó rei justo! Assaltei a casa do avarento Aquibar, porque não mais suportava a penúria… Tenho mulher e nove filhos famintos e enfermos!… Sou um cão batido pelo sofrimento… Cresci na areia, sem ninguém que me quisesse… Sei que Alá existe, porque é impossível que haja sol e caia chuva sem um pai que nos olhe do céu, mas nunca aprendi a soletrar o nome do Eterno!

… Extremamente comovido, Tajuan solicitou ao ministro expedisse socorro urgente à choupana do infeliz e ordenou que um mestre o instruísse nos deveres do homem de bem, antes que a falta subisse a mais ampla consideração dos juízes. Por último, apresentou-se um homem de porte orgulhoso, que fez a reverência de estilo e solicitou: - Sapientíssimo rei, peço a vossa benevolência para mim, que tive a desventura de furtar um adereço de brilhantes, na festa de Joanan ben Kisma, judeu rico e preguiçoso, conhecido inimigo de nossa nação… Conheço as leis que nos regem e acato os ensinamentos do Profeta, mas não pude resistir à tentação de levar comigo uma jóia do usurário que as possui aos montões… Benevolência, ó Rei Tajuan!

Rogo a vossa benevolência!… O soberano, porém, franziu a testa, contrariado e, com assombro de todos os circunstantes, determinou que o árabe culto recebesse, atado a um poste, trinta e seis chicotadas, ali mesmo, diante de seus olhos, para, em seguida, ser trancafiado no cárcere por dois anos. - Pela glória de Alá, ó rei sábio! – exclamou, confundido, o vizir a cuja autoridade se rogara auxílio para o distinto acusado – como interpretar a vossa munificência?

Ouvir artigoContinuar a ler “Editorial Julho.agosto.2014” →

FEP Coro e Orquestra Eletroacústica: novas audições neste verão «Infor

Página 43 min

FEP Coro e Orquestra Eletroacústica: novas audições neste verão «Informamos que as candidaturas para o Coro e Orquestra Eletroacústica podem ser realizadas on-line na página do Facebook da FEP ou por e-mail: http:// youtu.be/ZiPFS1_35fU e http://youtu.be/ J1KMaH7NPUs. Iremos realizar novas audições no verão de 2014. Contamos com todos os companheiros que amem a arte musical e Leiria: Encontro Nacional de Jovens Espíritas Entre 25 e 27 de abril, decorreu na Associação Espírita de Leiria o 31.

º Encontro Nacional de Jovens Espíritas subordinado ao tema-geral “Pedagogia do amor na vivência do jovem”. “O Encontro Nacional de Jovens Espíritas realiza-se anualmente e conta com a participação de jovens de 13 a 30 anos, ligados as instituições espíritas de vários pontos do país. O encontro é organizado em vários grupos de trabalho, constituídos de várias faixas etárias, cada um subordinado a uma tarefa específica que envolve não só a juventude, como os diversos monitores de evangelização que acompanham os jovens”, lê-se no site da associação anfitriã.

amem a Jesus. Recordamos que este projeto permite a integração de candidatos que não sejam espíritas mas que preencham os requisitos referidos anteriormente e saibam cantar e/ou tocar algum instrumento musical, cujas características tímbricas possam ser aproveitadas para integrar o nosso agrupamento instrumental. Este projeto tem como objetivo principal dinamizar o sentimento de união entre todos os espíritas do Movimento Espírita Português através da sensibilidade musical, com o intuito de fortalecer os laços de fraternidade e de estabelecer uma harmonização espiritual, aproveitando o facto de a música ser uma linguagem universal que nos emociona e eleva, quando dirigida para o supremo bem.

Ouvir artigoContinuar a ler “FEP Coro e Orquestra Eletroacústica: novas audições neste verão «Infor” →

Breves Julho.agosto.2014

Página 54 min

BREVES JULHO.AGOSTO.2014 Depressão: como lidar com ela? Na tarde do passado dia 10 de maio, a Associação Cultural Espírita Mudança Interior (ACEMI), de Vale de Cambra, promoveu um seminário com o título que encabeça esta notícia, expondo uma visão médica e espírita do problema. São preocupantes as estatísticas mundiais sobre depressão, a qual a OMS (Organização Mundial de Saúde) considerou como “o mal do século”, dada a percentagem enorme de população por ela atingida.

Depressão requer atenção e terapia não apenas médicas, como bem explanou o evento promovido pela ACEMI, no auditório da Biblioteca Municipal de Vale de Cambra, gentilmente cedido para o efeito. Na abertura, a cargo da nossa confreira Lourdes Lourenço, dirigente da ACEMI, fez-se o lançamento do livro “No espelho”, recebido pela mediunidade psicográfica de António Pinho da Silva e apresentado, neste evento, pelo conhecido pintor Fernando Veloso.

Seguiu-se o seminário, propriamente dito: “Depressão, causas e efeitos”, a cargo de Gláucia Lima, médica psiquiatra e investigadora; respaldada em investigação e práticas médica e espírita, focou aspetos clínicos e espirituais da depressão e suas terapias, respondendo no final a perguntas do auditório. A seguir, coube a palavra a Sara Rodrigues, formada em Ciências da Comunicação, escritora, guionista de TV; aquela menina que sonhava mudar o mundo, apresentou “O livro da tua vida”, o mais recente da sua autoria, um guia para dinamização da vida mental, que podemos relacionar com profilaxia da depressão.

Ouvir artigoContinuar a ler “Breves Julho.agosto.2014” →

Breves

Página 62 min

É com muita satisfação que estamos respondendo à sua solicitação. Como é sabido, no passado dia 11 do corrente, foi realizado mais um Encontro, foi jáoV ENCONTRO ESPÍRITA DO ALGARVE, que contou, como já vem sendo um hábito, desde o primeiro com uma afluência que tem vindo superando as nossas melhores espectativas. Desta feita superaram-se as 180 presenças, com Companheiras e Companheiros do Centro ao Sul do País.

Este ano Encontro decorreu sob o tema: “A IMPORTÂNCIA DA OBRA DE CHICO XAVIER NA DOUTRINA ESPÍRITA” Contámos com a presença dos Oradores convidados: - Margarete Áquila vinda, a nossas expensas do Brasil, para não só dissertar sobre o subtema “A Visão da Génese na ótica de Emmanuel”, mas também para www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal fazer vibrar os nossos corações com a sua melodiosa voz interpretando lindíssimas canções de sua autoria e não só; - Hugo Guinote, de Cascais, com o subtema “Alicerces do Cristianismo à Luz da Obra de Emmanuel”; - Nuno Cruz, de Lisboa, com o subtema “Revelações Tecnológicas na Obra de André Luiz”; - Octávio Santos, de Portimão, com o subtema “André Luiz e o seu Contributo para o Estudo da Mediunidade”.

Contámos ainda com um conjunto de Oradores e Colaboradores da nossa Casa: - Gonçalo Marques com o subtema: “Emmanuel e o Evangelho; - Humberto Oliveira com o subtema: “André Luiz e a Medicina no Futuro” - Helena Marques moderadora da Mesa Redonda realizada no final das exposifoto arquivo JULHO.AGOSTO.2014 ções, a qual foi muito concorrida com bastantes perguntas mostrando o grande interesse despertado nos presentes, não só pelos subtemas explanados, mas também pelo ambiente verdadeiramente de Paz e Harmonia; - Ana Cristina Russo que nos deliciou com a declamação de vários poemas escritos por alguns poetas enquanto encarnados, bem como outros poemas inéditos recebidos psicograficamente no N.

Ouvir artigoContinuar a ler “Breves” →

Consultório

Página 74 min

Visãomediúnicaesensaçõescontroladas Mário AntónioTemos uma reunião mediúnica com duas médiuns com vidência bastante expressiva. Porém, com alguma frequência não veem exatamente os mesmos quadros, se assim podemos dizer. Não deveriam ver o mesmo? Gláucia Lima – As duas médiuns possuem a mesma faculdade mediúnica e naturalmente podem numa reunião mediúnica ser sensibilizadas pelos espíritos a perceberem ou captarem os mesmos “quadros” ou situações espirituais, porém, podem numa mesma reunião mediúnica serem levadas a perceberem situações espirituais diferentes e que estejam mais relacionadas com a sua sintonia mental.

Vamos supor que a médium (A) sintonize durante a reunião mediúnica com um espírito X (desencarnado), em sofrimento, com sentimentos de ódio e sede de vingançaeovê a influenciar uma mulher Y (encarnada) para quem se está a pedir auxílio durante a vibração na reunião. E outra médium (B), também com faculdades de vidência, durante esta mesma vibração, vê um quadro mental de uma mulher Y, a trair um homem X, quando ainda encarnado, numa outra encarnação, nunca a tendo perdoado.

Nesta situação, muito frequente nas reuniões, as duas médiuns de vidência, foram utilizadas pela Espiritualidade a fim de se ter uma compreensão mais ampla da situação da mulher Y, por quem se faz a vibração. As duas médiuns tiveram vidências distintas dentro de uma mesma situação/ problema. Podemos dizer que se trata de um fenómeno mediúnico porque houve interferência do mundo espiritual na ocorrência dos mesmos. Caso, uma ou outra médium, pela sua simples capacidade durante a vibração captassem os quadros sem interferência dos espíritos, seria simplesmente uma faculdade anímica ou da alma, a foto loucomotiv faculdade não seria a vidência e sim a clarividência, também conhecida como vidência, sem limites do tempo e do espaço, mas, sem a interferência do mundo espiritual.

Ouvir artigoContinuar a ler “Consultório” →

Entrevista

Página 82 min

Perguntar e responder: desobsessão e passe magnético Esta é uma forma de partilhar as respostas que contamos sejam também do interesse dos leitores. Cada indagação tem a ver com a conferência abordada segundo o programa divulgado em abril. Aliás, é de recordar que no canal do Youtube da ADEP, na internet, pode ver quantas vezes quiser estas palestras, que ali ficaram disponíveis desde o momento em que foram proferidas.

O tema que dá sinal de partida é de Ulisses Lopes, que versa a desobsessão. Carlos MirandaUlisses, no tema desobsessão disse que a responsabilidade é nossa, mas há centros espiritas cujos guias «receitam» 6, 7, 8 desobsessões conforme o caso. Que pensar disto? Ulisses Lopes – Centros espíritas que têm “guias” que receitam um número concreto de desobsessões, ao fim das quais o Espírito obsessor fica encaminhado, são, no mínimo, suspeitos.

Demonstram falta de conhecimento doutrinário ao ponto de julgar que conseguem contornar o livre - -arbítrio do espírito obsessor, a priori, ao fim de determinado número de sessões. Além disso, para o obsidiado, pouco interessa estar a encaminhar um Espírito perturbador se ele mesmo não faz o seu tratamento educacional e não baseia a sua conduta em novos paradigmas comportamentais. Marta AntunesComo ajudar alguém numa desobsessão se não quer ir a um centro espírita?

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista” →

Entrevista (pág. 9)

Página 98 min

fluidificada e dava choques, quem me tocava até estalava. Disseram que não estava a fazer bem, que era demasiado. Será? Os centros espíritas são, como qualquer organização, entidades constituídas por pessoas que dão às tarefas um certo uso, de acordo com o seu entendimento e com as normas de funcionamento de cada uma. Leonor LealOlá Joana e Marta, obrigada pelas vossas questões, que vou tentar responder a ambas numa única resposta.

Os centros espíritas são, como qualquer organização, entidades constituídas por pessoas que dão às tarefas um certo uso, de acordo com o seu entendimento e com as normas de funcionamento de cada uma. Ao serem constituídas por pessoas, existem afinidades que se revelam ou não. E ainda que a doutrina seja a mesma, a prática desta nem sempre se mantém uniforme, fruto das imperfeições de entendimento que ainda possuímos em graus diferenciados, pelo que, o facto de não nos termos afinizado com este ou aquele centro espírita não deve determinar, por si só, o afastamento da doutrina, se em nós mesmos, entendermos estar no caminho certo.

Em qualquer situação, e o centro espírita não é exceção, o que mais importa reter é o esclarecimento que cada um de nós deve adquirir para que possamos fazer melhor as nossas escolhas, imperando o bom senso. Quanto à terapia pelos passes, é uma terapia de refazimento espiritual, isto é, uma transfusão de energias psíquicas e espirituais que intervêm, positivamente, na saúde física, psíquica e espiritual do ser necessitado.

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista (pág. 9)” →

Opinião

Página 101 min

Pelo 10.º ano consecutivo pessoas interessadas em espiritismo reuniram-se em Óbidos, no fim de semana de 26 e 27 de abril, nas Jornadas de Cultura Espírita decorridas no auditório municipal “A Casa da Música”. João Xavier de Almeida foi homenageado! fotos adep JULHO.AGOSTO.2014 Jornadas de Cultura Espírita: saúde espiritual debatida em Óbidos

Ouvir artigo

Opinião (pág. 11)

Página 113 min

Com os 200 lugares rapidamente esgotados, este evento foi seguido em direto via internet, pelo canal da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) no Youtube. Após um filme inicial de abertura, o contratenor Luís Peças, acompanhado ao piano por João Santos, envolveram o ambiente em doces vibrações, com três árias cantadas, terminando com o “Ave Maria” de Schubert, a que se seguiu uma mensagem do presidente do conselho diretivo da Federação Espírita Portuguesa, Vítor Féria, que exortou todos os presentes a porfiarem no bem, colocando em prática, no dia-a-dia, os ensinamentos de Jesus de Nazaré, bem escalpelizados pela doutrina espírita.

“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei” e “Fora da caridade não há salvação” são duas frases que, sintetizam bem a essência do espiritismo, como uma porta para um contributo para uma sociedade mais justa, fraterna e igual que, virá futuramente. O grupo de crianças do Centro de Cultura Espírita (CCE) leu várias frases incentivadoras, de ânimo. O Prof. Dr. Manuel Domingos, neurocientista, foi o convidado para efetuar a palestra de abertura sobre “Neurociência e saúde espiritual”, seguindo - -se toda uma panóplia de temas desde a “História da doença e da saúde” com Ana Duarte, “Optimismo e Saúde Espiritual” com José Lucas, à “Natureza e saúde espiritual” com Jorge Gomes, “Cirurgias de Zé Arigó” com Amélia Reis, “Contabilidade e saúde espiritual” com o Isaías Sousa, “Tecnologia e saúde espiritual” com Vasco Marques, “Educação da Mediunidade” com Noémia Margarido, “Desobsessão e saúde espiritual” com Ulisses Lopes, passando pela “Reencarnação como processo terapêutico para o Espírito” com o Reinaldo Barros, “O passe espírita na saúde espiritual” com Leonor Leal.

Após um debate com todos os palestrantes, Gláucia Lima, psiquiatra, encerrou as Jornadas com uma conferência intitulada “Que saúde espiritual para o 3.º milénio?” Seguiram-se breves palavras de João Xavier de Almeida, presidente da mesa da assembleia geral da ADEP e ex-presidente da Federação Espírita Portuguesa, que foi homenageado pelos presentes, pelo seu grande trabalho em prol do espiritismo ao longo de toda a sua vida.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 11)” →

Calendário

Página 124 min

Os fenómenos aí estudados, inerentes à natureza humana, tão antigos quanto ela, eram entendidos confusamente até 1857, ano histórico da publicação de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, o primeiro da codificação. Cético a princípio, Allan Kardec estudou exaustiva e metodicamente os fenómenos paranormais então muito em voga, sistematizando-os em doutrina espírita, Espiritismo: “o cristianismo redivivo”, na expressão do espírito Emmanuel.

Determinada para a Verdade e aberta àquilo que novos conhecimentos tragam de diferente, a doutrina espírita não foi vazada em moldes de crença nem de inflexibilidade dogmática. Pelo universalismo da sua matéria de estudo, e contra a presunção dalguns prosélitos, o Espiritismo recusa ditar “a verdade” e “pureza doutrinária” a defendermos “intransigentemente”. Acessível a quantos o busquem, contenta-se como caminho para a Verdade, ciente de não ser único nem obrigatório; ciente também de quanta luz pode facultar a todos os outros caminhos, e receber deles.

Intransigente no pior sentido era o farisaísmo, e o Bom Pastor não lhe poupou admoestações. Ao codificar o Espiritismo, com prudente critério e assistido superiormente, Allan Kardec pôde apreender-lhe a conformidade aos ensinos de Jesus; analisou-a em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, deduzindo um lema capital: “fora da caridade não há salvação”. Nada permite afirmar que esse livro constitua cedência de Kardec à hegemonia sociocultural do clero, como sustentam alguns confrades nossos, que subestimam o Evangelho e demarcam dele o Espiritismo.

Ouvir artigoContinuar a ler “Calendário” →

Opinião (pág. 13)

Página 133 min

Avião cheio de gente, que ia para o famoso carnaval brasileiro. Repentinamente, entra em forte turbulência, abana fortemente, perde três ou 4 mil pés de altitude, o que provoca ferimentos graves em alguns passageiros. Gritos, pânico, faces brancas de medo, medo de morrer. Na classe executiva rezava-se em voz alta, enquanto um miúdo de cerca de 12 anos jogava calmamente a sua consola de jogos. O seu vizinho de viagem, um executivo de grande empresa, pergunta-lhe atónito: «Não tens medo de morrer?

Vamos morrer todos…», ao que a criança responde “Não se preocupe, o meu pai é o piloto, ele vai aterrar o avião em segurança” e continuou a jogar como se nada fosse. Façamos um paralelismo entre o Airbus A340 com cerca de 300 passageiros a bordo, com o planeta Terra com cerca de 7 bilhões de passageiros a bordo. Tanto um como o outro, são naves que voam no Espaço, apenas varia o número de passageiros que cada um comporta.

Na nave Terra, os 7 bilhões de passageiros teimam em matar, deixar morrer à fome uns enquanto outros amealham o que nunca conseguirão gastar; teimam em ser egoístas, orgulhosos. O que se diria de alguém que fizesse o mesmo dentro do A340, colocando em perigo a viagem? Certamente seria apelidado de louco, e seria preso para não colocar em causa a segurança alheia. Na nave Terra fazemos as maiores barbaridades, destruímos ecossistemas essenciais à vida no planeta, poluímos a Natureza, guerreamo-nos de mil e uma maneiras e teimamos em, vítimas do nosso orgulho e egoísmo, não querer ver a realidade.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 13)” →

Opinião (pág. 14)

Página 144 min

Sendo qualquer doença considerada um ato de justiça divina, amparar um carenciado era tido como contrariar a vontade de Deus. Contrair lepra significava, portanto, tornar-se um réprobo social, desprezado por familiares e escorraçado por amigos, sendo a expulsão para os vales dos infectos obrigatória pela lei e a morte antecipadamente declarada pelo sinédrio. O episódio do leproso curado é relatado em Mateus VIII: 1-4, Marcos I: 40-45 e Lucas V:12-16 trazendo a história de um homem comum, perdido naquela existência, sem outro nome que não o de “imundo”.

Passando os dias entre os animais, disputando restos alimentares e abrigo, este doente, só e incapaz de chorar, sentiu, diante do Cristo a convicção firme de que a libertação era possível. O gesto vem relatado com simplicidade, mas esta cura em particular tem aspetos que a distinguem das demais: - que tributo Jesus manda pagar e porque pede silêncio? Qual a causa da doençaeo motivo da cura? O relato mantido nos textos canónicos não nos permite aferir nenhuma das respostas pretendidas, mas em Primícias do Reino:13, conseguimo-lo.

Após a cura efetuada perante a estupefacção popular e depois da saída em júbilo do curado, nessa noite, Simão interpela o Mestre sobre o motivo do ordenamento do pagamento do tributo. Jesus esclarece que a lei terrena deve ser cumprida e em função do diagnóstico formulado, aquele homem estava considerado morto, apagado portanto dos registos do sinédrio. O tributo não correspondia a um pagamento em jeito de vassalagem, mas antes mero procedimento administrativo.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 14)” →

Opinião (pág. 15)

Página 153 min

Em concreto, “aquilo” eram as Jornadas de Cultura Espírita 2014. Em geral, “aquilo” era o Espiritismo. E, para ela, houve um alívio não confessado. Parece que não havia razão para ter medo ‘desse tal espiritismo’. Ela que sempre dissera: “Nessas coisas é melhor nem saber nem mexer. Eu cá não, não quero nem ouvir falar, tenho medo”. O medo de conhecer não acontece apenas em algumas personalidades; tem existido em toda a história da humanidade em geral e da ciência em particular.

Por exemplo, a ideia de que o conhecimento científico é perigoso está profundamente enraízada na cultura ocidental. Adão e Eva foram proibidos de comer da árvore do conhecimento e no Paraíso Perdido, do poeta Milton, a serpente diz que essa árvore é a mãe da Ciência. Muita da literatura ocidental está repleta de imagens em que os cientistas são identificados com resultados desastrosos para as sociedades. Basta lembrar clássicos como «Frankenstein», de Shelley, «Fausto», de Goethe, ou o «Admirável Mundo novo», de Huxley.

Sabemos que o medo “é a mais primária das emoções humanas” (Mira y López, 1988). Sabemos também que é no sistema límbico que estão registadas as experiências em que o medo foi adquirido por aprendizagem ou por traumas. Nesses casos, há uma hiperactividade nessa região cerebral. Mas a História também nos mostra que ‘conhecimento novo’ e ‘conhecimento perigoso’ andam sempre de mãos dadas num ciclo vicioso. O conhecimento novo desempenha sempre uma função de adaptação, que vai para além do conceito biológico de sobrevivência; antes permite uma organização conceptual coerente do mundo, capacitando-nos para lidar com as dificuldades que nos são colocadas sempre que nos deparamos com conhecimento novo.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 15)” →

preciso respeitar o direito à diferença” – ouve-se gritar de forma con

Página 168 min

“É preciso respeitar o direito à diferença” – ouve-se gritar de forma convincente. É uma afirmação tão óbvia que nem deveria ser preciso repeti-la tantas vezes, mas uma coisa são as palavras que se atiram ao vento e outra bem distinta é o que se faz com elas. Em tempos não muito distantes, os homens construíram muros à volta das cidades para se defenderem dos ataques dos salteadores e dos exércitos inimigos. Reclusos dentro dos seus cárceres sentiam-se seguros e invioláveis, mesmo reconhecendo que a maior fortaleza poderia ser vergada pela persistência de um grande exército.

O tempo foi transformando as muralhas em vestígios arqueológicos, mas o Homem não extinguiu a necessidade de levantar novas barreiras que o protegessem do medo e da suspeição que as diferenças continuavam a provocar-lhe. Umas mais visíveis do que outras, em todas as paredes de segregação que foram e continuam a ser construídas, ficam gravadas as dores e os vícios morais que ainda nos atormentam como Humanidade. “É preciso respeitar o direito à diferença” – ouve-se gritar de forma convincente.

É uma afirmação tão óbvia que nem deveria ser preciso repeti-la tantas vezes, mas uma coisa são as palavras que se atiram ao vento e outra bem distinta é o que se faz com elas. Vivemos numa época em que a informação é global, abundante e propaga-se a velocidades impensáveis. Basta um toque num minúsculo botão para ficarmos em contacto com outra pessoa em qualquer lugar do planeta, acumulamos amigos virtuais com quem partilhamos mensagens, ideias e opiniões, as redes sociais ostentam os mais minuciosos detalhes das vidas privadas e daquilo que queremos que os outros saibam sobre nós.

Ouvir artigoContinuar a ler “preciso respeitar o direito à diferença” – ouve-se gritar de forma con” →

Vídeo / Literatura

Página 173 min

VÍDEO / LITERATURA Poderá um livro mudar a vida de alguém? O livro «Além do Véu» é constituído por uma seleção de 16 artigos que Jorge Gomes publicou ao longo dos anos na imprensa espírita, nomeadamente na extinta «Revista de Espiritismo», órgão da Federação Espírita Portuguesa (FEP) e no presente «Jornal de Espiritismo», órgão da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP). De forma simples e objetiva, escorreita e amena, o Jorge fala-nos de assuntos sérios, candentes mesmo, que dizem respeito a todos, quer sejamos espíritas ou não.

Ficamos a compreender melhor o que é Deus através da criação; a sabermos mais sobre a inteligência dos animais; a compreendermos melhor as consequências do suicídio e das toxicodependências; a percebermos o que é isso de obsessão; a vislumbramos melhor o mundo espiritual que nos envolve; etc., etc. Todos os artigos têm sempre por base os princípios basilares da doutrina que o Codificador nos legou com tanto sacrifício e renúncia: Deus, a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos Espíritos (mediunidade), a pluralidade das existências (reencarnação e lei de ação e reação) e a moral ensinada e praticada por Jesus.

Para além das experiências e observações pessoais, são referidos vários autores como o notável Allan Kardec, o codificador do Espiritismo; Ian Stevenson, o maior investigador da reencarnação; Charles Darwin, naturalista; Raymond Moody, médico e investigador da vida para além da morte, estudioso da EQM (Experiências de Quase Morte); Jane Goodall, antropóloga; Hernâni Guimarães de Andrade, investigador brasileiro de fenómenos estudados pelo Espiritismo; Francisco Cândido Xavier, o maior médium psicógrafo de todos os tempos; Léon Denis, filósofo espírita francês; etc.

Ouvir artigoContinuar a ler “Vídeo / Literatura” →

Entrevista a dirigentes Maria Alice Silva conta 45 anos e é técnica de

Página 184 min

WWW Entrevista a dirigentes Maria Alice Silva conta 45 anos e é técnica de emprego. Mora em Caldas da Rainha. foto direitos reservados Como conheceu o Espiritismo? Maria Alice SilvaAtravés de minha mãe, quando vivia fora do país. Frequenta algum centro espírita? Maria Alice Silva – Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha (CCE). Qual a sua opinião acerca do “Jornal de Espiritismo”? Maria Alice SilvaO “melhor jornal do mundo”, com artigos muito interessantes sobre variados temas à luz da doutrina espírita e experiências vividas pelos próprios.

Do que já conhece do espiritismo mudou alguma coisa na sua vida? Maria Alice SilvaA minha vida mudou gradualmente, sem sequer dar conta. Os dissabores da vida tornaram-se aprendizagens, sinto-me mais tolerante comigo e com os outros. A questão da morte e de ficar “sozinha” quando os meus familiares partirem do corpo de carne já não me atormenta porque a vida continua, esta consolação é divina. Tem sido muito gratificante poder colaborar na evangelização Infantil do centro porque não só transmito os ensinamentos da doutrina como também retiro muitos conhecimentos.

Entrevista a frequentadores Luís Pinto mora em Braga e conta 48 anos. É funcionário administrativo e colabora há várias décadas com a Associação Sociocultural Espírita de Braga (ASEB). foto direitos reservados Como conheceu o Espiritismo? Luís PintoTive o primeiro contacto com a doutrina em janeiro de 1989. Na altura estava com alguns problemas e com dúvidas decorrentes desses mesmos problemas. Através de uma conversa com uma pessoa da família foi-me sugerido visitar a ASEB e a assistir a uma palestra.

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista a dirigentes Maria Alice Silva conta 45 anos e é técnica de” →

não tem uma posição definida sobre cremação de cadáveres, porque Allan

Página 193 min

O Espiritismo não tem uma posição definida sobre cremação de cadáveres, porque Allan Kardec não tratou especificamente esse assunto? A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas foi, com frequência, palco de intrigas e calúnias contra Kardec que, muitas vezes, sucumbiu ao excesso de trabalho, comprometendo a própria existência? Porque se encontrava em viagem, Divaldo Franco não esteve presente no funeral de Nilson Sousa Pereira, mas, ao voltar ao Brasil, foi diretamente ao cemitério orar junto da sepultura do seu grande companheiro nesta existência?

Segundo o Dr. Alexis Carrel, Prémio Nobel da Medicina em 1912 (Selecções do Reader’s Digest de Fevereiro de 1942), “Muitos enfermos se têm libertado da melancolia e da doença graças à prece, pois, quando oramos, ligamo-nos à inexaurível força motriz que aciona o Universo, e, ao pedir, as nossas deficiências são supridas e erguemo-nos fortalecidos e restaurados”? Era uma vez um lobo que foi apanhado numa armadilha. Quando deu por ela, estava trancado dentro de uma jaula.

Cheio de raiva, rebolou-se no chão e uivou. Mais tarde, ao passar por ali um agricultor, o lobo suplicou-lhe: - Solta-me desta jaula, bom homem! O agricultor, primeiro não deu ouvidos. Ora, um lobo é sempre um perigo e se estiver esfomeado, pior! Mas o lobo implorou e fez-lhe de imediatamente uma promessa e uma jura: - Não te comerei, bom homem, e ainda prometo ser o teu guarda o resto da tua vida! – garantiu ele. O agricultor cansou-se de ouvir as lamúrias do lobo e confiando no que ouvia, abriu-lhe a porta.

Ouvir artigoContinuar a ler “não tem uma posição definida sobre cremação de cadáveres, porque Allan” →