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Opinião (pág. 14)

Jornal de Espiritismo nº 65 · Abril 2014Página 144 min

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Sendo qualquer doença considerada um ato de justiça divina, amparar um carenciado era tido como contrariar a vontade de Deus. Contrair lepra significava, portanto, tornar-se um réprobo social, desprezado por familiares e escorraçado por amigos, sendo a expulsão para os vales dos infectos obrigatória pela lei e a morte antecipadamente declarada pelo sinédrio. O episódio do leproso curado é relatado em Mateus VIII: 1-4, Marcos I: 40-45 e Lucas V:12-16 trazendo a história de um homem comum, perdido naquela existência, sem outro nome que não o de “imundo”.

Passando os dias entre os animais, disputando restos alimentares e abrigo, este doente, só e incapaz de chorar, sentiu, diante do Cristo a convicção firme de que a libertação era possível. O gesto vem relatado com simplicidade, mas esta cura em particular tem aspetos que a distinguem das demais: - que tributo Jesus manda pagar e porque pede silêncio? Qual a causa da doençaeo motivo da cura? O relato mantido nos textos canónicos não nos permite aferir nenhuma das respostas pretendidas, mas em Primícias do Reino:13, conseguimo-lo.

Após a cura efetuada perante a estupefacção popular e depois da saída em júbilo do curado, nessa noite, Simão interpela o Mestre sobre o motivo do ordenamento do pagamento do tributo. Jesus esclarece que a lei terrena deve ser cumprida e em função do diagnóstico formulado, aquele homem estava considerado morto, apagado portanto dos registos do sinédrio. O tributo não correspondia a um pagamento em jeito de vassalagem, mas antes mero procedimento administrativo.

André questionou por sua vez quais as razões do pedido de silêncio e o Cristo explicou metaforicamente que, tal como o sal se dilui na refeição chegando a todos na devida proporção, também a sua doutrina escolhia tocar o coração dos Homens, não se sustentando em sinais ou prodígios. E foi nesse momento que Jesus explicou que o ex-leproso, em momentos pretéritos, tinha sido movido pela soberba e egoísmo, ascendendo à custa das lágrimas de muitos, vertidas durante o sofrimento dos seus corpos.

Daí a queda social depois de alcançada a riqueza e a doença corporal. O Enviado explicou ainda não se tratar de merecimento alcançado, mas antes de responsabilidade acrescida que era confiada aquele homem, por muito o haver pedido. E concluindo a sua explanação, explicou que ele continuava leproso no coração e esta última transformação, só intimamente seria conseguida, só assim concretizando a verdadeira cura. O gesto vem relatado com simplicidade, mas esta cura em particular tem aspetos que a distinguem das demais: - que tributo Jesus manda pagar e porque pede silêncio?

Qual a causa da doençaeo motivo da cura? Após a interpelação de Simão a Jesus sobre a utilidade desta em alguém que não lhe beneficia, o Cristo esclareceu que “o Reino dos Céus é uma mensagem de amor para todos, desalentados e sofredores, atormentados e enfermos, todos receberão o convite de acordo com as suas necessidades”, e concluiu explicando que “a nós cabe espalhar as dádivas de luz e bênçãos, sem a preocupação imediata de como serão recebidas ou utilizadas.

Cada coração é responsável pelas sementes que recolhe. [Cada um] pode escolher onde entesourar as esperanças.” E terminada a reflexão, Ele levantou-se e os deixou em silêncio. Reflitamos nós também sobre a distribuição das bênçãos que prestamos enquanto cristãos e a utilidade que lhes damos enquanto espíritos comprometidos. Por Hugo Batista e Guinote foto loucomotiv Nos dias da vinda do Cristo à Terra, doentes do corpo e do espírito eram imensos.

Contudo, na sociedade judaica de então a caridade, ao invés de ser uma virtude, era antes sinal de fraqueza. JULHO.AGOSTO.2014 conteúdo. A adoração das formas levou à acumulação de riquezas em muitos templos e à condenação à morte de Sócrates por querer substituir o erro com conhecimento novo de natureza espiritual, destruindo a supremacia de escribas e fariseus. Todas as grandes verdades são demonstráveis axiomaticamente e, por isso, a crença é desnecessária: “Deus é espírito e em espírito e verdade é que devem adorar os que o adoram” (João,4:24).

A crença é muitas vezes um meio de fugir aos factos e, nessa fuga, o sofrimento é infindável. Nos evangelhos muito é emblemático e parabólico, mas há que garantir que esse conhecimento é acessível a todos, pois “a letra mata, mas o espírito vivifica” (II Coríntios, 2:6). A sabedoria consiste precisamente em demonstrar, com factos irrefutáveis, a verdade dos princípios que a sustentam. “As palavras que vos digo são espírito e vida” (João, 6-63).

Disse um grande pensador que “as escolas perdem tudo aquilo que querem perder”. A ignorância e o medo são como um quarto escuro que só se ilumina pelo conhecimento. Do escuro surge o conhecimento. Do escuro e do vazio surge o Amor.