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Opinião (pág. 13)

Jornal de Espiritismo nº 65 · Abril 2014Página 133 min

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Avião cheio de gente, que ia para o famoso carnaval brasileiro. Repentinamente, entra em forte turbulência, abana fortemente, perde três ou 4 mil pés de altitude, o que provoca ferimentos graves em alguns passageiros. Gritos, pânico, faces brancas de medo, medo de morrer. Na classe executiva rezava-se em voz alta, enquanto um miúdo de cerca de 12 anos jogava calmamente a sua consola de jogos. O seu vizinho de viagem, um executivo de grande empresa, pergunta-lhe atónito: «Não tens medo de morrer?

Vamos morrer todos…», ao que a criança responde “Não se preocupe, o meu pai é o piloto, ele vai aterrar o avião em segurança” e continuou a jogar como se nada fosse. Façamos um paralelismo entre o Airbus A340 com cerca de 300 passageiros a bordo, com o planeta Terra com cerca de 7 bilhões de passageiros a bordo. Tanto um como o outro, são naves que voam no Espaço, apenas varia o número de passageiros que cada um comporta.

Na nave Terra, os 7 bilhões de passageiros teimam em matar, deixar morrer à fome uns enquanto outros amealham o que nunca conseguirão gastar; teimam em ser egoístas, orgulhosos. O que se diria de alguém que fizesse o mesmo dentro do A340, colocando em perigo a viagem? Certamente seria apelidado de louco, e seria preso para não colocar em causa a segurança alheia. Na nave Terra fazemos as maiores barbaridades, destruímos ecossistemas essenciais à vida no planeta, poluímos a Natureza, guerreamo-nos de mil e uma maneiras e teimamos em, vítimas do nosso orgulho e egoísmo, não querer ver a realidade.

A causa parece ser o desconhecimento da imortalidade do Espírito, da reencarnação, bem como da lei de causa e efeito (“a semeadura é livre mas a colheita obrigatória” - Jesus de Nazaré). O homem, pensando viver apenas uma vez, tenta ter cada vez mais, para ser mais feliz, e quanto mais tem mais quer ter, e mesmo assim não consegue a felicidade, apenas a comodidade. O meu pai é o piloto No “Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, no notável capítulo sobre o “Homem de Bem”, os Espíritos apontam o caminho para a felicidade: vencer o orgulho e o egoísmo, causas de todas as chagas morais da humanidade.

A doutrina espírita (ou Espiritismo, ou Doutrina dos Espíritos) vem trazer ao homem um novo entendimento sobre a vida, de onde vem, para onde vai, o que está a fazer no planeta Terra, e o porquê da dissemelhança de oportunidades, cujas causas remontam a vidas passadas (leia-se “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec). Na nave Terra, os 7 bilhões de passageiros teimam em matar, deixar morrer à fome uns enquanto outros amealham o que nunca conseguirão gastar; teimam em ser egoístas, orgulhosos.

Perante este desnorte social em que a humanidade enlouquecida pelo materialismo, pelo consumismo desenfreado, em que tudo parece perdido e sem saída, em que parece não haver valores ético-morais, a Espiritualidade superior continua a aconselhar-nos que cada um de nós faça a sua parte, procure ser melhor cada dia que passa, procure ser menos egoísta, menos orgulhoso, mais fraterno, mais compreensivo, tolerante, procure fazer ao próximo o que desejaria para si próprio, procure viver apenas com o necessário, na certeza porém de que Jesus de Nazaré é o piloto desta grande nave espacial chamada Terra, e a seu tempo saberá “aterrá-la” em local seguro sem a colocar em perigo.

Por José Lucas jcmlucas@gmail.com foto loucomotiv A viagem decorria normalmente, o avião era considerado seguro, quadrimotor, um Airbus A340, fazendo a rota Portugal-Brasil. JULHO.AGOSTO.