Opinião (pág. 15)
Jornal de Espiritismo nº 65 · Abril 2014Página 153 min
Em concreto, “aquilo” eram as Jornadas de Cultura Espírita 2014. Em geral, “aquilo” era o Espiritismo. E, para ela, houve um alívio não confessado. Parece que não havia razão para ter medo ‘desse tal espiritismo’. Ela que sempre dissera: “Nessas coisas é melhor nem saber nem mexer. Eu cá não, não quero nem ouvir falar, tenho medo”. O medo de conhecer não acontece apenas em algumas personalidades; tem existido em toda a história da humanidade em geral e da ciência em particular.
Por exemplo, a ideia de que o conhecimento científico é perigoso está profundamente enraízada na cultura ocidental. Adão e Eva foram proibidos de comer da árvore do conhecimento e no Paraíso Perdido, do poeta Milton, a serpente diz que essa árvore é a mãe da Ciência. Muita da literatura ocidental está repleta de imagens em que os cientistas são identificados com resultados desastrosos para as sociedades. Basta lembrar clássicos como «Frankenstein», de Shelley, «Fausto», de Goethe, ou o «Admirável Mundo novo», de Huxley.
Sabemos que o medo “é a mais primária das emoções humanas” (Mira y López, 1988). Sabemos também que é no sistema límbico que estão registadas as experiências em que o medo foi adquirido por aprendizagem ou por traumas. Nesses casos, há uma hiperactividade nessa região cerebral. Mas a História também nos mostra que ‘conhecimento novo’ e ‘conhecimento perigoso’ andam sempre de mãos dadas num ciclo vicioso. O conhecimento novo desempenha sempre uma função de adaptação, que vai para além do conceito biológico de sobrevivência; antes permite uma organização conceptual coerente do mundo, capacitando-nos para lidar com as dificuldades que nos são colocadas sempre que nos deparamos com conhecimento novo.
Platão dizia que a virtude que está na origem das artes e das ciências é saber admirar. Sem sabermos admirar (e admirarmo-nos) não sabemos amar a Deus e, sem O amar, não O compreendemos. Isto acontece porque, muitas vezes, o pensamento é a própria negação do amor e o pensamento não pode entrar nesse espaço íntimo onde o “eu” e as suas carapaças não existem. Nesse espaço reside a bênção que o homem procura e não encontra se só procurar dentro das fronteiras do pensamento.
Porque o amor não é um pensamento. O maior exemplo da função de adaptação a conhecimento novo que temos, desde há 2014 anos e depois no século XIX com o Espiritismo, é o da revelação de Jesus, que trouxe um novo ponto de vista para ‘olharmos’ a Deus. Então, o conhecimento novo está, sim, associado a um progresso, mas este não é contínuo, antes procede por saltos e mutações, como tão bem sabia Jesus. E mais do que o progresso por si só, importa resguardar a diversidade inerente ao conhecimento novo, pois só ela leva à tolerância.
Esta tolerância não é uma atitude passiva e contemplativa, mas sim uma postura dinâmica que consiste em prever, compreender e promover o que se quer ser. Porque é importante perceber isto? Para começar, porque a Neurociência recente mostra que se prestarmos atenção aos vieses que o nosso próprio inconsciente vai formando devido a influências culturais, e que ficam impressos na amígdala cerebral, podemos anular o efeito desses vieses que nos tornam mais preconceituosos em relação a pessoas e a novos conhecimentos.
Por exemplo, sabemos que toda a mitologia pagã é um extenso estudo alegórico das diversas fases boas e más da humanidade, tal como as fábulas modernas que contamos às crianças. O absurdo é tomar a forma pelo foto loucomotiv O medo de conhecer não acontece apenas em algumas personalidades; tem existido em toda a história da humanidade em geral e da ciência em particular. Por exemplo, a ideia de que o conhecimento científico é perigoso está profundamente enraízada na cultura ocidental.
Ouvia-os falar na cozinha: “Não queres ir amanhã? Aquilo não tem nada de mal, não faz impressãoenão assusta”, dizia ele. JULHO.AGOSTO.
