66 — índice de conteúdos

Correio

Jornal de Espiritismo nº 66 · Setembro 2014Página 35 min

Partilhar
Idioma

foto aseb SETEMBRO.OUTUBRO.2014 Escrevem os leitores Em 29 de junho Ana escreveu: «Interesso-me muito por questões espirituais, mas não posso frequentar nenhum centro espírita porque a minha família é contra isso. Tudo o que leio é às escondidas na internet. Acho que sou espiritualizada mas gostava de desenvolver a minha mediunidade e perceber melhor os sinais que me são enviados. Normalmente tudo o que peço acontece para o bem.

Sempre fui infeliz no meu casamento e continuo infeliz. Há dois anos bati no fundo com uma depressão e agora parece que quer voltar e penso em desaparecer, mas tenho filhos. Não pratico nenhuma religiãoenão posso pagar cursos. Posso contar com a vossa ajuda e aconselhamento gratuitos através deste site e por e-mail? Que me aconselham a fazer? É possível saber quem são os meus guias espirituais e contactar com eles? Como?

Gostava muito de saber quem são. Obrigado. Agradeço resposta». A resposta seguiu no dia seguinte: «Olá Ana, muito obrigado pela sua amável mensagem. Sabermos quem é o nosso guia, ou desenvolvermos a mediunidade, nenhuma vantagem apresenta. O Espiritismo propõe, em vez disso, que se estude e eduque a mediunidade. E se um dia o nosso guia se quiser dar a conhecer, cabe a ele fazê-lo. No seu caso, o mais importante será reconquistar a saúde e a paz interior.

A saúde do corpo e da mente é assunto da Medicina. A saúde espiritual cabe-lhe a si procurá-la no caminho que entenda que é o melhor. Se gosta do Espiritismo, porque não aprofundar esse caminho? A Ana, sendo uma pessoa adulta, não tem de se esconder para estudar Espiritismo ou para visitar uma associação espírita. Toda a gente tem direito à sua liberdade religiosa e de consciência, como garante a Constituição. Nem tem de estar casada contra vontade, se o casamento for inviável.

Cada par deve tentar o mais possível fazer o casamento resultar, mas se for uma fonte de infelicidade para os dois e para os filhos, fica-se melhor separado que casado. Todas as atividades espíritas são gratuitas e sem compromissos, por isso, pode fazer o curso básico de Espiritismo através do site da ADEP sem quaisquer custos: www.adeportugal.org/cbe. Na nossa página http://adeportugal.org pode procurar uma associação espírita que lhe fique perto.

Ou pode dizer-nos em que região de Portugal mora, e nós sugeriremos associações que lhe fiquem perto. Num centro espírita pode falar em privado com a equipa de atendimento e expor o seu caso. Pode assistir a palestras, participar em grupos de estudo, conviver, etc. Pode ir sem problemas, porque não há, nos verdadeiros centros espíritas, nada de assustador ou misterioso. Erepetimosnão se pode nem se aceita dinheiro, prendas, favores ou se exige qualquer tipo de fidelidade.

Abraço amigo e disponha sempre». Ana enviou outra mensagem em 3 de julho: «Muito obrigado pela sua resposta. Vou fazer o curso on-line gratuito. Mas gostava de saber qual dos livros de Allan Kardec devo começar por ler? Ou que outro livro? Sabermos quem é o nosso guia, ou desenvolvermos a mediunidade, nenhuma vantagem apresenta. O Espiritismo propõe, em vez disso, que se estude e eduque a mediunidade. E se um dia o nosso guia se quiser dar a conhecer, cabe a ele fazê-lo.

Outra questão: posso agora saber quem é o meu guia, mesmo sem ainda frequentar um centro espírita? Por exemplo através da data de nascimento? Podem dizer-me isso?». Resposta do missivista de serviço da ADEP: «Olá Ana, a ordem para ler os livros de Kardec é aquela pela qual foram publicados. Quanto a sabermos quem é o nosso guia, não está nas mãos de ninguém saber isso. É o guia de cada pessoa, e só ele, que pode dar-se a conhecer, caso ele pretenda, e quando achar por bem.

99,9 e muitos por cento dos espíritas não sabem quem é o próprio guia, nem pretendem saber. O que nos importa saber é que temos um guia (que pode mudar, no curso da nossa vida), que olha por nós como um pai ou uma mãe, que nos inspira bons pensamentos, boas ideias. Seguir essa voz e porfiar no bem é o principal. Há quem venda a informação de quem é o guia de cada pessoa. Na nossa opinião, trata-se de pura charlatanice.

Abraço amigo e disponha». João Manuel escreve em julho: «Vi afixado numa cidade nortenha um anúncio de inscrições em cursos de espiritismo e de mediunidade a bom dinheiro. Não estava no contexto de uma associação espírita, mas num placard. Estranhei, porque sei que está bem explicado na doutrina espirita que se tem de dar de graça o que de graça se recebe. Isto é legal?». Resposta enviada: «Curiosamente já uma outra pessoa tinha alertado a ADEP para esse dislate.

Não somos juristas, mas parece-nos que infelizmente quem dá oportunidade à exposição desse tipo de incursão em bolso alheio encara com indiferença a veracidade ou falsidade, a justiça ou o disparate desse tipo de anúncios, interessando-lhe apenas o lado comercial. É facto assente, amplamente divulgado e explicado no movimento espírita, em todo o mundo, que a mediunidade não pode ser objeto de nenhuma cobrança, troca de favores, etc.

Jesus falava em «dar de graça o que de graça recebestes» e isso reporta exatamente o assunto em pauta. Os cursos de educação da mediunidade, os cursos básicos de espiritismo, o passe magnético proporcionado nas associações espiritas que o inserem nas suas atividades nunca é objecto de preço, é sim oferecido gratuitamente de forma completamente desinteressada. Não poderia ser de outro modo. Explica a doutrina espirita, sem discussão sustentável, que qualquer espírita, seja médium ou não, tem de viver da sua profissão – como pescador, professor, carpinteiro, engenheiro, médico, empresário, militar, polícia, etc.

– e apenas dentro de uma parte dos seus tempos livres, sem qualquer forma de remuneração, para si próprio ou para a associação que represente. Quem não sabe isto só pode estar muito mal informado sobre espiritismo. Se ainda assim diz que pretende ministrar cursos não é de esperar nada de bom. Por outro lado, se sabe o exposto, estará num processo de loucura, já que os crimes de simonia “pagam-se” sobretudo do outro lado da vida, com o agravamento de situações das quais nem sempre é fácil erguer-se prontamente.

Trocar euros – sejam poucos ou muitos – por um estado de consciência tranquila é um ato de loucura que nem o próprio nem os que o cercam devem alimentar. Esperamos que isso se dissipe a breve prazo, a fim de que a seriedade do assunto não disperse calúnia sobre a dignidade da doutrina de esclarecimento e paz que é o espiritismo, a filosofia de vida codificada por Allan Kardec em meados do século XIX». São muitas as mensagens e com frequência apresentam um denominador comum: pedido de palavras esclarecedoras que ajudem a enfrentar as situações cuja resolução parece realmente difícil de descortinar.