Editorial Setembro.outubro.2014
Jornal de Espiritismo nº 66 · Setembro 2014Página 25 min
EDITORIAL SETEMBRO.OUTUBRO.2014 - Que tipo de pessoa vive no lugar de onde vem? O rapaz respondeu: - Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de as deixar . - O mesmo encontrará por aquirespondeu o ancião. Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho: - Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta? Ao que o velho respondeu: - Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive.
Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida sobre a qual podemos manter controlo absoluto. Fonte: http://contoseparabolas.no.sapo.pt/03outros/varios1.htm Oásis O conceito leva a um caminho que não deve ser dúbio. É que conhecimento não é sinónimo de informação.
A palavra não deixa dúvidas quer no senso comum da linguagem de todos os dias quer na definição do dicionário: aprender é estudar, ir adquirindo conhecimento sobre uma matéria específica. O conceito leva a um caminho que não deve ser dúbio. É que conhecimento não é sinónimo de informação. Será que podemos dizer que o conhecimento é a informação que já foi testada? Quando lidamos no espiritismo com horizontes tão inevitáveis como a vida após a morte do corpo físico e as vidas sucessivas, a pluralidade dos mundos habitados e a lei de causa e efeito, entre outros, ter informação disso não é exatamente ter conhecimento do assunto.
Quem nunca foi a um país estrangeiro reúne informação sobre ele, mas não possui propriamente conhecimento do que é pisar esse chão. É verdade que nas conversetas do dia-a- dia usamos a eito uma e outra palavra, sendo certo que a ponte que une ambas é o verbo aprender. Como toda a faculdade, a mediunidade pode aperfeiçoar-se, pode estagnar e até desaparecer, conforme a experiência, uma das maiores mestras da vida, ensina.
Quando alguém comete o crime de simonia ao misturá-la com dinheiro isso ocorre com frequência. O caso é extremos: temos desinformação mascarada de conhecimento. Parece ser um prisma de várias faces. Daí que Jesus tenha advertido para os falsos cristos e para os falsos profetas, que até os escolhidos enganariam… quanto mais todos nós outros, que fomos apenas chamados a servir desinteressadamente. Ao longo das últimas décadas, observaram-se mistificações diversas oriundas de práticas mediúnicas incipientes.
Algumas nem por isso, mas outras parecem de cartilha. Na década de 1970, recordo que uma delas era a “queda de Kardec” porque se teria envaidecido. Um respeitável dirigente espírita do Norte ouvia o mistificador, que falava em francês impecável de facto, ouvi-o na altura uma vez, e levava a corda toda, até que por fim abriu os olhos e a aldrabice vinda dessa entidade espiritual se esboroou. Lembro- me que o mais estranho é que quase toda a gente à volta desse dirigente percebia o logro, mas ele demorou a perceber mais algum tempo.
Pouco depois surgiu outra, recorrente: a dos extraterrestres. Os extraterrestres comunicavam-se pela mediunidade! Como é que nunca ninguém tinha percebido isso e como é que isso não se generalizava por todo o lado? Também foi uma questão de tempo até o ridículo da questão a ter desvanecido. Anos mais tarde, curiosamente, passada uma dúzia de anos, voltou-se a ver a reedição dessa mistificação num grupo de outra região, em Lisboa, quando nos foi pedido que colaborasseno conselho directivo da Federação aos fins-de-semana.
Também se desvaneceu em alguns meses apenas. Confesso que não acompanhei muito o assunto, o tempo, um bem escasso, deve ter o condão de ser útil. Parece ser recorrente. A leitura do capítulo de «O Evangelho Segundo o Espiritismo» que leva por referência Falsos Cristos e Falsos Profetas é muito oportuna, já referimos. O mesmo para a leitura de «O Livro dos Médiuns», no capítulo 23, em que Kardec define com talento ímpar características dos vários graus de obsessão.
É sabedoria pura, decantada na experiência de muita casuística, e da maior utilidade para todos nós, em qualquer tempo. Todos podemos ser abordados a qualquer altura por espíritos mal-intencionados e será sempre, ainda assim, o livre-arbítrio de cada um, não o deles, a decidir qual o caminho a curto prazo pelo qual optamos, sendo certo que nada é irreversível, senão uma eventual fatura de dor que a prazo se terá de suportar.
Quem gosta de quem se arroja a essa aventura desnorteada e se encontra no plano espiritual num estado de equilíbrio e esclarecimento, lamentará mas não deixará de os amar. Não passarão, no entanto, verniz na ignorância, nem aplaudirão o logro. Ficarão disponíveis para ajudar, quando essa ajuda for aceite pelo necessitado, sabendo no entanto que o livre-arbítrio é de todos. Mediunidade sem estudo nem disciplina dá sempre asneira.
A experiência diz isso, invariavelmente. Esta vida passa breve, é para aproveitar bem. Tem halo de bolsa de estudo. É por isso que mais do que ter informação ou arvorar conhecimento, a disponibilidade para aprender é uma mais-valia ímpar. O caminho faz-se passo a passo, diz-se. Verdade! Mas em muitas partes do caminho sem bússola perdemos rumo. A importância do estudo do espiritismo tal como Allan Kardec o entendeu – que não era dogmática!
– nas suas obras continuará a ser hoje e amanhã tão importante como ontem. Mas não tem figurinhas, leva a pensar. Texto: Jorge Gomes FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: ADEP Redator: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEPRua do Espírito Santo, N.
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