Opinião
Jornal de Espiritismo nº 66 · Setembro 2014Página 133 min
A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), não é mais uma seita nem mais uma religião, mas sim uma ciência de observação, que nos leva a conceitos filosóficos, e a uma moral que assenta nos ensinamentos de Jesus de Nazaré. Esta doutrina tem por princípios básicos a existência de Deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos espíritos, a reencarnaçãoea pluralidade dos mundos habitados. Está assente na lógica, na razão, na observação dos factos espíritas e explica a natureza, origem e destino dos espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo espiritual e o mundo terreno.
Com o aparecimento do Espiritismo em 18 de Abril de 1857, no lançamento da monumental obra “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, comprovou-se que a vida continua após o decesso do corpo carnal, provas essas que têm vindo a ser confirmadas pelas múltiplas pesquisas de muitos cientistas e pesquisadores não espíritas, desde então. Hoje em dia, a Doutrina Espírita é um preciso auxiliar da medicina, nomeadamente da Psiquiatria e da Psicologia, auxiliando estas ciências a entender o ser humano numa perspectiva integral (alma + corpo espiritual + corpo carnal) e não apenas como um amontoado de células orgânicas.
Aprendemos com o espiritismo que todos os nossos actos, omissões, pensamento e sentimentos se repercutem em nós próprios em primeiro lugar, trazendo-nos paz, felicidade ou inquietação, conforme o padrão mental em que estejamos a vibrar no nosso quotidiano. Recordando as palavras sábias de Jesus, “a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória”, vemos aqui a lei de causalidade ou lei de causa e efeito. Somos assim, senhores do nosso destino, temos o livre-arbítrio de agir bem ou mal, com ou sem intenção, fraternal ou egoisticamente, mas um dia, após a morte do corpo de carne não poderemos fugir de nós próprios, arcando com as consequências dos nossos actos, quer no mundo espiritual, quer em vidas (reencarnações) futuras, aurindo a tranquilidade ou a inquietação geradas por nós próprios.
Daí podermos encontrar tanta dissemelhança de oportunidades, de estados de alma, de estados físicos nos seres humanos, ao longo da vida, interrogando-nos onde está a presença divina perante tais desigualdades. Sem a explicação da reencarnação, sem dúvida que encontraríamos um Deus displicente, que dava oportunidades diferentes aos seus filhos. Actualmente, a reencarnação, apesar de aceite por cerca de 75% da população mundial, deixou de ser mais uma crença para ser um facto científico (estudem-se as pesquisas de crianças que se lembram de vidas passadas, os meninos-prodígio, as comunicações espirituais e as terapias a vidas passadas) do qual não adianta fugir.
O roteiro para a felicidade foi-nos dado por Jesus de Nazaré há mais de 2 mil anos: “Não façais ao próximo o que não desejais para vós mesmo”; os conhecimentos estão ao dispor de todos e em todo o lado; a noção de bem e de mal é inata ao ser humano através da sua consciência, pelo que um dia teremos de prestar contas dos nossos dons que Deus nos deu. A ilusão da morte… Somos assim, senhores do nosso destino, temos o livre-arbítrio de agir bem ou mal, com ou sem intenção, fraternal ou egoisticamente, mas um dia, após a morte do corpo de carne não poderemos fugir de nós próprios Uns dirão que não sabiam, outros que não aproveitaram bem o tempo, e aqueles que se esforçaram para terem êxito espiritual, olharão com pena para os seus irmãos mergulhados em futuras e duras expiações, por muito terem abusado nesta vida, da vida do próximo, dos dinheiros públicos, do egoísmo, da falta de rectidão no seu proceder e no seu carácter.
E a vida continua, prenhe de oportunidades evolutivas ao nível intelectual e moral, na certeza de que cada um colherá de acordo com o seu estado íntimo, dentro do aforismo “a cada um de acordo com as suas obras”. Oxalá nós não estejamos no grupo daqueles que dirão: “Ah, se eu soubesse…”. “Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar tal é a lei” diz-nos o Espiritismo, incentivando o homem à fraternidade lembrando um dos ensinamentos dos benfeitores espirituais: “Fora da caridade não há salvação”.
Por José Lucas Bibliografia: “O Livro dos Espíritos” “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (ambos de Allan kardec) foto loucomotiv Viajamos na vida, sem saber o que ela encerra. Uns acreditam que após a morte do corpo de carne nada mais existe (os materialistas), outros não cogitam desse assunto (os agnósticos), outros defendem a imortalidade do Espírito (os espiritualistas), sendo que, neste campo, as explicações são tão diversificadas quanto o número de religiões, doutrinas, ideias que existam no mundo.
