Vídeo / Literatura
Jornal de Espiritismo nº 66 · Setembro 2014Página 173 min
VÍDEO / LITERATURA Manika – a menina que nasceu duas vezes Este pequeno trabalho de Allan Kardec teve a sua origem num artigo seu publicado na Revista Espírita de Abril de 1864, com o mesmo nome, com 22 itens. Mais tarde, no mesmo ano, Kardec amplia este artigo para 42 itens, distribuídos por quatro capítulos: I – Dos Espíritos; II – Manifestações dos Espíritos; IIIDos Médiuns; IV – Das Reuniões Espíritas; e publica com o mesmo título, uma pequena brochura com a finalidade de divulgar o Espiritismo e a sua prática de forma simples, mas correcta.
Ao abrirmos o livro para o lermos e estudar, deparamo-nos de imediato com o pensamento escorreito, límpido e objectivo do Codificador. Vejamos o primeiro artigo: «1 – O Espiritismo é uma ciência de observação, e, por sua vez, uma doutrina filosófica. Como ciência prática consiste nas relações que se pode estabelecer com os Espíritos; como filosofia compreende em si todas as consequências morais que emanam dessas relações.
» O presente trabalho sintético de Allan Kardec termina com o artigo 42, que nos clarifica o seu pensamento sadio sobre as reuniões práticas: «42 – Em vão sustenta-se a utilidade de certas experiências curiosas e divertidas para convencer os incrédulos. Dão elas sempre um resultado contrário àquele que se espera. O incrédulo já disposto a zombar das crenças mais sagradas não pode ver uma coisa séria no que serve de divertimento, nem respeitar o que não se lhe apresenta digno de reverência; levando ele sempre uma impressão má das reuniões frívolas em que não existe ordem, seriedade e recolhimento.
O que sobretudo o convence é a prova da presença do ser cuja memória lhe é cara; são as palavras solenes e graves desses entes, e as suas revelações íntimas que o comovem e o fazem empalidecer. Pelo respeito e veneração que o prende à pessoa cuja alma se apresenta, ofende-se e escandaliza-se por vê-la numa reunião desrespeitosa, no meio de mesas rodantes e das graçolas dos Espíritos frívolos. Incrédulo, como é, sua consciência repele esta aliança do sério e do grotesco, do religioso e do profano.
É esta a razão por que ele chama a tudo isto charlatanismo e sai destas reuniões menos convencido do que quando entrou. As reuniões desta ordem fazem antes mal do que bem, porque afastam maior número de pessoas da doutrina do que as chamam a ela, e além disso dão lugar à crítica dos detractores, que nelas acham justos motivos para zombaria.» Esta pequena pérola do pensamento do Codificador está valorizada com oito notas de esclarecimento e interpretação da equipe revisora da Editora.
A edição em pauta é do CEPC – Centro Espírita «Perdão e Caridade», Lisboa, encadernada com capa dura, enriquecida com três documentos anexos: relação completa da obra de Allan Kardec; resumo de cada um dos seus livros, com observações importantes para qualquer estudioso do Espiritismo; e, resumo biobibliográfico dos principais discípulos do Sábio de Lyon. Poderemos encontrar dados das seguintes catorze personalidades que estudaram, praticaram, viveram, divulgaram e ampliaram de forma idónea a Terceira Revelação: Léon Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano, Francisco Cândido Xavier, Yvonne do Amaral Pereira, Divaldo Pereira Franco, José Herculano Pires, Deolindo Amorim, Hermínio Corrêa de Miranda, Richard Simonetti, José Raul Teixeira, Amália Domingo Soler e Fernando de Lacerda.
Concluímos que estamos perante uma obra que deve integrar qualquer biblioteca individual e colectiva para estudo e consulta. Paço de Arcos, 27 de Julho de 2014 Por Carlos Alberto Ferreira Resumo da Lei dos Fenómenos Espíritas SETEMBRO.OUTUBRO.
