Correio Novembro.dezembro.2014
Jornal de Espiritismo nº 67 · Setembro 2014Página 37 min
CORREIO NOVEMBRO.DEZEMBRO.2014 Reconsidere a postura Sr . Diretor da revista “MAGNIFICAT”: “…Hás-de tu ter maus olhos porque os meus são bons?” (Mt 20:15) Como pessoa de bem junto a outra pessoa de bem, peço-lhe reconsidere a postura editorial obstinada em deturpar e denegrir o Espiritismo. Legendar como “truque de espiritismo” a gravura duma ectoplasmia, além de truque de catolicismo tendencioso, menor, engana os leitores e desserve o Catolicismo.
Esbanjar erudição a “provar” que os espíritos não comunicam com o mundo material, hoje mais do que nunca é tapar o sol com uma peneira. Idem, impugnar outro fenómeno da natureza: a reencarnação, de há muito sustentada individualmente por tantos cientistas; e pelo menos por dois (Ian Stevenson, não espírita, e Décio Iândoli), explanada como lei biológica. Faz mais de século e meio, “O Livro dos Espíritos” apresentou- a não como crença ou artigo de fé, mas como lei da natureza.
Se o “academicamente correto” e o “religiosamente correto” ainda lá não chegaram… problema das respectivas ortodoxias reinantes. Contrariamente a lérias quase sempre mercantis tomadas por Espiritismo, este age em teoria e prática inteiramente ao serviço do Bem, respeitável e desinteressadamente. Não se conota minimamente com ilusionismo; ainda menos com dolo e fraude, que, por sua natureza, lhe compete identificar e desmascarar .
Não se pretende via única e obrigatória para Deus, nem predestinado guardião da Verdade indiscutível, pronta e acabada. Nobre alma cristã, admirável Mikhail Gorbatchev do Vaticano e sua pastoral autoritária, o Papa Francisco desaprovaria certamente o apaixonado antiespiritismo de “Magnificat”. Com fraternais cumprimentos, João Xavier de Almeida, assinante 20932». Difícil enumerar Em agosto Ana escreveu: «Começo por me apresentar .
O meu nome é Ana Margarida, tenho 46 anos e sou natural de Lisboa. Nem sei por onde começar, pois são tantas as experiências paranormais que tenho tido ao longo da vida que é difícil enumerar a mais assustadora. São espaçadas, e quando penso que a(s) entidade(s) me deixou(aram), dá(ão) novamente o “ar da sua graça”. A última foi ontem à noite, dia 10/8/2014, enquanto via o Benfica com o meu marido. Estávamos na sala, sentados no sofá, e entre 1 sofá e outro, existe um candeeiro de pé alto com um interruptor de chão.
De repente ouve-se o clic do interruptor, e a luz apaga-se. Relato este episódio pois como disse é o mais recente, mas tenho tido muitos, sendo que um dos mais assustadores foi aos 3 anos e meio ver um vulto preto, a quem chamo cavalo, à porta do quarto enquanto me preparava para dormir a sesta. Com uns 13/ 14 anos senti os pés da minha cama estremecerem fortemente por 2 vezes seguidas e passado algum tempo sopraram-me ao ouvido.
Sinto-me sempre acompanhada por alguma coisa que não é boa (mesmo no emprego, onde também já tive uma experiência). Não sei o que isto é, o que me quer, mas de facto não me larga. Não é a primeira vez que o meu marido ouve o que eu ouço, e quando isso acontece andamos pela casa à procura daquilo que fez barulho (e muito!), mas sem sucesso pois está tudo nos devidos lugares. Muito mais teria para relatar, mas aguardo futuros contactos vossos para que o possa fazer .
Desde já obrigada, e espero que possam ajudar-me na compreensão daquilo que me persegue. Obrigada». A resposta seguiu: «Olá Ana, os fenómenos que nos relata são naturais, e acontecem com muita gente. São de todas as épocas e lugares. Não se assuste, que não se passa nada de errado consigo. Antigamente, aqui no velho continente, pensava-se que eram coisas do “Demo”. Ora o “Demo” não existe, é apenas um símbolo, ou uma criatura mítica.
Hoje em dia, que a opinião pública é, na sua maior parte, ateísta ou agnóstica, o que antigamente era posto por conta do “Demo”, hoje é atribuído a doença mental, ou a mentira, farsa. Não é o seu caso, obviamente. São duas posições extremasa superstição, e a negação ou troçaque em nada ajudam quem se vê no meio desses acontecimentos. A maior parte das pessoas prefere, por isso, ir guardando para si mesma, com receio de ser alvo de chacota ou desconfiança.
O Espiritismo é uma doutrina filosófica, moral e científica que explica, entre outras coisas, a relação entre o mundo material e o mundo espiritual. Na verdade, a vida decorre em dois mundos. Quando o corpo morre, continuamos a viver, do lado de «lá», no mundo dos Espíritos. O mundo dos Espíritos e o mundo dos «vivos» não são, porém, dois compartimentos estanques. Existe comunicação entre eles. Às pessoas que têm a capacidade de sentir, de ver, de ouvir, os Espíritos, ou de captarem a sua influência de qualquer outra maneira, dizemos que são dotadas da faculdade mediúnica.
Ser-se médium é isso mesmo: é ter um organismo sensível ao mundo espiritual. Toda a gente possui essa capacidade, mas nalgumas pessoas ela é um pouco mais apurada. Esclarecidos estes aspectos teóricos, passemos aos aspetos práticos, e mais imediatos. A Ana Margarida não tem de se assustar com isso. É precisamente por se assustar que há brincalhões do lado de «lá» que se divertem a pregar-lhe essas partidas. Ou, eventualmente, tratar-se-á de Espíritos menos esclarecidos, que não têm noção do que estão a fazer .
Lembramos que os Espíritos são apenas gente como nós. Não é garantido que esses fenómenos algum dia venham a cessar, mas é garantido que, se quiser, estes deixarão de ser um problema para si. Para tal, não é preciso gastar dinheiro, nem é preciso sujeitar-se a «limpezas espirituais», recitar fórmulas mágicas ou recorrer a qualquer outros processo menos racional. A solução para esse incómodo é o ESCLARECIMENTO. O seu esclarecimento, segundo a proposta espírita, passará por: - Estudar Espiritismo; numa associação espírita ou através da Internet (em www.
adeportugal.org/ cbe) poderá fazer o Curso Básico de Espiritismo. É GRATUITO; como TODOS os serviços espíritas. - Ler as obras básicas do Espiritismo, cujo download pode fazer na internet. Ou, se preferir, pode lê-las online. - Visitar uma associação espírita, onde poderá estudar, conviver, assistir a palestras, e solicitar ajuda específica para o seu caso. Na nossa página http://adeportugal.org/adep/ index.php/centros-espiritas encontrará contactos de centros espíritas de todo o país.
O que deve a todo o custo evitar, é pagar por ajuda espiritual, seja a quem for (atenção, que há pessoas que se fazem passar por espíritas; os espíritas NUNCA cobram nem aceitam dinheiro, prendas ou favores). Cuidado, portanto, que há «espertalhões» que se aproveitam do desconhecimento alheio para facturar . Os resultados são nulos, e o dinheiro, como sabemos, custa a ganhar . Ficamos ao seu dispor, e relembramos que: - Não há razão para ter medo.
- O seu problema tem solução, e é muito comum. - Deve fazer a sua vida normal, e não ligar absolutamente nada quando essas coisas eventualmente lhe aconteçam. Desejamos tudo de bom, para si, para o seu marido e para toda a família, e que a tranquilidade reine no vosso lar . Têm todo o direito de ver TV descansados, com ou sem brincalhões a pregarem partidas de mau gosto. Ânimo!». Viagens astrais Em 26 de julho Carlos escreveu: «Olá, sou Carlos Paulo moro no distrito de Coimbra em Portugal.
Desde algum tempo a vontade de realizar viagens astrais para o aprendizado e para o trabalho, com o objetivo de ajudar o próximo e instruir a mim mesmo. Pergunto se conhece algum centro espírita que esclareça e que acompanhe a evolução do aprendizado... na internet encontro uma grande variedade de aprendizado, mas sem acompanhamento. Peço que me diga qualquer coisa, grato». Foi oportuno redarguir: «Olá Carlos, o conceito de viagem astral não é dos mais abordados pelo Espiritismo.
Pelo menos da forma como vemos habitualmente em outras correntes de pensamento. No Espiritismo, aconselhamos todas as pessoastenham mediunidade ostensiva ou nãoa fazerem o curso básico de Espiritismo (www. adeportugal.org/cbe). Após esse curso, há centros que disponibilizam o curso de estudo e educação da mediunidade. E acontece, de forma não induzida, no decorrer do trabalho mediúnico, haver quem, naturalmente, tenha a capacidade de emancipação da alma no estado de vigília.
Nesses casos, essa capacidade é integrada, sempre que seja oportuno e de forma espontânea, nos trabalhos mediúnicos. Fora da reunião mediúnica, não encorajamos a prática da mediunidade. A não ser, eventualmente, a psicografia, que requer algum tempo. Nesses casos, o médium treinado pode ter um dia e uma hora para receber psicografias dos bons Espíritos. Por exemplo, uma pessoa que faça o Evangelho no lar às segundas e quintas, às 20 horas, a seguir, pode disponibilizar um pouco do seu tempo para receber mensagens escritas dos bons Espíritos.
Sem nenhuma obrigação dos Espíritos de virem e darem qualquer mensagem. A mensagem pode ou não chegar, segundo os bons Espíritos possam ou queiram dá-la. Regra geral, são mensagens de cunho moral e espiritual que chegam. Trabalhos de auxílio espiritual, só na reunião mediúnica. Abraço amigo da ADEP!». Kardec maçónico? Orlando escreveu: «Vi alguns vídeos na internet que Allan Kardec e Divaldo Franco eram maçons, gostaria de saber se o espiritismo tem alguma ligação com a Maçonaria.
Resposta: «Olá Orlando, Allan Kardec nunca pertenceu à Maçonaria, embora, como os homens instruídos da sua época, e ainda por cima em Paris (capital do mundo de então), conhecesse e privasse com membros dessa sociedade esotérica. Também se julga que chegou a privar com Karl Marx, e no entanto não era comunista, nem se lhe conhece filiação política. Em Paris vivia a nata do pensamento mundial, e as suas personalidades cruzavam-se em sociedade.
Divaldo Franco também não pertence à Maçonaria. Já fez palestras acerca da Maçonaria, e mantém uma relação cordial com essa organização, que no Brasil é muito prestigiada e se dedica a obras sociais. Abraço amigo».
