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Editorial / Conto Março.abril.2015

Jornal de Espiritismo nº 69 · Dezembro 2015Página 23 min

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EDITORIAL / CONTO MARÇO.ABRIL.2015 Estão a decorrer em todo o planeta, durante 2015, as comemorações do Ano Internacional da Luz. É assim graças a uma atempada deliberação, lê-se na Wikipedia, “da Assembleia Geral das Nações Unidas, em reconhecimento à importância das tecnologias associadas à luz na promoção do desenvolvimento sustentável e na busca de soluções para os desafios globais nos campos da energia, educação, agricultura e saúde”.

Para além de todo o elogio de atividades materiais, capazes de enobrecer a passagem de cada ser sobre a Terra, há outras luzes menos abordadas que haveremos de melhor conhecer. No domínio da visão centrada nas células especializadas dos olhos, apenas conseguimos ver a luz que não é absorvida pelos corpos materiais em que incide. A que é absorvida passa ao lado de qualquer mortal, embora se abra uma referência: há ainda partes de luz que não são absorvidas que são refletidas onde incidem, e que também não vemos.

A exiguidade dos sentidos materiais na espécie humana ainda assim é grande, mas tratamos de entender esta experiência trivial: onde a treva se adensa, em plena noivida à procura dela! O carpinteiro estuda para ser carpinteiro; o enfermeiro para ser enfermeiro; o pescador para pescar; o professor para ensinar… mas quantos pais estudam para esse “ofício” a tempo inteiro? Bem, amor sem conhecimento facilmente dá asneira.

Mesmo assim, ao emergir do quotidiano o exemplo como aval de garantia de qualidade dos afetos, com uma no cravo e outra na ferradura, todos vamos levando a melhor termo as compensações de consciência que a as vidas sucessivas proporcionam. É por isso que a maior luz que neste ou noutro ano alguém consiga acrisolar é aquela que lhe dará luz aos olhos, sons elevados aos ouvidos, seja neste ou noutro plano da vida em cujo dicionário o ponto final é mera ficção.

“Da discussão nasce a luz” – nem sempre! É mais realista dizer assim: do diálogo nasce a luz. Entre opiniões diferentes, gizar afeto e entendimento, sem renunciar aos factos, é regra de ouro que todos estamos a aprender, em toda a parte, cada vez melhor. Texto: Jorge Gomes Desapego Um cidadão fez voto de desapego e pobreza. Dispôs de todos os seus bens e propriedades, reservou para si apenas duas tangas e saiu Índia fora em busca de todos os sábios, medindo na verdade o desapego de cada um.

Levava apenas uma tanga no corpo e outra para troca, sempre que necessário. Estava convencido de não encontrar quem ganhasse de si em despojamento, quando soube de um velho guru, do Norte, aos pés da cordilheira do Himalaia. Tomou a direção adequada e partiu ao encontro do foto loucomotiv velho sábio. Quando lá chegou, tristeza e deceção! Encontrou terras bem cuidadas, um palácio faustoso, muita riqueza, muita pompa.

Indignado, procura o guru. Um velho servo diz-lhe que ele está numa ala dos magníficos jardins com os discípulos, a estudar desapego. Como era costume da casa usar de gentileza para com os hóspedes, o servo convida o andarilho para o banho, repouso e refeição, antes de se dirigir à presença do sábio. Achando tudo muito estranho, o desapegado aceitou a sugestão. Toma um bom banho, lava sua tanga usada, coloca-a para secar no quarto e sai em busca do guru.

Completamente frustrado, queria contestar e desmascarar aquele que julgava um impostor, pois na sua ideia desapego não combinava com posse. Aproxima-se do grupo, que ouve embevecido as palavras do mestre e fica a ruminar um ardil para atacar o guru. Nesse ínterim, aparece a correr como doido um dos serviçais gritando: - Mestre, mestre, o palácio está a incendiar-se, o fogo tomou conta de tudo! O senhor está a perder uma fortuna!

O sábio, impassível, continua sua prédica. O desapegado viajante das duas tangas dá um salto e sai em grande correria, a gritar: - A minha tanga, a minha tanga, o fogo está a destruir a minha tanga... Fonte: http://contoseparabolas.no.sapo. pt/03outros/varios1.htm FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: ADEP Redator: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.

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