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Capa da edição nº 69 do Jornal de Espiritismo

69Jornal de Espiritismo nº 69

Dezembro 2015 · 19 secções · ≈ 76 min de leitura

A edição 69 do Jornal de Espiritismo aborda a importância da paz interior e da confraternização em meio a pontos de vista divergentes. O editorial explora o "Ano da Luz" e a centralidade do amor para a compreensão espiritual, destacando que "sem amor no coração não teremos olhos para a luz". Inclui uma crônica sobre "Física e Espiritismo", artigos sobre a Federação Espírita Portuguesa e uma entrevista sobre as Jornadas de Cultura Espírita em Óbidos. Uma seção de "CORREIO" esclarece dúvidas sobre magia negra e a visão espírita, sublinhando que o Espiritismo oferece conhecimento para desmistificar fenômenos ocultos, explicando a existência humana e o mundo espiritual.

Espiritismo
Paz
Amor
Conhecimento
Mediunidade
União

Capa

Página 11 min

69 ANOXII JDE JORNALDEESPIRITISMOMAR Ç O . ABRIL . 2 0 1 5 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Lidar fraternalmente com pontos de vista diferentes é receita de paz, mas não apenas de âmbito social: falamos daquela paz íntima, a que pede licença para viver dentro de si – tem- -lhe guardado habitualmente um lugarzinho na sua mente? 15 CRÓNICA FÍSICA E ESPIRITISMO: TUDO MAIS PERTO A cortina do seu duche é um objeto bidimensional num espaço tridimensional.

As branas, cordas ou membranas são assim, constituem a base de uma nova teoria. 4 FEDERAÇÃO NOVO MANDATO DIRETIVO Dia 13 de dezembro decorreram as eleições regulamentares para os corpos sociais na Federação Espírita Portuguesa. 9 ENTREVISTA ÓBIDOS: JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA Amélia Reis, da organização, responde a perguntas sobre o evento que este ano decorre em 1 e 2 de maio num espaço maior. 14 OPINIÃO DIVULGAR O ESPIRITISMO Que fazem os espíritas para divulgar (e não vender, impor) a doutrina espírita?

Tantas respostas a encontrar. 10 ATUALIDADE foto loucomotiv Ter ou não ter razão: eis a questão! te, qualquer mínima luz abre facilmente ali espaço e toma quase o vulto de um farol. Out ras luzes há, no entanto, que mais importam. As luminárias da natureza humana centram-se no amor. A luz que resulta dos afetos mais próximos acende perceções a nível espiritual, tanto que “sem amor no coração não teremos olhos para a luz”, nas palavras de Clarêncio, no livro “Entre a Terra eoCéu”, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier sob a pena expressiva de André Luiz.

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Editorial / Conto Março.abril.2015

Página 23 min

EDITORIAL / CONTO MARÇO.ABRIL.2015 Estão a decorrer em todo o planeta, durante 2015, as comemorações do Ano Internacional da Luz. É assim graças a uma atempada deliberação, lê-se na Wikipedia, “da Assembleia Geral das Nações Unidas, em reconhecimento à importância das tecnologias associadas à luz na promoção do desenvolvimento sustentável e na busca de soluções para os desafios globais nos campos da energia, educação, agricultura e saúde”.

Para além de todo o elogio de atividades materiais, capazes de enobrecer a passagem de cada ser sobre a Terra, há outras luzes menos abordadas que haveremos de melhor conhecer. No domínio da visão centrada nas células especializadas dos olhos, apenas conseguimos ver a luz que não é absorvida pelos corpos materiais em que incide. A que é absorvida passa ao lado de qualquer mortal, embora se abra uma referência: há ainda partes de luz que não são absorvidas que são refletidas onde incidem, e que também não vemos.

A exiguidade dos sentidos materiais na espécie humana ainda assim é grande, mas tratamos de entender esta experiência trivial: onde a treva se adensa, em plena noivida à procura dela! O carpinteiro estuda para ser carpinteiro; o enfermeiro para ser enfermeiro; o pescador para pescar; o professor para ensinar… mas quantos pais estudam para esse “ofício” a tempo inteiro? Bem, amor sem conhecimento facilmente dá asneira.

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Correio Março.abril.2015

Página 35 min

CORREIO MARÇO.ABRIL.2015 Comofuncionaisso? As questões colocadas vão chegando por e-mail: aleatoriamente, aqui ficam algumas que achamos por bem partilhar com os leitores. Em 20 de dezembro do ano passado, Carmo escreveu: «Boa tarde, sempre tive um grande interesse por assuntos místicos e pelo mundo oculto. Canalizava este meu interesse mais para as questões da astrologia e coisas do género, uma vez que desconhecia a doutrina espírita e até há pouco tempo esse assunto despertava - -me mais receio do que vontade de perceber.

No entanto, a minha curiosidade acerca da doutrina espírita tem vindo a aumentar. Confesso que só agora tenho procurado informação acerca do assunto e sempre com alguma cautela, porque não sei bem as balizas daquilo que é sério daquilo que não o é, visto ser um assunto ainda tão pouco conhecido e esclarecido. Pois bem, ultrapassada esta pequena introdução, o certo é que tenho tido alguma dificuldade em perceber como funciona isso do espiritismo, que género de fenómenos são da alçada do espiritismo, quais as fronteiras que separam ou aproximam o espiritismo dos restantes fenómenos ocultos.

Muito embora tenha sido sempre uma pessoa mística, nunca havia sido confrontada com a hipótese de acreditar que a magia negra existe e que pessoas mal intencionadas podem lançar bloqueios na vida dos outros. O certo é que já não sei bem no que acreditar, considerando algumas coisas que tenho visto acontecer e histórias que tenho vindo a saber de fontes credíveis. Gostava que me esclarecessem qual a vossa posição acerca deste assunto.

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FEP Novo mandato diretivo No final do ano passado, dia 13 de dezembro

Página 43 min

houve eleições na Federação Espírita Portuguesa (FEP). A Federação é uma associação cujos sócios são pessoas coletivas com personalidade jurídica, no caso associações espíritas sem fins lucrativos. O presidente do Conselho Diretivo é Vítor Féria, pelo Centro Espírita Luz Eterna, de Olhão; Esteves Teiga é vice-presidente pela Associação Espírita de Quarteira; Isaías Pinho de Sousa pela Escola de Beneficência e Caridade Espírita, de S.

João de Ver, é tesoureiro; e pela Associação de Beneficência Fraternidade, de Lisboa, 1.º secretário, Manuel da Costa, e 2.º secretário pela Associação Cultural Espírita de Santarém, António Mendonça. A Assembleia Geral tem como presidente Isabel Saraiva, da Associação Espírita de Leiria; Manuela Vasconcelos da Comunhão Espírita Cristã de Lisboa, 1.º secretário; e 2.º secretário Ana Duarte, da Associação Espírita de Évora.

O Conselho Fiscal tem por presidente António Esteves Santos, do Centro Espírita Perdão e Caridade, de Lisboa, assessorado por Duarte Palma, da Associação Espírita de São Brás, e por José Luís Ucha da Associação Eurípedes Barsanulfo, de Porto Salvo. O presidente do Conselho Diretivo, Vítor Féria, afirma no boletim federativo distribuído via e - -mail em janeiro: «O foco da nossa ação está posto sobretudo na divulgação dos princípios da Doutrina Espírita, no unificar de vontades e na capacitação dos trabalhadores, dando - -se uma atenção especial à Evangelização Infanto-juvenilárea em que tem sido feito um esforço suplementar de sistematização da informação e atualização de conteúdos, numa tentativa de levar aos mais jovens a semente boa que há de florir e frutificar amanhã».

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Breves

Página 52 min

Encontro Nacional de Jovens Espíritas Lisboa vai acolher o XXXII ENJE em 25 e 26 abril, no Inatel da Costa da Caparica. Para mais informações, estabeleça contacto com a organização através do correio eletrónico: enjelisboa.2015@gmail.com. Tudo isto começou em 1985, com o evento nacional que a Juventude Espírita Meimei organizou e chamou Minicongresso de Jovens Espíritas – eventos conhecidos desde o segundo até hoje como ENJE, encontros nacionais de jovens espíritas –, decorrido em 27 e 28 de julho de 1985 em Águas Santas, Maia, subúrbio da cidade do Porto.

Lisboa: seminário “A face oculta da Medicina” Dia 21 de março, no auditório da Faculdade de Medicina Dentária, em Lisboa, decorre um outro seminário, subordinado ao tema “Materialização de Espíritos vs. Física Quântica”, que será ministrado pelo Dr. Paulo César Fructuoso, médico e autor do livro “A Face Oculta da Medicina”, e pelo professor universitário de Física, Dr. André Luíz Ramos. As inscrições “são limitadas aos lugares disponíveis que serão marcados por ordem de inscrição.

O preço é de dez euros por pessoa”. Contacto: Editora Verdade e Luz. Porto: Medicina e Espiritualidade No dia 28 de março, sábado das 9h00 às 18h00, realiza-se no Porto um seminário organizado pela AME Norte, subordinado ao tema Medicina e Espiritualidade. No dia de fecho desta edição ainda não foi dada a localização do evento, contudo podemos adiantar que os expositores serão o Dr. Paulo Fructuoso, formado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Cirurgia Geral), com Mestrado (Cirurgia Gastro-enterológica), abordará os temas “Materializações de Espíritos” e “A Face Oculta da Medicina”; Prof.

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Breves Março.abril.2015

Página 64 min

BREVES MARÇO.ABRIL.2015 Sérgio Villar conheceu o Espiritismo em 1985 no Lar Espírita Cristão, na cidade de ITATIBA SP, Brasil, tendo desde então oportunidade de frequentar a casa de Chico Xavier em Uberaba MG. Transferido em 1994 para ITAPIRA SP, passou a frequentar o Centro Espírita Perdão Amor e Caridade, onde é o atual Presidente. Ali fundou em 1995 o Centro Espírita A Casa do Pão, e em 2000 o Núcleo Assistencial Espírita Cristão Chico Xavier.

Iniciou no Radio Clube de Itapira o programa semanal “A CAMINHO DA LUZ”. Em 2007 inicia uma ação de voluntariado na CASA VIDA, junto de jovens dependentes de drogas e álcool, todas as Sextas-Feiras das 09h00 às 11h00. Em 2009 funda a TV Web A CAMINHO DA LUZ, por sugestão do mentor espiritual Dr. Marco António, que focou a importância de levar a mensagem espírita 24 horas para todo o Planeta. Em Março de 2014 as emissões registavam mais de 4 milhões de acessos em todo o mundo.

Produz DVD de oraCentro de Cultura Espírita: 12 anos feitos! O Centro de Cultura Espírita (CCE), de Caldas da Rainha, fez no passado dia 3 de janeiro de 2015, doze anos de idade e de actividades ininterruptas, ao serviço das pessoas. Esta actividade filantrópica tem continuado graças a cerca de 40 associados que vão mantendo a instituição a funcionar gratuitamente. O Espiritismo é uma ciência filosófica de consequências morais.

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Breves (pág. 7)

Página 74 min

Alcobaça e Caldas da Rainha: apresentação de novo livro foto arquivo No Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, em 23 de janeiro, às 21h00, teve lugar a apresentação do livro «Do pós-vida à Mediunidade e da reencarnação ao Bullying» com a participação do autor, Jorge Gomes, dentro das comemorações do seu 12.º aniversário. A Federação Espírita Portuguesa publicou um segundo livro que leva o título acima referido.

O anterior foi «Além do Véu». A obra conta cerca de 120 páginas no formato 14,5 cm x 22,5 cm, dividida em três partes com um total de 18 capítulos, e tem prefácio de Gláucia Lima. Note que os autores espíritas de livros desta natureza cedem inteiramente a MARÇO.ABRIL.2015 Braga: lançamento de novo livro publicado pela FEP No dia 20 de fevereiro às 21h00 a Associação Sociocultural Espírita de Braga (ASEB) recebeu a apresentação do livro “Do Pós-vida à mediunidade e da reencarnação ao bullying”, de Jorge Gomes, publicado pela Federação Espírita Portuguesa.

A ASEB tem palestra pública semanal de entrada livre às sextas-feiras às 21h00, pelo que foi nesse horário que durante 30 minutos o expositor dissertou sobre alguns dos capítulos do livro, seguindo-se perguntas feitas pelos presentes. Por fim, houve lugar a uma sessão de autógrafos. Porto: palestras de março no CECA No próximo dia 6 de março, às 21h30, o livro “Do pós-vida à mediunidade e da reencarnação ao bullying”, de Jorge Gomes, publicado recentemente pela Federação Espírita Portuguesa, vai ser apresentado no CECA – Centro Espírita Caridade por Amor, na Rua Fonseca Cardoso, n.

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Consultório

Página 88 min

“Consigoouvi-lanomeuquarto” Maria do Céu – Dr.ª Gláucia, por vezes, a minha filha de 8 anos de idade, mais nova que a irmã, acorda recorrentemente por volta das 2h00 da manhã, a meio do sono, com uma respiração ofegante, a tremer. Consigo ouvi - -la no meu quarto, levanto-me e falo com ela, mas ela não sai daquele estado, como se a sua mente viajasse num mundo que a aterroriza. Toco-lhe, falo-lhe, mas ela fica por alguns minutos assim, até que acaba por se deitar de novo e dorme normalmente.

De dia não se lembra. Isso ocorre mais quando o meu marido não está em casa, por motivos profissionais. Como posso lidar melhor com ela para não sofrer? Dr.ª Gláucia Lima – A descrição remete para uma perturbação do sono conhecida como “terror noturno” ou “pânico noturno”, que é caracterizada por gritos durante o sono, acompanhada de sensação de terror, pânico, como se a pessoa estivesse a ser assaltada, por algo terrífico durante o sono.

Geralmente começa com manifestações comportamentais: sudorese, taquicardia (aumento da frequência cardíaca) e respiratória, que culminam com o despertar espontâneo da pessoa ou por outrem. É considerada uma Parassonia – que são distúrbios do sono caracterizados por movimentos anormais que perturbam o padrão saudável do sono, causando como consequência sensação de cansaço, sonolência diurna, fadiga, menor desempenho cognitivo e físico durante o dia.

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Entrevista

Página 95 min

Estão aí as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste Amélia Reis é presidente da direção do Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha, e membro da comissão organizadora destas jornadas. Responde-lhe agora a uma mão cheia de perguntas. O que são estas Jornadas de Cultura Espírita? Amélia Reis – Podemos dizer que, ao longo do tempo, as Jornadas de Cultura Espírita são dois dias diferentes, que trazem até Óbidos pessoas de todo o país, interessadas e motivadas pela doutrina espírita, e em que os espíritas se juntam em torno de um tema, aprofundando-o, esclarecendo-se, dando as suas opiniões, enfim… enriquecendo-se.

Por isso, tentamos escolher temas que marcam a atualidade nas suas diversas vertentes, trazer conferencistas espíritas e não espíritas, alargando assim o leque de conhecimentos e pontos de vista. Quando se realizam? Amélia Reis – Este ano terão lugar nos dias 1 e 2 de maio de 2015, mas, de um modo mais poético…”sempre que é Primavera”. Estas Jornadas de Cultura Espírita já ganharam espaço próprio ao nível nacional, sendo que este ano estaremos na sua 11.

ª edição, pois já são as pessoas que nos perguntam quando vão ser as próximas. Onde vão decorrer? Amélia Reis – Desde o primeiro dia que Óbidos foi o local escolhido, local com significado para os espíritas, uma vez que ligado a Isabel de Aragão. Talvez também por isso, as Jornadas de Cultura Espírita marcam não só um espaço de Cultura mas são também um verdadeiro encontro com ambiente de festa, convívio e alegria. Quem organiza?

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Atualidade

Página 101 min

A conversa não era comigo. Acabara de ali arribar naquele dia 25 de abril tão nublado, mas a quezília teria origem, suponho, noutro cliente ou no patrão. Surgiu uma ponte com a ideia que um amigo tinha dado de véspera: «Podias fazer uma palestra sobre ter ou não razão e de como lidar com conflitos». Registei. O assunto nunca me teria ocorrido em tempo útil. Depois veio o pensamento: o que estará realmente por detrás de uma pretensa imposição dos pontos de vista que exprimimos?

Na verdade, quem é que não gosta de ter razão? O fio condutor carece de melhor pesquisa, mas, até ver, ter opinião bem considerada por outrem dá prestígio em qualquer grupo. Um dos tópicos mais acesos em matéria de divergência de opinião prende-se se calhar com uma pulsão de territorialidade. No fundo, a territorialidade liga-se ao domínio que um qualquer ser vivo estabelece ao redor do seu organismo num determinado sítio.

Na natureza há exemplos curiosos. Basta ouvir e ver o que se passa pela janela. Lá em casa, na transição do inverno para a primavera, canta uma ave pequenina, castanha, a carriça. É altura de fazer ninho e, para isso, o jardim e as pequenas hortas que se desdobram nas traseiras dos prédios configuram um território que possui uma quantidade TER OU NÃO TER RAZÃO: EIS A QUESTÃO A canela de adoçar está ali ao lado e o café vem a caminho.

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Atualidade (pág. 11)

Página 117 min

limitada de recursos alimentares. Estes consistem basicamente em pequenos invertebrados, como aranhas ou os insetos e as suas larvas. Se o casal de carriças não defender com competência este bem escasso de intrusos não conseguirá provavelmente levar a bom termo a sua prole. Por isso, para prevenir danos corporais que resultam de um combate corpo a corpo, antes que se tenha de chegar a vias de facto, usa também técnicas de persuasão.

Basicamente é a sonoridade do seu canto e uma série de expressões corporais. Resulta! Há custos a apontar? Sim, obriga a um maior dispêndio de energia, há risco de lesões, dá maior exposição a predadores… E benefícios? Ei-los: diminuição da pressão predatória, aquisição mais eficiente de alimentos, aumento da atração reprodutiva, proteção das crias e parceiros reprodutores, defesa mais eficaz de recursos limitados… Face a este balancete, não é de estranhar que a espécie humana também use formas de persuasão, pára-choques de conflituosidade, até sem pensar nisso, que tentam evitar o combate direto e os ferimentos daí decorrentes.

Mas o caso não carece aqui de desenvolvimento. E, agora, fica esta pergunta: até que ponto uma opinião que se imponha num qualquer grupo de seres vivos levará consigo um desejo afim de ascendência territorial? Será por isso que fazemos tanta questão de ter razão face a outrem? Na história do ser humano a territorialidade, embora inicie sempre no indivíduo, ganha uma dimensão social. Para se defender ou fazer valer a sua vontade, isolado pouco pode, mas associado a outros, ganha uma força expressiva.

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Opinião

Página 123 min

Os três mandamentos de Amor foto loucomotiv Todos nós reconhecemos com facilidade as duas orientações maiores que devem guiar a conduta de qualquer cristão e, daí decorrente, todo o espírita. MARÇO.ABRIL.2015 O item 4 do capítulo XV do ESE, recordando a narrativa canónica atribuída a Mateus e recuperada por Allan Kardec, refere o episódio em que o Cristo, esclarecendo um grupo destacado de fariseus, sintetiza o corolário do comportamento cristão.

“ -Mestre, qual o grande mandamento da lei? - Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. - Esse o maior e o primeiro mandamento. - E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (MATEUS; XXII: 34 a 40)” O texto não deixa dúvidas; amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Aparentemente são estes os dois únicos mandamentos deixados para o porvir da cristandade. O reconhecimento, imbuído de humildade, da grandeza ainda incompreensível para nós do que é Deus, e a justa medida de conduta entre os homens, orientada pela consciência de cada um. Mas será verdade? Serão realmente estes os únicos mandamentos deixados por Jesus? Não. Existe um terceiro, revelado na noite da última ceia, com um significado particular e distinto destes.

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Crónica

Página 133 min

foto loucomotiv “Sede perfeitos” não é, pois, o que poderia parecer: exigência severíssima, desanimadora, impossível de cumprir. O Bom Pastor, profundamente cônscio dos textos sagrados, sabia o que dizia, e a quem. Demonstração viva de quanto ensinava, compreendia e procurou fazer compreender que no Homem, imagem e semelhança do seu Criador, está impresso o germe da infinita perfeição divina para se desenvolver, florescer, frutificar, no longo percurso pelos três reinos da Natureza; e para além, muito além deles.

Criatura alguma foge ao processo, programadas que foram todas, pela Inteligência Suprema, para atingirem a plenitude. Em «O Evangelho Segundo o Espiritismo», o capítulo XVII traça um perfil do homem de bem, que em consciência se interroga: Fiz todo o bem que podia? Fiz aos outros o que gostaria que me fizessem? O Prémio Camões de Literatura, instituído vai para três décadas pelos governos de Portugal e Brasil, foi no ano passado atribuído ao poeta, ensaísta e historiador brasileiro Alberto Costa e Silva.

A jornalista Fátima Campos Ferreira entrevistou-o para a TV, observando a certa altura: com essa paixão por livros, o seu paraíso terá muitos livros? O entrevistado respondeu ser descrente, não acreditar em paraísos. Adiante, a jorna- lista quis saber em que atividade (professor, diplomata, escritor) ele se sentira mais realizado; retorquiu o entrevistado não se sentir realizado nelas, mas algo frustrado na ambição de ser santo.

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Opinião (pág. 14)

Página 146 min

Desde o tempo do aparecimento do Espiritismo (doutrina espírita) em 1857 que Allan Kardeco sábio francês que pesquisou e compilou as ideias espíritas envidas pelo mundo espiritual, um pouco por todo o mundo) sempre enfatizou a necessidade da divulgação da Doutrina Espírita. Fê-lo com a edição de livros, com a edição de revistas (Revista Espíritacom palestras, debates, trocas de correspondência e viagens por França.

Emmanuel (o Espírito que foi guia espiritual do médium Francisco Cândido Xavier) referiu-se a certa altura que a melhor caridade que podia ser feita com o Espiritismo era divulgá-lo. Allan Kardec preconizou e “profetizou” na sua época que o Espiritismo seria divulgado pelas artes, pelas actividades culturais e nos grandes órgãos de comunicação social à escala mundial. Com o aparecimento da Internet vemos a grande auto-estrada da Informação abrir as portagens ao Espiritismo, nessa viagem inevitável pelos tempos fora.

Vemos a Doutrina Espírita no teatro, no cinema, na televisão (novelas, entrevistas, debates, etc…), na música, nas academias e onde o homem estiver. No entanto, uma divulgação que reputamos de fundamental e à qual não podemos fugir de momento é a do livro espírita. O livro espírita é o repositório dos seus conceitos científicos, filosóficos e morais. O livro espírita pode ser traduzido para todas as línguas do planeta podendo chegar a qualquer pessoa, por exemplo por via electrónica.

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Crónica (pág. 15)

Página 153 min

Num livro publicado em julho de 2014, a Física explica a sua teoria das branas e dá um passo à frente na teoria das cordas. A teoria das cordas – que prediz o número de dimensões que o universo possui – é a abordagem dominante para explicar a realidade. Apesar do sucesso desta teoria da Física, ela enfrenta o desafio derradeiro: o de ser testada empiricamente. Na maioria das versões da teoria das cordas, as dimensões extra (além de altura, largura e comprimento) estão tão embrulhadas entre si que parecem um origami dobrado a 6 dimensões.

Nós vemos 3 e as restantes são invisíveis por estarem tão apertadinhas. Se olharmos, por exemplo, para uma agulha, esta parece ser uma linha de uma única dimensão quando vista de longe, mas se olharmos mais de perto vemos que é a 3 dimensões. Da mesma maneira, segundo a teoria das cordas, as dimensões extra podem ser vistas se as olharmos de muito perto, porém o desafio é aceder a essas dimensões. E é aqui que a proposta de Randall apresenta uma solução promissora: podem existir outros universos separados do nosso apenas por uma distância microscópica, ainda que essa distância seja medida numa 4.

ª dimensão de que, normalmente, não estamos cientes por estarmos encurralados nas nossas 3 dimensões. Claro que os conceitos de múltiplas dimensões e de universos paralelos não são novos e remontam ao trabalho de Margaret Cavendish (século XVII). A teoria geral da relatividade de Einstein também não trata preferencialmente um universo a 3 dimensões. Acontece que sempre se pensou que, a existirem mais do que as 3 dimensões conhecidas, elas seriam demasiado pequenas para serem detectáveis.

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se, no imediato, aqueles de quem o nosso planeta tanto precisa ainda e

Página 167 min

E se, no imediato, aqueles de quem o nosso planeta tanto precisa ainda estiverem a aguardar que outros assumam a sua tarefa? O homem entrou na carruagem semivazia com o rosto sério e visivelmente preocupado. Vagueou o olhar por entre os passageiros à procura de vestígios daquilo que o atormentava, parecendo estar na expectativa de algo que teimava em não acontecer. Desalentado, fechou os olhos por um instante e foi desdobrando cuidadosamente o jornal gratuito que mantinha guardado debaixo do braço.

Percorreu o teto da carruagem com o olhar e começou a leitura em voz alta de uma notícia de primeira página. As palavras iniciais saíram enroladas e quase imperceptíveis, como se fosse necessário subjugar uma resistência qualquer para dar voz à sua emoção. Aqueles murmúrios embrulhados fizeram alguns passageiros erguerem-se a custo das amarras de si próprios e descobrir aquele homem, sujo e esfarrapado, de pé ao fundo da carruagem, espécie de tribuno caído em desgraça, de jornal na mão e pronto a discursar.

Ele respirou bem fundo e as palavras surgiram ainda cambaleantes mas com o ímpeto de um vulcão em fúria: - Riqueza dos 1% mais ricos vai superar a do resto do mundo em 2016. O homem ergueu os olhos do jornal para medir os impactos da sua provocação mas recebeu apenas alguns sorrisos trocistas, olhares enfadados e muitas expressões receosas, todos fingiam indiferença desviando o olhar para que não se cruzasse com aquela espécie de louco social que lhes perturbava a viagem com uma notícia gasta e fora de tempo.

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Literatura / Vídeo

Página 173 min

LITERATURA / VÍDEO Do Pós-vida à Mediunidade e da Reencarnação ao Bullying Este é um filme inspirado na história extraordinária mas real de Jenny Cockell, uma pacata dona de cada inglesa de Northamptonshire, um pequeno condado situado a norte de Londres. Tendo por base o livro escrito pela própria protagonista, relata-nos a persistente busca de uma mulher para encontrar os seus filhos de uma vida passada. Desde a sua adolescência, Jenny tinha sonhos e visões de momentos que se passavam no início do século XX, num tempo em que se chamava Mary.

A memória mais intensa que tinha era da sua própria morte, aos 35 anos, ao dar à luz o seu oitavo filho. Sem perceber as origens desses sentimentos, ela carregava uma enorme culpa por ter deixado os seus filhos sozinhos e sentia uma necessidade muito grande de saber como eles estavam. À medida que foi crescendo, as sensações foram-se atenuando mas, alguns já depois de estar casada e ter dois filhos, elas intensificaram-se de uma forma avassaladora.

Jenny era bastante céptica em relação ao que lhe estava a acontecer. Ela não acreditava em reencarnação e, por vezes, convencia-se de que tudo não passava de pura imaginação. No entanto, as lembranças pareciam tão reais e eram tão vivas que acabavam por se sobrepor ao seu cepticismo. Ela tinha a convicção de que a sua vida anterior teria sido na irlanda num lugar chamado Malahide. Certo dia, decidiu confrontar os desenhos e mapas que tinha desenhado quando era adolescente com os de Malahide e encontrou similaridades notáveis.

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direitos reservados Daniela Serrão conta 30 anos e é engenheira do amb

Página 183 min

foto direitos reservados Daniela Serrão conta 30 anos e é engenheira do ambiente, vive em Mora. Como conheceu o Espiritismo? Daniela Serrão – Sempre tive um contacto próximo com o Espiritismo, pois tenho familiares que seguem este caminho há algumas décadas, no entanto sempre tive algum receio, completamente infundado. Há 2 anos comecei a ter uma série de crises de ansiedade, mau estar, sem motivo aparente, até que me “rendi” a esta doutrina maravilhosa e desde aí não há crise de ansiedade que se chegue perto de mim, pois percebi que a minha dita “doença” não era física, tratava-se sim de um desequilíbrio espiritual que a pouco e pouco tenho vindo a resolver.

Frequenta algum centro espírita? Daniela Serrão – Sim, a Associação Espírita de Évora. Qual a sua opinião acerca do “Jornal de Espiritismo”? Daniela Serrão – Considero o “Jornal de Espiritismo” como mais uma ferramenta essencial à divulgação da Doutrina Espírita. Ainda existem muitos tabus relativamente ao tema, e os artigos publicados contribuem para a sua desmistificação. É muito importante que as pessoas entendam que os espíritas não têm rituais, não somos bruxos, não fazemos rezas e não resolvemos os problemas das pessoas, não!

Simplesmente partilhamos o conhecimento que nos foi permitido adquirir, tentando munir as outras pessoas de ferramentas para aprenderem a amar-se a si mesmas, alterando a sua conduta e solucionando os seus próprios problemas. É por isso mesmo que muitas pessoas que procuram a casa espírita para resolverem um problema, quando percebem que são elas que vão ter de o solucionar e que isso requer muito trabalho acabam por não voltar, pois procuram uma solução rápida e não é isso que se oferece nestas casas...

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Pressentimentos são recordações vagas e intuitivas do que o Espírito a

Página 195 min

Pressentimentos são recordações vagas e intuitivas do que o Espírito apreende nos seus momentos de liberdade e, algumas vezes, avisos ocultos dados por Espíritos benévolos? Estava nos planos de Kardec a criação de um Museu Espírita, para o qual já tinha recebido vários quadros pintados pelo sr. Auguste Quinsac Monvoisin, artista de talento e espírita devotado? Este ano se comemoram os 150 anos do lançamento da obra “O Céueo Inferno” por Allan Kardec (Paris 1 de agosto de 1865)?

A vila de Óbidos, lugar onde têm vindo a realizar-se as Jornadas de Cultura Espírita, fez parte do dote de Isabel de Aragão, guia espiritual dos espíritas portugueses, por ocasião do seu casamento com o rei D. Dinis? Era uma vez um homem muito sábio que vivia numa província da China. Sabia muita coisa, isso sabia, mas era muito convencido e mostrava vaidosamente sempre saber mais do que todas as outras pessoas. Era também muito arrogante e não perdia uma oportunidade para humilhar os outros, que não sabiam tanto como ele.

Um dia, no meio de tantas viagens que costumava fazer em busca de mais saber, alugou uma barca para atravessar para a outra margem de um grande rio. O barqueiro começou a remar e durante a viagem o sábio não perdeu tempo para começar a humilhar o barqueiro. Passou um bando de pássaros e o homem sábio perguntou ao barqueiro: - Estudou a vida das aves? -Não, senhor – respondeu o barqueiro. - Então digo-lhe que perdeu parte da sua vida.

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