Crónica (pág. 15)
Jornal de Espiritismo nº 69 · Dezembro 2015Página 153 min
Num livro publicado em julho de 2014, a Física explica a sua teoria das branas e dá um passo à frente na teoria das cordas. A teoria das cordas – que prediz o número de dimensões que o universo possui – é a abordagem dominante para explicar a realidade. Apesar do sucesso desta teoria da Física, ela enfrenta o desafio derradeiro: o de ser testada empiricamente. Na maioria das versões da teoria das cordas, as dimensões extra (além de altura, largura e comprimento) estão tão embrulhadas entre si que parecem um origami dobrado a 6 dimensões.
Nós vemos 3 e as restantes são invisíveis por estarem tão apertadinhas. Se olharmos, por exemplo, para uma agulha, esta parece ser uma linha de uma única dimensão quando vista de longe, mas se olharmos mais de perto vemos que é a 3 dimensões. Da mesma maneira, segundo a teoria das cordas, as dimensões extra podem ser vistas se as olharmos de muito perto, porém o desafio é aceder a essas dimensões. E é aqui que a proposta de Randall apresenta uma solução promissora: podem existir outros universos separados do nosso apenas por uma distância microscópica, ainda que essa distância seja medida numa 4.
ª dimensão de que, normalmente, não estamos cientes por estarmos encurralados nas nossas 3 dimensões. Claro que os conceitos de múltiplas dimensões e de universos paralelos não são novos e remontam ao trabalho de Margaret Cavendish (século XVII). A teoria geral da relatividade de Einstein também não trata preferencialmente um universo a 3 dimensões. Acontece que sempre se pensou que, a existirem mais do que as 3 dimensões conhecidas, elas seriam demasiado pequenas para serem detectáveis.
A própria teoria das cordas supõe que essas dimensões estarão enroladas sobre si mesmas a escalas infinitesimais: 1033. Porém, sendo assim, essas dimensões não teriam qualquer impacto na nossa dimensão, no que vemos ou experienciamos. Também por isso, o eng.º Hernâni Guimarães Andrade alertou para a necessidade de hipóteses mais avançadas de forma a se interpretar com maior propriedade os fenómenos ditos paranormais.
No mesmo sentido, o físico alemão Pascual Jordan defendia a urgência de desistir de tentar explicar, situar ou produzir fenómenos paranormais dentro de uma realidade Hoje, hoje, hoje Então vemos, recorrendo à Física, como a ideia de 3 divisões de tempo é um mito. Passado, futuro e presente são presente no seu tempo. Ontem e amanhã são apenas conceitos. Ontem é a nossa memória. O amanhã forma-se das nossas projeções e imaginações; é um sonhar acordado.
Nós só seguimos uma série de hoje, hoje, hoje! Assim, não é o passado que nos magoa porque o que nos faz sofrer é a memória. Passado e futuro existem no seu próprio tempo; existem apenas como presente. Se queremos analisar o tempo, temos de analisar o presente. Tal como as gotas de água na cortina do chuveiro ou a definição de um ponto em matemática. Um ponto é uma linha sem dimensão. Como podem pontos sem dimensão produzir uma linha com dimensão?
Um ponto é um mistério em matemática, tal como o presente constitui um mistério. Qual é a realidade desse momento presente? A verdade desse momento é uma aparência criada pelo ego derivada da identificação com o corpo. Como é dito em “A Génese”, o tempo existe apenas em relação às coisas transitórias. No momento em que a identificação com o corpo cessa, não há presente e, por isso, não posso dizer “eu estou a dormir”.
Só depois de acordar posso dizer “eu estava a dormir”. Quando a identificação com o corpo se esvai, o tempo desaparece. Presente, passado e futuro deixam de fazer sentido. foto loucomotiv MARÇO.ABRIL.2015 A cortina do seu duche é muito interessante: é um objeto bidimensional num espaço tridimensional. As branas, cordas ou membranas que podem assumir várias dimensões, também são assim e constituem a base de uma nova teoria proposta pela cientista Linda Randall.
Podem existir outros universos separados do nosso apenas por uma distância microscópica, ainda que essa distância seja medida numa 4.ª dimensão de que, normalmente, não estamos cientes por estarmos encurralados nas nossas 3 dimensões.
