69 — índice de conteúdos

Opinião

Jornal de Espiritismo nº 69 · Dezembro 2015Página 123 min

Partilhar
Idioma

Os três mandamentos de Amor foto loucomotiv Todos nós reconhecemos com facilidade as duas orientações maiores que devem guiar a conduta de qualquer cristão e, daí decorrente, todo o espírita. MARÇO.ABRIL.2015 O item 4 do capítulo XV do ESE, recordando a narrativa canónica atribuída a Mateus e recuperada por Allan Kardec, refere o episódio em que o Cristo, esclarecendo um grupo destacado de fariseus, sintetiza o corolário do comportamento cristão.

“ -Mestre, qual o grande mandamento da lei? - Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. - Esse o maior e o primeiro mandamento. - E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (MATEUS; XXII: 34 a 40)” O texto não deixa dúvidas; amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Aparentemente são estes os dois únicos mandamentos deixados para o porvir da cristandade. O reconhecimento, imbuído de humildade, da grandeza ainda incompreensível para nós do que é Deus, e a justa medida de conduta entre os homens, orientada pela consciência de cada um. Mas será verdade? Serão realmente estes os únicos mandamentos deixados por Jesus? Não. Existe um terceiro, revelado na noite da última ceia, com um significado particular e distinto destes.

De acordo com o texto de João (XIII: 34), a determinada altura o Cristo profere a seguinte afirmação: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.” Poderemos julgar que o significado não difere muito do segundo mandamento deixado. Será? Então porque o Cristo refere especificamente ser “Um novo mandamento”? Seria apenas uma expressão comum? Emmanuel, em Caminho, Verdade e Vida (item 179), reflete da seguinte forma: “A leitura despercebida do texto induziria o leitor a sentir nessas palavras do Mestre absoluta identidade com o seu ensinamento relativo à regra áurea.

Entretanto, é preciso salientar a diferença. O “ama a teu próximo como a ti mesmo” é diverso do “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. Existem assim diferenças entre as duas máximas de amor. Uma aplica-se ao próximo, qual norma genericamente fraternal; a outra, é específica para os que se identificam com os seus ideais. Explica o mentor que “O primeiro institui um dever, em cuja execução não é razoável que o homem cogite da compreensão alheia.

O aprendiz amará o próximo como a si mesmo. Jesus, porém, engrandeceu a fórmula, criando o novo mandamento na comunidade cristã.” E conclui ser este o procedimento que assegura “o regime da verdadeira solidariedade entre os discípulos, garante a confiança fraternal e a certeza do entendimento recíproco. Em todas as relações comuns, o cristão [reconhecerá], que no lar de sua fé conta com irmãos que se amparam efetivamente uns aos outros.

A reflexão é simples, mas não termina sem uma advertência singular para todos nós: “… onde essa característica não assinala as manifestações dos companheiros entre si, os argumentos da Boa Nova podem haver atingido os cérebros indagadores, mas ainda não penetraram o santuário dos corações.” Mais uma vez o sublinhar de que a verdadeira demonstração do que nós somos, não se limita às palavras mas antes, aos atos e consequências deles decorrentes.

Reflitamos pois que só no final da sua passagem terrena, o Mestre nos deixou a derradeira sequência da prática do Amor pelas criaturas: Amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a si mesmo, e uns aos outros como Ele nos amou. Os três mandamentos de Amor.