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Atualidade

Jornal de Espiritismo nº 69 · Dezembro 2015Página 101 min

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A conversa não era comigo. Acabara de ali arribar naquele dia 25 de abril tão nublado, mas a quezília teria origem, suponho, noutro cliente ou no patrão. Surgiu uma ponte com a ideia que um amigo tinha dado de véspera: «Podias fazer uma palestra sobre ter ou não razão e de como lidar com conflitos». Registei. O assunto nunca me teria ocorrido em tempo útil. Depois veio o pensamento: o que estará realmente por detrás de uma pretensa imposição dos pontos de vista que exprimimos?

Na verdade, quem é que não gosta de ter razão? O fio condutor carece de melhor pesquisa, mas, até ver, ter opinião bem considerada por outrem dá prestígio em qualquer grupo. Um dos tópicos mais acesos em matéria de divergência de opinião prende-se se calhar com uma pulsão de territorialidade. No fundo, a territorialidade liga-se ao domínio que um qualquer ser vivo estabelece ao redor do seu organismo num determinado sítio.

Na natureza há exemplos curiosos. Basta ouvir e ver o que se passa pela janela. Lá em casa, na transição do inverno para a primavera, canta uma ave pequenina, castanha, a carriça. É altura de fazer ninho e, para isso, o jardim e as pequenas hortas que se desdobram nas traseiras dos prédios configuram um território que possui uma quantidade TER OU NÃO TER RAZÃO: EIS A QUESTÃO A canela de adoçar está ali ao lado e o café vem a caminho.

Por detrás de balcão a empregada entre dentes diz ao colega: “Mesmo que tenha razão, tenho de me calar!” MARÇO.ABRIL.