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opinião As aflições são experiências necessárias ao nosso progresso

Jornal de Espiritismo nº 7 · 2004Página 144 min

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As aflições são experiências necessárias ao nosso progresso. Fazem com que compreendamos e rectifiquemos as nossas imperfeições, libertando-nos dos obstáculos que nos impedem de continuar a nossa caminhada evolutiva.

Diz André Luiz, espírito, em “Acção e Reacção”, que, “com excepção do caminho glorioso de grandes almas, que elegem no sacrifício próprio o apostolado de amor com que ajudam os companheiros da Humanidade, não se ergue o espinheiro do sofrimento sem as raízes da culpa”.

Segundo sabemos, Jesus, pelas consequências que a sua encarnação deixou na Humanidade terrestre, é o melhor exemplo que temos dessas almas. E, pela conhecida máxima todo o efeito tem uma causa, confirmamos que a causa do sofrimento a que o Cristo se sujeitou foi o seu amor por nós.

Ainda pela mesma máxima, concluímos que o “espinheiro do sofrimento” para nós, irmãos mais novos do Cristo, só se explica completamente pela pluralidade das existências.

Assim, nenhuma das nossas aflições é obra do acaso ou da caprichosa vontade de “Deus”, todas elas têm uma razão de ser, e, se essa razão não se encontra na encarnação actual, há-de encontrar-se numa encarnação já passada (pois, para além de todo o efeito ter uma causa, salvo as referidas excepções, “não se ergue o espinheiro do sofrimento sem as raízes da culpa”).

Temos, em “A Génese” de Allan Kardec, que, “os males de toda espécie, físicos ou morais,

que afligem a Humanidade, formam duas categorias que importa distinguir: a dos males que o homem pode evitar e a dos que lhe independem da vontade”. Só podendo o homem evitar os males que dependam do seu proceder actual, os outros devem, então, ser a consequência do seu proceder anterior. Mas, não vamos agora explicar com o nosso passado “esquecido” tudo aquilo que ainda não temos a humildade de justificar com a nossa conduta presente, tentemos primeiro encontrar a causa na nossa imprudência, negligência, ambição descontrolada, etc....

Se não podemos evitar aquele acidente que nos deixa deformados mas que nenhuma precaução teria impedido, podemos evitar aquele que só acontece pelo excesso de álcool, de confiança, de velocidade, falta de medidas de protecção, etc.... É só um dos muitos exemplos que mostram claramente que não sofremos apenas pelo que fomos, mas também pelo que ainda somos.

Contudo, nem todo o sofrimento é sinal de falta (actual ou passada) cometida, por vezes, “o Espírito pode escolher prova muito rude e, por conseguinte, uma angustiada existência, na esperança de alcançar depressa um estado melhor”, diz-nos Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”.

Por outro lado, há também a quem a vida corre sem grandes sobressaltos, mas, será isso prova de ausência de faltas? Pela classificação e destinação que os Espíritos responsáveis pela Codificação Espírita nos dão deste planeta e dos seus habitantes, a única resposta razoável é a estagnação, como explica Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”: “A vida do Espírito se compõe de uma série de existências corpóreas, cada uma das quais representa para

ele uma ocasião de progredir, do mesmo modo que cada existência corporal se compõe de uma série de dias, em cada um dos quais o homem obtém um acréscimo de experiência e instrução. Mas, assim como, na vida do homem, há dias que nenhum fruto produzem, na do Espírito há existências corporais de que nenhum resultado colhe, porque não soube aproveitar”. É como o académico que prefere estudar e aproveitar a oportunidade que lhe facultam de concluir os exames em Setembro e completar mais um ano lectivo, ou então, prefere ir o Verão todo à praia e aguardar por mais um ano.

Deus criou-nos simples e ignorantes, mas deunos a capacidade de tudo conhecer e aprender para chegar à perfeição intelecto-moral, por isso nos experimenta em tudo; Deu-nos também a liberdade de escolher o caminho para lá chegar. Às vezes, deixamo-nos arrastar pela negligência e manchamos a nossa trilha, então, tal como a criança envergonhada que ainda não sabe comer sem sujar a camisola, mudamos de roupa e tentamos de novo, tantas vezes quantas necessária, até conseguir.

As aflições são experiências necessárias ao nosso progresso pois fazem com que compreendamos e rectifiquemos as nossas imperfeições, libertando-nos assim dos obstáculos que nos impedem de continuar a nossa caminhada evolutiva. Assim, em vez nos afligirmos com as nossas aflições, devemos ter coragem para as ultrapassar, resignação para aceitar o que não podemos evitar e agradecer a Deus a oportunidade que nos dá de reparar aprendendo.

Texto: Cecília Moraiscecilia.morais&portugalmail.com

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