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Literatura / Vídeo

Jornal de Espiritismo nº 71 · Junho 2015Página 174 min

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LITERATURA / VÍDEO Uma história luso-brasileira Vivo por dentro JULHO.AGOSTO.2015 Quando o realizador Michael Rossato - -Bennett acedeu à persistência do assistente social Dan Cohen para que filmasse durante um dia a sua experiência envolvendo música e pessoas com doenças neurológicas degenerativas, ele não estava certamente preparado para o que iria encontrar. Nesse dia, eles assistiram ao inacreditável renascimento de Henry, um acabrunhado velhinho de 95 anos que sofria de demência há uma década.

Até ao contacto com a música, ele passava os seus dias prostrado, sem chama aparente para interagir com o mundo à sua volta. Mas, ao ouvir os primeiros acordes, os seus olhos ganharam de súbito uma vitalidade surpreendente e o rosto de Henry iluminou-se como uma preguiçosa madrugada de um dia de Primavera. Era como se ele estivesse a despertar de um sono profundo. Aquele velhinho cantou embalado pela música mas, o mais emocionante, é que ele recordou-se.

Lembrou-se da sua juventude, da bicicleta, das suas músicas favoritas, pormenores e detalhes minuciosos do que tinha sido a sua vida. Durante algum tempo, Henry readquiriu a sua identidade através da magia da música. Michael, o realizador, ficou tão comovido com aquela experiência que decidiu seguir Dan Cohen durante três anos, resultando desse trabalho o documentário “Vivo por Dentro”. E se existissem mais pessoas que fosse possível despertar?

“Alive Inside” é um documentário extraordinário sobre música e memória, onde acompanhamos o trabalho de Dan Cohen em lares de idosos, utilizando a música como um processo terapêutico em pessoas com doenças neurológicas degenerativas. Cada vez que Dan coloca os auscultadores em alguém e constatamos o poder da música sobre gente que até há segundos parecia completamente desligada do mundo, é como se estremecessem os alicerces da nossa alma.

É como se Dan nos gritasse aos ouvidos o que a aparência pretende iludir: Estas pessoas estão vivas por dentro! Dan quer escancarar ao mundo o que de extraordinário ele está a presenciar na sua experiência de voluntário. Ele idealizou um projeto para levar a música a todos os 16 mil lares de idosos dos Estados Unidos da América. Será loucura? Valerá a pena? Quem assiste a este documentário não fica com muitas dúvidas.

E a ciência, o que diz? Segundo o neurologista e escritor Oliver Sacks, que participa no documentário para comentar a ação da música sobre o cérebro humano e que é professor de neurologia na faculdade de medicina de Nova Iorque e fundador do Institute for Music and Neurologic Function, “A música é inseparável da emoção, não é apenas um estímulo fisiológico. Se chegar lá, irá ligar a pessoa na sua totalidade, às diversas partes do cérebro, e às memórias e emoções que a música traz.

” É extraordinária a relação entre música e memória, sobretudo o que ela consegue fazer a pessoas com Doença de Alzheimer e outras demências, mas é redutor limitar este filme à questão da música. Ele é também um alerta para o drama crescente da população idosa institucionalizada, aborda a solidãoea epidemia de doenças neurológicas na terceira idade, a incapacidade de algumas famílias em prover às necessidades dos seus velhinhos, a urgência da humanização do velho institucionalizado, da humanização da pessoa portadora de demência.

Lembra-nos a urgência da valorização da velhice. Ao longo da história, os velhos sempre foram importantes e respeitados, tinham algo para dar. Hoje parece que são peso porque não há coisa mais insuportável na nossa sociedade do que a lentidão. Através da música, o projeto de Dan Cohen pretende levar lembranças da vida e das tonalidades garridas que a povoam, aos lugares e pessoas que se esqueceram, ou já não sabem, de como as sentir.

A sua dedicação voluntária é também a de dezenas de milhões de voluntários pelo mundo fora que, amando tanto a vida e o mundo, estão empenhados em fazer dele um lugar melhor. Voluntários que, em pequenos gestos de amor de pacotinhos diferentes, fazem sentir àquelas pessoas que não estão esquecidas, que elas valem a pena o tempo, o suor e as preocupações, que são amadas e que haverá sempre um lugar precioso reservado para elas nas nossas vidas.

Mãos à obra! Título Original: “Alive Inside” Realizado por Michael Rossato-Bennett EUA, 2014 – 78 min. Por Carlos Miguel Sampaio (1834-1895), entre muitos outros, renasceram em Portugal para, mais tarde, emigrarem e tornarem-se baluartes na seara espírita brasileira. As suas vidas confirmaram, de forma evidente, as lições que nos ensinam os Espíritos: renascemos em qualquer lugar, sem sabermos quem somos, de onde viemos e para onde vamos, para assim, no anonimato, cumprirmos as nossas missões sem seremos condicionados e constrangidos.

No momento exacto, as leis da vida e do destino humano despoletaram, nestes ilustres espíritos, os factos objectivos e/ou subjectivos que os chamaram ao cumprimento das suas tarefas em terras brasileiras. Esta obra, que deverá integrar as bibliotecas das instituições espíritas, e não só espíritas, para leitura, estudo e pesquisa, é também uma justa homenagem ao maior historiador do Espiritismo no Brasil: Eduardo Carvalho Monteiro (1950-2005).